A autobiografia de Jane Fonda e o elogio ao impecavelmente imperfeito

A autobiografia de Jane Fonda e o elogio ao impecavelmente imperfeito

Minha mãe não sabia que estava criando um monstro ao me dar de presente Carmen, uma biografia, trabalho sensacional do escritor Ruy Castro sobre a vida de Carmen Miranda. Depois de ler esse livro, eu simplesmente adentrei no mundo das biografias, que se tornaram meu gênero literário favorito. Tenho muitas biografias, muitas mesmo. Se eu gosto do artista, é provável que vá ler sobre sua vida, para ter aquele sentimento de “sou íntima de fulano”.

Ao longo destes dez anos de leitora voraz de biografias, pude perceber que esses livros seguem uma espécie de fórmula. Geralmente ou o artista é retratado como um santo ou é destruído pelo autor da obra. Quando o livro é autobiográfico, existe uma tentativa de endeusar a própria vida, negar alguns boatos e se redimir perante os fãs. Hoje, como futura historiadora, vejo isso como narrativas históricas com as quais temos de lidar. Não há uma verdade absoluta, é uma questão de ponto de vista, de lugar de fala. É nisso que precisamos prestar atenção.

Pelos motivos elencados acima, eu me achava preparada para o que leria em Jane Fonda: minha vida até agora. Porém, o que aconteceu foi um daqueles momentos de glória, únicos na vida, em que você está diante de algo completamente diferente, capaz de mudar sua vida. Jane Fonda toma tudo o que você conhece sobre autobiografias, joga fora e cria algo muito verdadeiro, e a única reação que poderíamos ter é chorar. Ah, como chorei baldes com esse livro.

Muito mais que uma narrativa autobiográfica, o livro nos ajuda a entender nossas experiências enquanto mulheres no mundo. Talvez o seu maior bônus seja a aproximação que Jane faz com as leitoras. Ela mostra que você não está sozinha, que seus sentimentos não são inválidos e ainda reflete sobre os motivos pelos quais “traímos nós mesmas”.

Você achou que nunca leria uma autobiografia feminista? Pois essa daqui é – e muito!

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As vinhas da ira (1940)

As vinhas da ira (1940)

Seis semanas após a estrondosa estreia de E o vento levou em Atlanta, um filme completamente incomum para os padrões hollywoodianos também invadia as salas de cinema: As vinhas da ira. Dirigido por John Ford e rodado em sete semanas, esse filme se tornaria E o vento levou com proposições sociais. Até hoje, muitos anos após seu lançamento, As vinhas da ira ainda dialoga com o nosso presente, sobretudo neste momento em que vivemos uma das maiores e ferozes crises do sistema capitalismo.

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Os seus, os meus e os nossos (1968)

Os seus, os meus e os nossos (1968)

Eu simplesmente adoro descobrir filmes do povo da Old Hollywood que eu nem tinha ideia que existiam. Aconteceu antes com Que papai não saiba, que me fez levar um tiro devido a parceria Rogers-Stewart. Aliás, falando em Ginger e Jimmy, o filme que descobri por esses dias, traz como protagonistas exatamente seus respectivos melhores amigos: Lucille Ball e Henry Fonda.

Hank e Lucy me surpreenderam positivamente em Os seus, os meus e o nossos. Eu não fazia a mínima ideia de que esse filme tinha uma versão original de 1968. Conhecia, é claro, aquela com o Dennis Quaid, mas obviamente, a versão de 1968 deixa seus remakes no chinelo.

Os seus, os meus e o nossos tem todos os ingredientes daquelas comédias tipo família que passam na Sessão da Tarde: mensagens bonitinhas, crianças purgantes e momentos muito, mas muito engraçados.

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Você me pertence (1941)

Você me pertence (1941)

Que saudades estava de escrever sobre filmes de Barbara Stanwyck por aqui! Para uma sexta-feira à noite, depois de quatro horas ouvindo meu professor falar sobre Marx, precisava urgentemente de uma comédia. Vamos ver o que temos aqui… Eu ainda não vi esse filme da Missy com o Henry Fonda, parece bom. Foi mais ou menos assim que escolhi assistir Você me pertence, último filme da dobradinha Fonda-Stanwyck.

Lá pelas tantas já estava irritada com o enredo e com a mensagem clara que Você me pertence carregava: amor e trabalho, para uma mulher, não combinam. Só meu imenso amor por Barbara Stanwyck e a vontade de, mais uma vez escrever sobre esse assunto, me fizeram prosseguir com o filme.

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