A Sombra de uma Dúvida (1943)

shadowofadoubt2“Hitchcock, desde o começo, parecia muito preocupado em não deixar o vilão
ser um clichê, de dar ao vilão muita personalidade e singularidade, ao contrário
do homem que enrosca o bigode.”
Peter Bogdanovich (cineasta)

A direção única de Hitchcock fez com que ele se destacasse nos anos 30, chegando ao ponto de seu filme “A Dama Oculta” ser considerado o filme britânico de maior sucesso realizado até então. Hollywood era só uma questão de tempo. Em 1939, ele assinou um contrato de sete anos com David Selznick e lançaria “Rebecca” no ano seguinte. Seu primeiro longa-metragem nos Estados Unidos recebeu um total de onze indicações a prêmios da Academia e acabou abocanhando o Oscar de Melhor filme. Rebecca foi o primeiro de váaarios tiros lançados por Hitch nos anos 40. Nosso post da semana trata-se de “A Sombra de uma Dúvida”, que segundo Patricia Hitchcock era o filme favorito de seu pai. Não é para menos, a gente concorda que “Shadow of a Doubt” é especial em muitos sentidos.

O filme está repleto das insinuações e tiradas de humor negro que tanto amamos no cinema de Hitchcock. Um dos fatores que o tornam especialmente sinistro é a inocência da personagem de Teresa Wright em contraste com um Joseph Cotten sem escrúpulos. Trazer o mórbido para o cotidiano se tornou uma das principais marcas do mestre do suspense. De repente, o lar tranquilo da família comercial de margarina é tomado por uma tensão que nos deixará vidrados até o desfecho final. Continue Reading…

Entre novela e filme: A Sucessora (1978) e Rebecca, a mulher inesquecível (1940)

Entre novela e filme: A Sucessora (1978) e Rebecca, a mulher inesquecível (1940)

A vida do fã é basicamente dar tiros no escuro e torcer para acertar o alvo. Ao me apaixonar por Nathália Timberg e seu trabalho eu sabia que venderia minha alma ao capitalismo em algum momento para comprar tudo que estava disponível sobre ela na internet. Cá estou nesta difícil jornada de descrever tudo que senti ao assistir aos 30 primeiros capítulos de A Sucessora, novela de 1978 estrelada por essa grande atriz.

Espera aí… mas isso daqui não é um blog sobre cinema? Por que então falar sobre novela? Qual é a lógica?

Tudo a ver, meus amigos, tudo a ver. Isso porque A Sucessora dialoga com um dos filmes mais célebres do cineasta Alfred Hitchcock: Rebecca, a mulher inesquecível.

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Contagem regressiva para o Oscar: o ano de 1955

Contagem regressiva para o Oscar: o ano de 1955
Ali estávamos, só nós dois. Foi terrível. O momento mais solitário da minha vida.
Se tem um ponto sensível na vida de quem gosta de cinema, relacionado ao Oscar, é a premiação da Academia de 1955. Até hoje muita gente se incomoda e defende com unhas e dentes o Oscar de Judy Garland. Não sei bem ao certo se sou uma dessas. E ainda me incomodo um pouco ao dizer isso, por causa de gente xiita, mas afirmo que tem coisa MUITO pior em relação ao Oscar (Gwyneth Paltrow, alguém?).

Mas, vamos por partes. Nem só de Grace Kelly surrupiando o Oscar da Judy vive a 27ª edição da premiação mais polêmica – e às vezes flopada – de todos os tempos. Teve todas aquelas coisas que sempre tem: gente bonita, falsidade, lindos vestidos, chapéus estranhos, gente com cara de bunda, e filme que merecia ganhar, ganhando.

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Contagem regressiva para o Oscar: o ano de 1941

Contagem regressiva para o Oscar: o ano de 1941
 Em plena Segunda Guerra, Hollywood vivia um momento We are the world, com uma série de filmes e ações numa espécie de esforço de guerra. Na 13ª edição do Oscar, que aconteceu no dia 27 de fevereiro de 1941, dentre outras coisas, teve o presidente Franklin D. Roosevelt discursando via rádio, Bette Davis num momento representante da turma, lacrando ao falar sobre a Guerra, ex-namorados ganhando prêmios, melhores amigos concorrendo na mesma categoria, gente fazendo a Katy Perry no banco do Grammy e, por fim, vencedores inesperados – e os mesmos esnobados de sempre.

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Os pássaros (1963)

Os pássaros (1963)

O camponês Nat ouve um barulho do lado de fora da janela de sua casa. Algo chocou-se contra ela. O inverno acabava de começar. Algo estava errado, um pássaro atirando-se contra a janela, mas o que é isso? Ninguém acredita em Nat, até que pássaros, essas criaturinhas bondosas e passivas, resolvem atacar uma cidade do interior da Inglaterra, causando pânico por onde passam. Assim é o plot inicial do conto da escritora britânica Daphne du Maurier (apesar desse nome que faz com que a gente pense que ela é francesa). Simples, não? Mas pense para adaptar para o cinema. Pensou? Difícil não? Não para Alfred Hitchcock.

 

Os pássaros foi um filme que cresceu muito dentro de mim. Como a maioria das pessoas, eu estava contaminada pelo germe Psicose, esperando algo muito mais grandioso a seguir. A primeira vez que o assisti confesso que fiquei bastante frustrada. Depois reassisti outras duas vezes e mudei completamente de opinião. Não só é um filme grandioso como um dos pioneiros em efeitos especiais da época. E além do mais, as fofocas e barracos envolvendo Hitchcock e a estrela do filme, Tippi Hedren, também alimentaram minha curiosidade a tal ponto que acabei comprando o livro que continha o conto que deu origem ao filme.

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Bates Motel

Bates Motel
Série da A&E inspirada no livro de Robert Bloch e no filme de Alfred Hitchcock. O plot é simples, o que aconteceu antes de Norman se tornar “psicótico”. Na verdade, é um tanto audacioso pensar “vamos pegar esse personagem que todos já conhecem e contar mais sobre ele!”Mais que um suspense, é uma série de ação. Os roteiristas dividem-se entre mergulhar na consciência de Norman e explorar os conflitos maternos e ainda criar novas situações de suspense para atrair espectadores. Esse é um dos grandes desafios, satisfazer a nostalgia dos fanáticos pela história original e também cativar outro público que não assistiu o filme e acompanha a série. Na época do lançamento estava empolgado e desconfiado, acredito que muitos fãs do “legado” do filme original desconfiam no que diz respeito as adaptações do seriado para a televisão. Então vamos falar de Bates Motel…

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Rebecca, a mulher inesquecível (1940)

Rebecca, a mulher inesquecível (1940)

Ontem a noite sonhei que voltava à Manderley.

Já eu, ontem a noite, executei uma das tarefas pendentes desde janeiro deste ano: reassistir Rebecca, a mulher inesquecível. Isso porque tive a chance de ler o livro durante as férias, o que gerou um amor tão grande pela autora, Daphne Du Maurier, que comprei mais dois livros seus (ambos adaptados para o cinema também, sabe-se lá quando poderei falar sobre eles). Além disso, havia o fator Joan Fontaine, Laurence Olivier também estava no elenco e tudo isso dirigido por nada mais nada menos que Hitchcock. Bora lá. Continue Reading…

Cinco filmes de James Stewart que você deveria ver

Cinco filmes de James Stewart que você deveria ver
I think he’s probably the best actor who ever hit the screen.
(Frank Capra)

Hollywood sempre foi um lugar onde as unanimidades são raras. Mas, um desses casos, sem dúvida nenhuma, é James Stewart. Um dos astros mais versáteis que o cinema produziu, Jimmy no início de sua carreira fixou no público a imagem do sujeito de bom coração,  trabalhador e honesto. Essa ideia que se tem dele condizia totalmente com a realidade; nunca houve alguém com algo ruim para dizer sobre ele. A carreira de James Stewart foi brilhante, com mais de oitenta filmes e trabalhos com grandes diretores como Alfred Hitchcock, John Ford e Frank Capra. Sua carreira teve duas fases: antes e depois da Segunda Guerra Mundial. A primeira é marcada por comédias românticas e personagens no melhor estilo Frank Capra. No entanto, Jimmy abandonou Hollywood temporariamente para ir à guerra. Esse acontecimento mudou totalmente a visão do ator, tornando sua atuação ligeiramente mais sombria, menos ingênua, digamos assim. Quem explorou essa nova faceta do astro, foi Alfred Hitchcock, com quem Jimmy fez quatro filmes.

Foi um desafio escolher cinco filmes estrelados por ele para recomendar. Eu já vi muitos filmes de Jimmy; nenhum que eu possa chamar de ruim. Deixei  fora propositalmente A felicidade não se compra,  de 1946, pois já escrevi sobre ele antes. Por fim, convido você a descobrir mais preciosidades da carreira desse grande astro. É garantia de nunca se decepcionar quando você quer algo realmente ótimo para assistir. Continue Reading…

104 anos de Alfred Hitchcock

104 anos de Alfred Hitchcock

Tãn tãn tãn tãn tããããããn. Você não sabe que música é essa até eu colocar a melodia em sua cabeça: música dos créditos iniciais de Psicose de Alfred Hitchcock. Lembrou? Aquela abertura assustadora, aquelas barras brancas cegando a tela preta. E os malditos violinos. Tãn tãn tãn tãããããn. Não tem ninguém que não conheça essa música, mesmo não tendo assistido ao filme. E o que dizer da música que toca durante o assassinato de Marion Crane (Janet Leigh)? Lembro do susto que levei ao estar sozinha no quarto, quase dormindo, quando o celular de um amigo começou a tocar. O toque era a tal música do assassinato de Marion. Meu Deus! Podia jurar que Norman Bates iria entrar com uma faca no quarto naquele momento. Levantei da cama e sai gritando pela casa. Até me dar conta de que era o celular, meu amigo já estava bem apavorado. Mas voltando aos filmes de Hitchcock: me parece incrível o alcance dos filmes desse homem.

O gordinho estaria completando 104 anos ontem. Escrever um post sobre essa figura tão especial do cinema é difícil. Poderíamos falar durante horas sobre as obras do mestre e, ainda sim, o assunto não esgotar. Minha primeira pergunta é: o que faz de Hitchcock um diretor tão aclamado? Alguns podem achar a resposta dessa pergunta muito óbvia. Dã, ele trabalhava com as melhores pessoas. Dã, ele era um gênio, alô? Tudo bem, concordo, mas refaço a pergunta: o que faz de Hitchcock tão aclamado nos dias de hoje? As pessoas que assistem Psicose pela primeira vez ainda levam um grande susto com o clímax do filme. Outras também ficam fascinadas pela criatividade do sonho psicodélico de James Stewart em Um corpo que cai. O 3D inunda as salas de cinema, mas as pessoas continuam chamando Hitch de “mestre do suspense” e por que, afinal? Para mim, existe um elemento chave em seus filmes: a história. A produção, os atores…. é tudo maravilhoso, mas sem uma boa história nada disso existiria.

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