The Barbara Stanwyck Show

The Barbara Stanwyck Show

Ontem, revendo o documentário sobre Pacto de sangue, alguém declarou que Barbara Stanwyck não era valorizada porque “não era uma Ava Gardner, uma Rita Hayworth”. Esse é o ponto. Foi justamente essa diferenciação que fez com que ela tivesse uma das carreiras mais longas que Hollywood já viu. Stany topava qualquer parada. Westerns? Ela topava. Comédias pastelão? Também. Assassinas, mães redentoras? Idem, idem.

No final dos anos 50, Missy embarcaria em uma trip muito louca chamada televisão.

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Bola de fogo (1941)

Bola de fogo (1941)

Bola de fogo (Ball of fire) é daqueles filmes em que a gente vive quase uma experiência extracorpórea. Tudo nos tira do chão: as atuações, o roteiro de Billy Wilder e Charles Brackett, a direção, o romance, o lelele de Barbara Stanwyck. Eu desafio você a NÃO gostar desse filme. Mais do que informar as curiosidades do filme e fazer grandes análises, hoje gostaria de contar um pouco do que senti assistindo Missy, Gary Cooper e Dana Andrews nessa comédia de Howard Hawks. Ou sobre como Bola de fogo arrancou meu coração fora.

A screw ball comedy foi um gênero de filme muito popular, que surgiu na época da Grande Depressão. Nos anos 40, ela vivia seu auge. O que você deve saber sobre este gênero: confusão. Essa é a palavra chave. O filme inteiro é (quase) sempre calcado em um mal entendido, no caso de Bola de Fogo temos uma personagem que está fugindo da polícia e se esconde na casa de um estudioso com a desculpa de ser cobaia para suas experiências linguísticas. A screw ball comedy chama a atenção pelo bate-bola-jogo-rápido. Como assim? Os personagens sempre têm uma resposta na ponta da língua, uma respostinha afiada, cheia de ironia. Às vezes é difícil acompanhar e processar o que eles estão dizendo. Quem viu Bola de Fogo há de concordar comigo que, de vez em quando, é difícil entender as ironias de Sugarpuss O’Shea. Alguns outros filmes desse gênero são Levada da Breca, resenhado pela Camila por aqui, Aconteceu naquela noite, As três faces de Eva etc etc etc.

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Chamas que não se apagam (1956)

Chamas que não se apagam (1956)

Olivia de Havilland e Errol Flynn. Ginger Rogers e Fred Astaire. Cary Grant e Kate Hepburn. Todo mundo (ou quase todo mundo) tem um casal preferido no cinema, o que carinhosamente chamamos de ship. Inclusive o fenômeno se alastrou tanto que até um verbo foi criado: shippar. Quando você shippa um casal (heterossexual ou não), tem que estar com o coração preparado para grandes emoções. Significa falar com a televisão enquanto vê os filmes, torcer pelo casal, surtar pelo casal, dormir e respirar aquele casal. Eu já disse que shippar desafia as leis da normalidade?

É claro que para essa festa eu cheguei mais do que atrasada. Fred MacMurray e Barbara Stanwyck foram chegando de mansinho em meu coração. Primeiro assisti Pacto de Sangue (já resenhei por aqui) e fiquei meses com o filme na cabeça. Depois reassisti, reassisti mais umas 9849 vezes antes de dormir e assim eles foram tomando o lugar vago de um ship de cinema clássico aqui neste coração de manteiga. Depois de quase enjoar de tanto ver Pacto, fui conhecer melhor a carreira de Stanwyck e qual não foi minha surpresa ao descobrir que:

a) existia um filme pré Pacto de Sangue estrelado pelos dois!

b) eles estrelaram no total quatro filmes juntos (Nossa Senhora do Ship, me dê a mão, cuida do meu coração)

c) os dois eram muito amigos, senão me engano ele fazia parte do grupo de amigos que escoltava Barbara nas festas depois de seu divórcio bafônico com Robert Taylor (que amigos, hein)

 

There’s always tomorrow, de 1956, é o último filme da dobradinha MacMurray-Stanwyck. É a maturidade da dobradinha, digamos assim. Aliás, correção: ultima dobradinha em um filme de Douglas Sirk. Sente só o que vem por aí.

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Indiscrição (1945)

Indiscrição (1945)

Uma das maiores atrizes da era clássica do cinema estaria completando 107 anos hoje. Com mais de 80 filmes no currículo, Stanwyck sofreu da mesma síndrome que atormenta Leonardo di Caprio: a Academia simplesmente não reconheceu seu talento. Foi indicada ao Oscar quatro vezes, todas por filmes lacradores, e não ganhou nenhum. Mais para o final de sua vida ganhou o prêmio Cecil B. De Mille, o Oscar honorário pelo conjunto da obra. A programação do canal americano, TCM , homenageia a diva exibindo filmes para todos os gostos. É aí que quero chegar.

Nas palavras de uma amiga minha: “ela canta, dança, sapateia, samba na cara”. E é verdade. Poucas atrizes conseguiam ser tão versáteis quanto ela. Fez drama (Stella Dallas – um filme para ver e rever), filme noir (lacradora como Phyllis, a vilã de Pacto de Sangue), suspense (Sorry wrong number, QUE FILME!) e muito mais. Nesta pequena homenagem a ela, falaremos sobre uma de suas facetas menos conhecidas, acredito: a comédia. Indiscrição (Christmas in Connecticut) é uma deliciosa surpresa tanto no quesito roteiro quanto atuações.

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Pelos bairros do vício (1962)

Pelos bairros do vício (1962)

Ou os homossexuais eram motivo de piada nos filmes ou simplesmente apagados. Não havia meio termo. De vez em quando, uma Greta Garbo dava um selinho em outra moça e Marlene Dietrich também, mas tudo fazia parte do burlesco, da arte, era só um momento. Não era assunto para um filme. O romance homossexual não era assunto de filme. Os anos 60 iriam derrubar, aos poucos é verdade, este muro de silenciamento.

Essa época foi um momento de incerteza para Hollywood. A era clássica estava terminando, não estava mais dando os mesmos lucros de antes, a televisão parecia o canal. Não é a toa que uma das protagonistas de Pelos bairros do vício partiu para a televisão depois desse filme, que fora o último de sua carreira no cinema. O fato é que estava difícil. Não foram só os atores e atrizes que envelheceram, mas o que chamamos de cinema clássico também. Era preciso reinventar antes que Hollywood fosse à bancarrota.

 

Infâmia (1961) de William Wyler abriu as portas para que o amor gay pudesse ser retratado no cinema. Você pode me dizer: “tudo bem, mas e Festim Diabólico de Hitchcock? Os protagonistas eram claramente homossexuais!”. Sim, só que o filme não foca o relacionamento deles; e sim o amigo assassinado e escondido por eles dentro de um baú. Aliás, os personagens homossexuais sempre eram depravados e maus. Ainda que Infâmia tenha aberto essa porta, as protagonistas tinham vergonha de sua sexualidade. Infelizmente Pelos bairros do vício também trabalha dessa forma. E isso os filmes demoraram a mudar. O importante é que, apesar dessas representações horrorosas, o amor gay está ali. A população LGBT existe e não será o silenciamento de Hollywood que anulará esse fato. Pelos bairros do vício mostra o amor homossexual, e o mais importante: uma atriz do calibre de Barbara Stanwyck intepretava uma das personagens gays. Como assim?

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Quando Descem as Sombras (1964)

Quando Descem as Sombras (1964)

Quando você sonha, penetra em outro mundo

onde tudo é estranho e terrífico, um mundo que só existe na noite.
Quando você sonha, você se transforma num caminhante noturno!

Dirigido por William Castle, esse thriller inesquecível estrelado por Barbara Stanwyck e Robert Taylor tem como roteirista ninguém menos que Robert Bloch (autor de Psycho) que era a aposta da vez para quem pretendesse produzir um filme do gênero. Em 1964, Barbara Stanwyck já voltara sua carreira para a televisão, onde fazia sucesso com o programa The Barbara Stanwyck Show. The Night Walker (Quando Descem as Sombras) é uma boa oportunidade de matar as saudades da estrela de Double Indemnity e Sorry, Wrong Number que soma ao currículo mais um suspense de causar arrepios!

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Pacto de Sangue (1944)

Pacto de Sangue (1944)

Considerado a quintessência do filme noir, Pacto de Sangue (Double Indemnity) é desses filmes que reúne todas as características desse gênero. Femme fatale? Tem. Anti-heroi? Tem. Fatalismo da vida? Também tem. Tudo isso conduzido por um roteiro inspirado em um dos maiores escritores noir: James M. Cain.


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