Cinco filmes de Woody Allen que você pode ver no Netflix

Hoje o nosso velhinho amado completa 80 anos de sarcasmo e ótimos roteiros. Desde os anos 80, Woody Allen nos dá um filme por ano, e às vezes até mais de um.  O diretor é figurinha fácil aqui no Cine Espresso, e como não poderia deixar de ser, hoje resolvemos botar a cara no sol e listar cinco ótimos filmes do cara que estão no Netflix.

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Testa de ferro por acaso (1976)

Testa de ferro por acaso (1976)

A América, terra das oportunidades, com sua imponente Estátua da Liberdade, foi palco de um dos maiores episódios anti-democráticos nos anos 50: o Macarthismo. Conhecido também como “Caça às bruxas”, essa foi uma época em que ser comunista ou apenas simpatizante significava desgraça pessoal.

Em defesa dessa falsa “liberdade de expressão”, afinal o comunismo ameaçava os valores americanos, pessoas foram despedidas de seus empregos, perseguidas e até levadas ao suicídio.

A caça às bruxas é um reflexo da Guerra Fria, mas muito mais do que isso; reflete a deturpação da expressão liberdade de expressão. Liberdade de expressão para quem? Certamente não para aqueles que eram comunistas. Quanta ironia a dita “terra das oportunidades” caçar e exterminar a vida dessas pessoas simplesmente por suas crenças políticas.

Esse é o tema do filme Testa de ferro por acaso, um dos relatos mais verdadeiros do que o governo americano fizera com as vidas de pessoas que trabalhavam em Hollywood ou na televisão. Também quem pudera: o filme fora escrito e dirigido por pessoas que foram caçadas naquela época. Deu para sentir o grau de realness?

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A outra (1988)

A outra (1988)

 Existe duas coisas que eu deveria evitar e não consigo: os filmes existenciais e os livros de Marguerite Duras. Esses últimos me despertam uma tristeza tão grande que é muito difícil terminá-los. Quando estava lendo O amante, lembro de ter chegado a uma parte em que chorei feito um bebê. Era como se ela escrevesse para mim. Eu passava por uma época difícil e aquele livro era extremamente deprimente, um deprimente tão belo que era impossível largar. A vida é assim: um deprimente belo.

Mas o que Marguerite Duras tem a ver com A outra, filme de Woody Allen de 1988?

Tudo, tudo.

Hoje terminei Yann Andréa Steiner (nossa colaboradora de Cine Espresso, Patrícia, vai entender bem meus sentimentos), um romance sobre o romance da autora com o então jovem Yann, muitos anos mais jovem que ela. Ontem assisti a A outra, e livro e filme me despertaram uma melancolia/tristeza como eu não sentia há muito tempo. O vazio existencial nunca pareceu tão claro ao terminar o livro e o filme.

 

A outra é um soco bem dado no estômago. Trata-se de um Woody Allen sério, com diálogos cortantes, verdadeiros, tristes. Algo que eu já havia vivenciado com Blue Jasmine, mas numa dimensão muito piorada aqui. Isso porque durante a 1h20 de filme tive a sensação de que a personagem de Gena Rowlands era eu. Que aquele filme falava para mim. Não importava que a personagem tinha 50 anos, eu sentia na carne o peso daqueles dramas. Eu, eu, com apenas 23 anos.

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A era do rádio (1987)

A era do rádio (1987)
Agora tudo acabou. Exceto em minhas recordações. O cenário é Rockaway e a época é minha infância (…) perdoe-me se romantizo. A vizinhança onde cresci nem sempre era tão turbulenta e chuvosa, mas é assim que me lembro dela. Naquela época o rádio estava sempre ligado.

Nunca escondi por aqui o fato de ter Woody Allen como diretor favorito. Já contei antes em outros posts como Woody sempre parece ter a palavra certa no momento certo. Assim, pareceu certo usar meu aniversário, que aconteceu por esses dias, como desculpa para comprar o box com 20 filmes seus. Faz algum tempo que eu e o dito box de dvds nos observamos mutuamente na Saraiva, e agora, fico feliz em dizer, estamos em um relacionamento sério.

O negócio é que eu, como pregadora da Igreja Universal do Reino de Woody Allen  fã do diretor, já assisti antes boa parte dos filmes que vieram na caixa. Masss, felizmente, ainda restaram alguns que, por algum motivo ou outro, eu ainda não tinha visto. E agora estou nessa aventura maravilhosa de ver o que falta. E escolhi começar com A era do rádio, de 1987.

Um dos filmes mais ternos de Woody Allen, me lembrou, entre outras coisas, de como o diretor consegue tirar o melhor dos atores com quem trabalha. Além disso, acredito que esse é o filme mais autobiográfico da sua carreira. Por fim, Woody consegue que o espectador acabe por sentir saudades de uma época  que não viveu. Senhoras e senhores, Radio days!

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Magia ao luar (2014)

Magia ao luar (2014)
I believe that the dull reality of life is all there is,
but you are proof that there’s more, more mystery, more magic.
 

A tradição de ir ao cinema para ver o filme anual de Woody Allen não decepciona. Desde Meia-noite em Paris eu tenho seguido esse costume à risca. E sempre procuro levar alguém comigo, pois sei que vão me agradecer depois. No entanto, esse ano só consegui ver Magia ao luar, o filme dele desse ano, aos 45 do segundo tempo. Faziam dois meses que eu surtava com o trailer, e com o fato de ter Colin Firth em um filme do Woody Allen. Mas, como os cinemas da minha cidade dão preferência aos blockbusters, um mês da estreia se passou – e nada. Já resignada com a tradição sendo quebrada esse ano, descobri que – finalmente – o filme iria passar na cidade, durante uma mísera semana. E arrastei minha irmã e minha melhor amiga comigo nessa empreitada.

E como todo bom filme de Woody Allen, ao final temos:

a) Um personagem que representa o próprio Woody dentro da história;

b) Um personagem feminino maravilhoso;

c) Uma trilha sonora encantadora;

d) O diretor tirando o melhor dos seus atores;

e) O desejo de que Allen viva até os 150 anos para continuar nos dando um filme por ano.

Fazendo promessas para Nossa Senhora dos Filmes Ótimos já!

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A Última Noite de Boris Grushenko (1975)

A Última Noite de Boris Grushenko (1975)

Amar é sofrer. Para evitar o sofrimento, um não deve amar. Mas então, um sofre por não amar. Portanto, amar é sofrer; não, amar não é sofrer, sofrer é sofrer. Ser feliz é amar. Ser feliz então é sofrer, mas sofrer te faz infeliz. Portanto, para ser infeliz, um deve amar, ou amar o sofrimento, ou sofrer de demasiada felicidade.

Uma mistura de Tolstói e Dostoiévsk (sobretudo de referências à Guerra e Paz e Os irmãos Karamazov, de onde Woody tirou  o nome do protagonista), questões existenciais, referências ao cinema de Ingmar Bergman e o humor físico de Buster Keaton, A Última Noite de Boris Grushenko (no original, Love and Death) é uma das grandes obras de Woody Allen, e o melhor da sua fase-pastelão dos anos 70. Além do mais, é a primeira fase da parceria frutífera com Diane Keaton, que comentei mais a fundo no post sobre Annie Hall. Aqui, Woody debocha da vida num geral, e faz rir com piadas e gags que surgem no ritmo de uma metralhadora.

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Noivo neurótico, noiva nervosa (1977)

Noivo neurótico, noiva nervosa (1977)
 
Me lembrei de uma velha piada. O cara vai ao psiquiatra e diz: ‘Doutor, meu irmão é louco. Ele acha que é uma galinha’. E o doutor diz: ‘Por que você não o interna?’. E o cara responde: ‘Eu até internaria, mas preciso dos ovos’. É mais ou menos o que sinto sobre relacionamentos. São totalmente irracionais, loucos e absurdos. Mas nós vamos aguentando porque precisamos dos ovos.
 

Diane Keaton e Woody Allen. The perfect match. Em minha opinião, é impossível falar sobre Annie Hall (me recuso a repetir o infame título brasileiro aqui), de 1977, sem falar na relação dos dois. Tudo que eles foram juntos está nesse filme.A comédia romântica moderna atingiu seu ápice aqui, em uma época muito apropriada, considerando a revolução que aconteceu no cinema americano nos anos 70. Chega dos romances protagonizados por pessoas perfeitinhas e com aquela divisão clara: amor à primeira vista, depois o casal se odeia, alguma coisa acontece, tudo se resolve e final feliz – pelo menos não mais por enquanto. Não na década revolucionária do cinema. Não se você quer ser cool. E Annie Hall é exatamente sobre isso; é o romance moderno. E pop.

Começou como uma versão atualizada das comédias sofisticadas dos anos 30 protagonizadas por Spencer Tracy e Katharine Hepburn; acabou sendo um dos maiores clássicos do gênero e um marco na carreira de Woody Allen.

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A rosa púrpura do Cairo (1985)

A rosa púrpura do Cairo (1985)
I just met a wonderful new man. He’s fictional, but you can’t have everything.

A insatisfação com o real e com o presente é uma das questões que perpetua a obra de Woody Allen. Para o diretor, que tem em seus filmes uma visão pessimista da vida, o cinema sempre foi uma válvula de escape. Seu desejo sempre foi que fosse possível enfrentar a vida sem precisar escolher entre a fantasia e a realidade. Em nenhum outro filme isso ficou tão claro quanto em A rosa púrpura do Cairo, onde a personagem vivida por Mia Farrow, é a síntese de tudo aquilo que o cinema sempre representou para Allen, bem como uma bonita homenagem aos filmes da época da Depressão.

Uma curiosidade: tenho um caso sério de amor com esse filme. Há  uns três anos atrás um amigo muito querido e colega da faculdade me disse que havia assistido A rosa púrpura do Cairo, e que a protagonista lembrava muito o meu jeito. Curiosa, fui atrás do tal filme, e tive que concordar: eu era (e sou, até hoje) Cecilia. Na verdade, talvez você concorde comigo depois de assisti-lo: todos nós somos um pouco Cecilia. Continue Reading…

Blue Jasmine (2013)

Blue Jasmine (2013)

Depois de uma fase europeia – com filmes rodados em Londres, Barcelona, Paris e Roma – Woody Allen está de volta às origens. Filmado em San Francisco, Blue Jasmine é, com toda certeza, um dos melhores filmes dos últimos tempos, e, mais ainda, um dos melhores de Woody. Uma das marcas do diretor são, sem dúvida, personagens femininas marcantes, e Jasmine é uma delas – os homens dos filmes de Allen são geralmente uma variação da personalidade do próprio diretor.

Woody jamais escondeu sua paixão por alguns personagens do cinema – Rick Blaine, de Casablanca é um deles, sendo mostrado sempre como um ídolo e um modelo em seus filmes. Outra que vi várias vezes ser mencionada não só nos filmes de Allen, como também em seus contos, foi a icônica Blanche DuBois, vivida por Vivien Leigh em Uma rua chamada pecado (1951). A personagem, conhecida pelo desejo de escapar da realidade através da farsa apareceu, por exemplo, sendo imitada por Woody em O dorminhoco (1973). Mas, em Blue Jasmine temos uma livre e moderna adaptação da peça de Tennessee Williams. E se Vivien Leigh ganhou merecidamente o Oscar por viver Blanche, o mesmo podemos esperar de Cate Blanchett com Jasmine. Então, amigos, puxem suas cadeiras e esperem, pois acho que temos a vencedora do ano que vem.

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