Presente de grego (1987)

Presente de grego (1987)

Eu notei que nos últimos meses o Netflix tem desenterrado um monte de filmes aleatórios. Pensou em algum filme lado B com a Whoopi Goldberg dos anos 90 que você via na Sessão da Tarde? Pode apostar que está lá. Coisas que você nem lembrava que existia da década de 80? Também!

Um desses xuxuzinhos redescobertos foi a comédia Presente de grego, um daqueles filmes beeem yuppies dos anos 80. Temos uma Diane Keaton (que consegue me fazer assistir a algumas bombas só por sua digníssima presença) como uma mulher independente e workaholic – e dentro disso, um caminhão de estereótipos e ideias preconcebidas sobre esse perfil de mulher. Ok, ok, a gente bem sabe que é uma outra época, mas eu não consigo deixar meu eu lírico problematizador de fora, nem mesmo mais com clássicos da Old Hollywood. Mas, bem lá no fundo, Presente de grego (ou Baby Boom, no original), apesar dos clichês do gênero, consegue ter seus momentos divertidos.

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O clube das desquitadas (1996)

O clube das desquitadas (1996)

Anteontem, dia oito de março, foi o dia internacional da mulher. Muito mais do que receber flores, parabéns ou chocolates esse é um dia (e todos os outros 364 do ano também) para refletirmos à respeito de como Hollywood retrata as mulheres. Por que não vemos diretoras, roteiristas sendo indicadas ao Oscar? Por que mais atrizes negras não vencem o Oscar? Por que Patricia Arquette tem de discursar a favor de salários e direitos iguais (e seu discurso foi bem problemático, mas não vamos entrar nesse mérito por aqui) em 2015? Porque, amigx, a verdade é que ainda há um caminho muito comprido a ser percorrido pelas mulheres.

Queria ter escolhido um filme que emponderasse as mulheres, mas lá pelas tantas pensei que valeria mais a pena levantar problemas para que possamos pensar em como o cinema nos retrata. O clube das desquitadas é um de meus filmes favoritos e, como feminista, é duro ver alguns clichês repetidos à exaustão como mostrar que as mulheres são inimigas umas das outras e que a felicidade plena se baseia na escolha de alguém para passar o resto da vida com você.

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A era do rádio (1987)

A era do rádio (1987)
Agora tudo acabou. Exceto em minhas recordações. O cenário é Rockaway e a época é minha infância (…) perdoe-me se romantizo. A vizinhança onde cresci nem sempre era tão turbulenta e chuvosa, mas é assim que me lembro dela. Naquela época o rádio estava sempre ligado.

Nunca escondi por aqui o fato de ter Woody Allen como diretor favorito. Já contei antes em outros posts como Woody sempre parece ter a palavra certa no momento certo. Assim, pareceu certo usar meu aniversário, que aconteceu por esses dias, como desculpa para comprar o box com 20 filmes seus. Faz algum tempo que eu e o dito box de dvds nos observamos mutuamente na Saraiva, e agora, fico feliz em dizer, estamos em um relacionamento sério.

O negócio é que eu, como pregadora da Igreja Universal do Reino de Woody Allen  fã do diretor, já assisti antes boa parte dos filmes que vieram na caixa. Masss, felizmente, ainda restaram alguns que, por algum motivo ou outro, eu ainda não tinha visto. E agora estou nessa aventura maravilhosa de ver o que falta. E escolhi começar com A era do rádio, de 1987.

Um dos filmes mais ternos de Woody Allen, me lembrou, entre outras coisas, de como o diretor consegue tirar o melhor dos atores com quem trabalha. Além disso, acredito que esse é o filme mais autobiográfico da sua carreira. Por fim, Woody consegue que o espectador acabe por sentir saudades de uma época  que não viveu. Senhoras e senhores, Radio days!

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A Última Noite de Boris Grushenko (1975)

A Última Noite de Boris Grushenko (1975)

Amar é sofrer. Para evitar o sofrimento, um não deve amar. Mas então, um sofre por não amar. Portanto, amar é sofrer; não, amar não é sofrer, sofrer é sofrer. Ser feliz é amar. Ser feliz então é sofrer, mas sofrer te faz infeliz. Portanto, para ser infeliz, um deve amar, ou amar o sofrimento, ou sofrer de demasiada felicidade.

Uma mistura de Tolstói e Dostoiévsk (sobretudo de referências à Guerra e Paz e Os irmãos Karamazov, de onde Woody tirou  o nome do protagonista), questões existenciais, referências ao cinema de Ingmar Bergman e o humor físico de Buster Keaton, A Última Noite de Boris Grushenko (no original, Love and Death) é uma das grandes obras de Woody Allen, e o melhor da sua fase-pastelão dos anos 70. Além do mais, é a primeira fase da parceria frutífera com Diane Keaton, que comentei mais a fundo no post sobre Annie Hall. Aqui, Woody debocha da vida num geral, e faz rir com piadas e gags que surgem no ritmo de uma metralhadora.

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Alguém tem que ceder (2003)

Alguém tem que ceder (2003)

Como é engraçada essa relação com filmes. Eu os comparo com as pessoas às vezes: temos aqueles que não suportamos de maneira alguma, outros que até que vai e os que amamos de todo o coração. E a categoria mais importante dos filmes, aqueles que amamos tanto que chega a ser insuportável rever. Minha relação com Alguém tem que ceder é assim. Desde que o vi no cinema, no dia dos namorados do ano de 2003, com minha mãe, esse filme tem sofrido altos e baixos. Há épocas em que simplesmente me proíbo de vê-lo com medo dos efeitos colaterais. Épocas em que penso que nenhum personagem de cinema pode dizer tanto sobre mim quanto a Erica Barry encarnada por Diane Keaton em Alguém tem que ceder. E há outras épocas em que aceito que a carga emocional que ele me desperta é algo que precisa ser revivido, pelo bem da sétima arte, de vez em quando. Essa é minha ode a todos os românticos que leêm este blog. Alguém tem que ceder é sobre nós, que não temos medo de ceder quando necessário.

O leitor deve estar se perguntando o que faz desse filme algo tão poderoso que me faça passar épocas sem revê-lo. Primeiramente eu diria que Alguém tem que ceder está para os anos 2000 como Annie Hall estava para os anos 70.  Esqueça aquelas comédias românticas pastelonas, como bem lembrou a Camila em seu post sobre Annie Hall, onde o protagonista encontra a mocinha, eles se odeiam, se apaixonam loucamente e vivem felizes para sempre. Não. Porque embora os personagens de Jack Nicholson e Diane Keaton se odeiem e se amem depois, o final feliz não é algo que vem de bandeja nesse filme. Alguém tem que ceder utiliza fórmulas clássicas desse gênero de filme e cria uma história espetacular, cheia de reviravoltas e diálogos maravilhosos. É a comédia romântica com mais frases inteligentes e espirituosas por minuto que já vi! Alguém tem que ceder é um filme verdadeiro assim como seus personagens. E é aí que ele ganha nossos corações. Além daquele sofrimento todo ao som de música francesa.

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Noivo neurótico, noiva nervosa (1977)

Noivo neurótico, noiva nervosa (1977)
 
Me lembrei de uma velha piada. O cara vai ao psiquiatra e diz: ‘Doutor, meu irmão é louco. Ele acha que é uma galinha’. E o doutor diz: ‘Por que você não o interna?’. E o cara responde: ‘Eu até internaria, mas preciso dos ovos’. É mais ou menos o que sinto sobre relacionamentos. São totalmente irracionais, loucos e absurdos. Mas nós vamos aguentando porque precisamos dos ovos.
 

Diane Keaton e Woody Allen. The perfect match. Em minha opinião, é impossível falar sobre Annie Hall (me recuso a repetir o infame título brasileiro aqui), de 1977, sem falar na relação dos dois. Tudo que eles foram juntos está nesse filme.A comédia romântica moderna atingiu seu ápice aqui, em uma época muito apropriada, considerando a revolução que aconteceu no cinema americano nos anos 70. Chega dos romances protagonizados por pessoas perfeitinhas e com aquela divisão clara: amor à primeira vista, depois o casal se odeia, alguma coisa acontece, tudo se resolve e final feliz – pelo menos não mais por enquanto. Não na década revolucionária do cinema. Não se você quer ser cool. E Annie Hall é exatamente sobre isso; é o romance moderno. E pop.

Começou como uma versão atualizada das comédias sofisticadas dos anos 30 protagonizadas por Spencer Tracy e Katharine Hepburn; acabou sendo um dos maiores clássicos do gênero e um marco na carreira de Woody Allen.

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