Fúria sanguinária (1949)

Fúria sanguinária (1949)

This is the story of Ma Baker, the meanest cat from ol’ Chicago town!

Qual não foi a minha surpresa ao descobrir a ligação entre Ma Baker, canção do grupo Boney M, e Fúria sanguinária, quarto lugar na lista dos 10 melhores filmes de gângster do American Film Institute? Brace yourselves: Ma Baker é inspirada em Ma Barker, mãe de uma gangue de quatro criminosos dos anos 30, que inspirou  Ma Jarrett, a mãe do sanguinário Cody Jarrett, personagem principal de Fúria sanguinária. Parece complicado, não? Essas ligações entre a cultura popular e o cinema nunca param de me surpreender.

Fúria sanguinária foi o filme que fechou com chave de ouro a era de ouro da Warner Brothers. Além disso, carrega um tom de nostalgia justamente por reviver o gênero gângster, que elevou o estúdio ao posto de major nos anos 30.

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Chinatown (1974)

Chinatown (1974)

Forget it, Jake. It’s Chinatown.

Poucos filmes norte-americanos dos anos 70 casaram tão bem a nostalgia da Old Hollywood com nova geração de cineastas independentes quanto Chinatown. As câmeras Panavision, uma das grandes tecnologias do momento, caminhavam ao lado de uma história que poderia muito bem ter saído de um filme noir dos anos 40. Ou da mente de um Raymond Chandler, quem sabe.

Chinatown coroou a volta de Roman Polanski ao cinema, depois de quatro anos em Roma. Talvez muito de seus sentimentos em relação ao assassinato da esposa, Sharon Tate, estejam refletidos na atmosfera dura e por vezes confusa do filme. Considerado um dos grandes neo-noir do cinema, Chinatown também tornou-se famoso pelas tretas entre Faye Dunaway, uma das protagonistas, e o diretor. O Programa do Ratinho parece mais um programa infantil da Mara Maravilha dos anos 80 quando lembramos que a atriz jogou uma xícara de urina no rosto de Polanski.

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Anjo do mal (1953)

Anjo do mal (1953)

A Segunda Guerra Mundial influenciou a criação dos primeiros filmes noir dos quais temos conhecimento. No entanto, foi na época do pós-guerra que a produção desse estilo e gênero aflorou de fato. A guerra fria havia instaurado nos americanos o medo do comunismo, do outro e de uma guerra nuclear com a União Soviética. O cinema, como não poderia ser diferente, viu nesses acontecimentos uma oportunidade para contar novas histórias. Anjo do mal (Pickup on South Street) mistura realidade e ficção do jeitinho que só o diretor Samuel Fuller sabia fazer. Continue Reading…

Vida contra vida (1953)

Vida contra vida (1953)

Os anos 50 foram uma época difícil para as atrizes do cinema clássico que começaram suas carreiras no final dos anos 20 e início dos anos 30. A televisão erguia-se como um meio poderoso de comunicação, capaz de roubar a supremacia do cinema. Além disso, essas atrizes chegavam aos 40 ou 50 anos com o título de “velha demais para o papel X” tatuado no rosto. Um papel realmente bom tornou-se difícil, especialmente para as que não aceitavam fazer o papel da mãe da mocinha por exemplo. Não para Barbara Stanwyck. Essa canceriana, aniversariante de hoje, parece não ter se intimidado com o título de “velha” estampado em seu rosto. De mãe da mocinha até pistoleira-dona-dessa-merda-toda ela fez dos anos 50 um lindo período de sua carreira, em que trabalhou com nomes de peso como Samuel Fuller.

Vida contra vida (Jeopardy em inglês) é um exemplo feliz de como Missy conseguiu reinventar-se e reafirmar o título de uma das maiores atrizes do cinema clássico.

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Fuga do passado (1947)

Fuga do passado (1947)

Fuga do passado (Out of the past) talvez seja um dos filmes noir da RKO mais conhecidos do público. Geralmente esse estúdio se concentrava nos filmes noir do tipo B, no entanto Fuga do passado é uma dessas preciosidades do tipo A, que nada perdem para noirs dos grandes estúdios como Warner Brothers e MGM.

Foi este filme que elevou Robert Mitchum ao posto de “homem do noir“, ao lado de outros atores que ficariam consagrados nesse estilo. Além disso, Fuga do passado reafirma o talento de Kirk Douglas, que já nos deixara sem ar em O tempo não apaga; outro filme noir que certamente merece uma review por aqui.

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O destino bate à sua porta (1946)

O destino bate à sua porta (1946)

A expressão tocar fogo no cabaré me encanta. Já a utilizei diversas vezes por aqui, mas acredito que ela nunca se encaixou tão bem quanto para descrever os filmes noir. Riscar o fósforo e esperar as chamas consumirem as plateias mais conservadoras (e ávidas por sordidez ao mesmo tempo) é algo que esse gênero consegue realizar com eficácia. Em 1944, Barbara Stanwyck tocou fogo no cabaré ao aparecer só de toalha no alto de uma escada em Pacto de Sangue; em 1946 seria a vez de Lana Turner incendiar o público enquanto a câmera nos presenteia com uma preguiçosa visão de seu corpo em trajes de banho.

Idealizado pela galinha dos ovos de ouro do noir, James M.Cain, O destino bate à sua porta tem tensão sexual, corrupção, diálogos ácidos e valores que a sociedade norte-americana não estava nenhum pouquinho interessada em mostrar. Código Hayes de censura? Que código? Um beijo para o Código Hayes! *Claudete Troiano feelings*

Pois se o cinema norte-americano estava interessado, agora que a Segunda Guerra Mundial havia terminado, em mostrar um pouco de otimismo em seus filmes, O destino bate à sua porta faz tudo ao contrário. E o público adorava essa subversão.

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Laura (1944)

Laura (1944)

“No Hollywood clássico e Hollywood pós-clássico, eles decidiam por nós. Diziam quem era bonzinho, quem era mau. Preminger, não. Ele deixava o público decidir. E isso era muito sofisticado. Ele acreditava na inteligência do público.”
Dr. Drew Casper (USC Film Professor)

Muito antes de Laura Palmer de David Lynch, existiu o mistério em torno da morte de Laura Hunt, na trama de Otto Preminger, baseado no romance de Vera Caspary. Gene Tierney, Dana Andrews e Vincent Price estavam em ascensão, “Laura” é um daqueles projetos que marca um período memorável para todos que estiveram envolvidos. O elenco de gigantes conta ainda com Judith Anderson e Clifton Webb, que recebeu uma indicação ao Oscar por seu papel no filme. A produção foi indicada a cinco categorias da Academia, incluindo Melhor Roteiro e Melhor Diretor. Acabou faturando o Oscar pela incrível fotografia em preto e branco.

“Laura” é uma das principais referências do filme noir desde que o gênero voltou a ser popular e começou a ser estudado por jovens diretores nos últimos 30 anos. O clássico de Otto Preminger faz parte da primeira promoção do Cine Espresso, numa bela edição repleta de extras, lançada no Brasil pela Cinema Reserve.

Não foi somente Dana Andrews, Clifton Webb e Vincent Price que se apaixonaram por Laura. Nós amamos tudo que se refere ao filme, desde o elenco maravilhoso, o quadro icônico de Gene Tierney na cena do crime, até a primorosa direção de Preminger! Continue Reading…

A embriaguez do sucesso (1957)

A embriaguez do sucesso (1957)

 Se você adora a canção The lady is tramp, consagrada na voz de Frank Sinatra, provavelmente deve conhecer Walter Winchell de ouvido. I follow Winchell and read every line diz a letra. Pois esta pessoa foi uma das maiores colunistas de fofoca norte-americanas, dando espaço para que as Hedda Hoppers e Louella Parsons aparecessem depois. A fama é tão grande que ele foi inspiração para um conto e um filme!

 No aniversário de Walter Winchell, estaremos servindo A embriaguez do sucesso, um filme noir com um dialogo ácido e rápido, paisagens de tirar o fôlego e que fala sobre daquilo que corrompe o homem desde que o mundo é mundo: o sucesso.

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A carta (1940)

A carta (1940)

 He tried to make love to me and I shot him.

Talvez a primeira imagem marcante que tenho de Bette Davis seja a de seu rosto, num misto de loucura e coragem, após ter disparado contra um homem desconhecido na varanda de sua casa. Naquela época, eu dava meus primeiros passos como fã de Miss Davis e lembro da felicidade de ter finalmente comprado a edição de seu box, lançada pela Warner Brothers. A carta foi o primeiro filme dos quatro que integravam a coleção que assisti. Uau! Que belo começo! Você nunca mais esquecerá o rosto de Bette Davis (e tem como?) depois de assistir a esse filme.

Por quê? Porque temos trilha sonora de Max Steiner, amor, cinismo, ódio, atuações magníficas, affairs nos bastidores… tudo isso coroado pela mágica direção de William Wyler!

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Relíquia Macabra – O falcão maltês (1941)

Relíquia Macabra – O falcão maltês (1941)

No ABC do filme noir este filme é indispensável. Considerado o primeiro grande filme noir, Relíquia Macabra  é recheado de curiosidades e fatos improváveis. O romance entre Mary Astor e o diretor do filme, John Huston, e a pegadinha que John Huston aplicou em seu pai são alguns dos curiosos fatos que permeiam este clássico do noir. Mas acima de tudo, o filme deu as diretrizes para todos os detetives famosos que viriam a seguir. Sam Spade é o Sherlock Holmes do século XX e foi Bogart quem o imortalizou.

Recentemente tive a oportunidade de ler O falcão maltês, romance de Dashiel Hammett que inspirou o filme de John Huston. Eu já tinha assistido ao filme, há muito tempo atrás, e minha impressão não foi a melhor possível. Agora era uma questão de vida ou morte revê-lo depois de ter lido o livro. A surpresa não poderia ter sido mais positiva. O filme é tão fiel ao livro que chega a ser emocionante. Diálogos inteiros do livro foram colocados no filme, e se pensarmos que Howard Hawks disse a Huston que ele deveria “filmar o livro” isso faz todo o sentido. Porém, nossa intenção não é comparar livro e filme; e sim mostrar o que faz dele tão aclamado no mundo do noir.

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