A autobiografia de Jane Fonda e o elogio ao impecavelmente imperfeito

A autobiografia de Jane Fonda e o elogio ao impecavelmente imperfeito

Minha mãe não sabia que estava criando um monstro ao me dar de presente Carmen, uma biografia, trabalho sensacional do escritor Ruy Castro sobre a vida de Carmen Miranda. Depois de ler esse livro, eu simplesmente adentrei no mundo das biografias, que se tornaram meu gênero literário favorito. Tenho muitas biografias, muitas mesmo. Se eu gosto do artista, é provável que vá ler sobre sua vida, para ter aquele sentimento de “sou íntima de fulano”.

Ao longo destes dez anos de leitora voraz de biografias, pude perceber que esses livros seguem uma espécie de fórmula. Geralmente ou o artista é retratado como um santo ou é destruído pelo autor da obra. Quando o livro é autobiográfico, existe uma tentativa de endeusar a própria vida, negar alguns boatos e se redimir perante os fãs. Hoje, como futura historiadora, vejo isso como narrativas históricas com as quais temos de lidar. Não há uma verdade absoluta, é uma questão de ponto de vista, de lugar de fala. É nisso que precisamos prestar atenção.

Pelos motivos elencados acima, eu me achava preparada para o que leria em Jane Fonda: minha vida até agora. Porém, o que aconteceu foi um daqueles momentos de glória, únicos na vida, em que você está diante de algo completamente diferente, capaz de mudar sua vida. Jane Fonda toma tudo o que você conhece sobre autobiografias, joga fora e cria algo muito verdadeiro, e a única reação que poderíamos ter é chorar. Ah, como chorei baldes com esse livro.

Muito mais que uma narrativa autobiográfica, o livro nos ajuda a entender nossas experiências enquanto mulheres no mundo. Talvez o seu maior bônus seja a aproximação que Jane faz com as leitoras. Ela mostra que você não está sozinha, que seus sentimentos não são inválidos e ainda reflete sobre os motivos pelos quais “traímos nós mesmas”.

Você achou que nunca leria uma autobiografia feminista? Pois essa daqui é – e muito!

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Eu sou Ingrid Bergman (2015)

Eu sou Ingrid Bergman (2015)

Poucas coisas na vida me emocionam tanto quanto assistir a um filme no cinema. Quando a luz apaga, é como se todos os meus problemas ficassem lá fora e eu tivesse um encontro, um encontro só meu, com alguém de que gosto muito. Dessa vez, voltei de um encontro com uma das primeiras pessoas que me apresentou ao cinema clássico: Ingrid Bergman.

Como muitas pessoas nesse mundão sem porteira, Casablanca foi um dos primeiros clássicos aos quais assisti. E, depois de chorar baldes com o amor entre Ilsa e Rick, a palavra “cinema” tomou outro significado para mim. As imagens eram um deleite para mim, fascinavam-me. Às vezes, se um filme estava ruim, eu gostava de prestar atenção aos movimentos, às imagens, aos cenários. É como se eles reproduzissem uma época especial, um tempo que ficou cristalizado ali. Eu sou Ingrid Bergman cristaliza a vida da atriz através de filmagens caseiras e fotografias nunca vistas antes.

O resultado é um documentário belíssimo e por vezes melancólico, que nos deixa com o choro engasgado.

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Audrey & Bill: an affair to remember

Audrey & Bill: an affair to remember

She was the love of my life.

He’s my guardian angel, the most handsome man I’ve ever met.

Uma vez a Jess comentou aqui no blog sobre o quanto de tristeza e tragédia se esconde por trás dos sorrisos das estrelas de Hollywood. De imediato, lembrei de vários casais que não deram certo, por um motivo ou outro. O meu favorito nesse quesito “casal que nunca foi” é aquele formado por Audrey Hepburn e William Holden, casal, aliás, desconhecido por muita gente.

Audrey e Bill se conheceram no set de Sabrina, em 1954, ficaram amigos, começaram um caso, e sofreram juntos com o desprezo de Humphrey Bogart. Mas eles se amavam loucamente e não estavam nem aí. Tudo parecia se encaminhar de um divórcio da esposa de Bill para um casamento feat uma penca de filhos. Só parecia…
Porque deu ruim.

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Momento Hedda Hopper: O causo Barbara Stanwyck e Robert Taylor

Momento Hedda Hopper: O causo Barbara Stanwyck e Robert Taylor

Eles jantavam juntos na casa dela ao som de Benny Goodman. Para ele, ela era a melhor professora da vida que ele já teve, a greater “pro”. Ela tinha acabado de sair de um casamento/relacionamento abusivo e não queria ser vista ao lado dele. Eles jantavam ao lado de Joan Crawford e Franchot Tone. Eles eram nada mais nada menos do que Barbara Stanwyck e Robert Taylor.

Missy e Bob (seus respectivos apelidos) foram casados durante 12 anos, quase se separaram por causa da atriz Lana Turner e teriam explodido a Internet se ela existisse nos anos 40. Só se falava neles! Bob, um ator que despontava na MGM, e Missy, a mais recente divorciada do pedaço, saindo para jantar e dançar.

Como um dos casais mais famosos de Hollywood se conheceu? Em que circunstâncias? Continue Reading…

Parabéns Joan Crawford (1905-1977)

Parabéns Joan Crawford (1905-1977)
Hoje celebra-se Lucille Fay LeSueur. Nascida em 23.03.1905, iniciou sua brilhante carreira na década de 20, ainda no cinema mudo onde apareceu em diversos filmes, alguns inesquecíveis como O Monstro do Circo, de Tod Browning. Mais tarde, a jovem, doce (e belíssima!) caiu nas graças de todo o mundo estrelando filmes românticos com Clark Gable, que aliás alcançou o estrelato impulsionado por ela. Joan Crawford revelou-se uma dançarina carismática e competente no maravilhoso “Dancing Lady” de 1933. O que difere Joan Crawford de outras atrizes é que o trabalho era sua prioridade, ela dedicou sua vida, quase que inteiramente para o show business. Sempre fez questão de ter uma relação próxima com os fãs e responder suas correspondências, era muito grata pela posição que alcançou. Todos que trabalharam com ela, a definem como extremamente profissional e perfeccionista. Me parece que mais que qualquer adjetivo, Joan Crawford foi uma perfeccionista.

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Cinco filmes de James Stewart que você deveria ver

Cinco filmes de James Stewart que você deveria ver
I think he’s probably the best actor who ever hit the screen.
(Frank Capra)

Hollywood sempre foi um lugar onde as unanimidades são raras. Mas, um desses casos, sem dúvida nenhuma, é James Stewart. Um dos astros mais versáteis que o cinema produziu, Jimmy no início de sua carreira fixou no público a imagem do sujeito de bom coração,  trabalhador e honesto. Essa ideia que se tem dele condizia totalmente com a realidade; nunca houve alguém com algo ruim para dizer sobre ele. A carreira de James Stewart foi brilhante, com mais de oitenta filmes e trabalhos com grandes diretores como Alfred Hitchcock, John Ford e Frank Capra. Sua carreira teve duas fases: antes e depois da Segunda Guerra Mundial. A primeira é marcada por comédias românticas e personagens no melhor estilo Frank Capra. No entanto, Jimmy abandonou Hollywood temporariamente para ir à guerra. Esse acontecimento mudou totalmente a visão do ator, tornando sua atuação ligeiramente mais sombria, menos ingênua, digamos assim. Quem explorou essa nova faceta do astro, foi Alfred Hitchcock, com quem Jimmy fez quatro filmes.

Foi um desafio escolher cinco filmes estrelados por ele para recomendar. Eu já vi muitos filmes de Jimmy; nenhum que eu possa chamar de ruim. Deixei  fora propositalmente A felicidade não se compra,  de 1946, pois já escrevi sobre ele antes. Por fim, convido você a descobrir mais preciosidades da carreira desse grande astro. É garantia de nunca se decepcionar quando você quer algo realmente ótimo para assistir. Continue Reading…

Frank & Ava: belos, famosos e auto-destrutivos

Frank & Ava: belos, famosos e auto-destrutivos

Em 1955, Frank Sinatra cantava, em um dos discos mais tristes e depressivos da história, os seguintes versos:

In the wee small hours of the morning
That’s the time you miss her most of all

 

O álbum, que levou o nome da canção acima (In the wee small hours), foi um dos primeiros álbuns conceituais da história, pois todas as músicas giravam em torno do tema de um cara que perdeu sua garota, e agora ele não faz nada além de choramingar pelos cantos. Na verdade, na época, esse era o clima que dominava a mente de Sinatra, já que ele mesmo tinha vivenciado essa situação recentemente. E não foi nada fácil, já que a senhora em questão era, nada mais, nada menos do que Ava Gardner, a sedutora e destruidora de lares corações Ava, o grande amor da vida dele.

Mas, se ela foi ~a alma gêmea~ de Ol’ Blue Eyes (e ele, a dela), por que os dois não ficaram juntos?

Amores duradouros são difíceis em Hollywood. Ainda mais para quem sofre da síndrome de Burton and Taylor: quando se ama tanto, mas tanto, que se acaba odiando o outro. Foi o caso de Frank e Ava, a história de amor, ódio, música, filmes, toureiros e traição que quase levou a carreira de Sinatra para o brejo – e Ava para o topo.

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As comédias de Rock Hudson & Doris Day

As comédias de Rock Hudson & Doris Day

Em 1959 Rock estava no auge da popularidade, depois de estrelar romances do Douglas Sirk ou o inesquecível Assim Caminha a Humanidade. Ele sempre foi um admirador de Doris, mas quando leu o roteiro de Confidências à Meia-noite suspeitou que “uma comédia seria muito mais difícil de representar do que um drama”. Doris Day e seu marido Marty Melcher tiveram que convencê-lo. Os três filmes que realizaram juntos fizeram sucesso, caçoavam das convenções sociais e eram muito sugestivos! Doris e Rock eram opostos, ele era bronzeado e gigantesco e ela loira e vulnerável, as revistas de cinema publicavam exaustivamente sobre a química e a descarga elétrica que existia entre os dois na tela grande. Consegue sentir as faíscas?

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Walt nos bastidores de Mary Poppins (2013)

Walt nos bastidores de Mary Poppins (2013)

Em uma época em que não existia 3D, Mary Poppins foi talvez A sensação de 1964. Não era a primeira vez em que os estúdios Walt Disney reuniam animação e pessoas de verdade – os filmes de Zé Carioca e as irmãs Miranda foram os pioneiros -, mas esse tinha um toque a mais. Pegue a doçura de Julie Andrews, as palhaçadas de Dick Van Dyke e misture com uma pitada de um romance que nunca existiu. Agora adicione músicas e danças a uma colher de uma história muito bem contada. Depois que você assiste Mary Poppins é supercalifragilisticexpialidocious!

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Kate & Spence: “um sentimento ímpar”

Kate & Spence: “um sentimento ímpar”
Amor não tem nada a ver com o que você espera obter, mas apenas com aquilo que você espera dar, o que vem a ser tudo. (…) Eu amei Spencer Tracy. Ele, os interesses dele e as exigências dele estavam em primeiro lugar. Isso não foi fácil, porque definitivamente eu era do tipo ‘eu-eu-eu’. Foi um sentimento ímpar o que tive por S. T.
Esse ano tive, finalmente, a oportunidade de ler a autobiografia de uma das minhas atrizes favoritas de todos os tempos, Katharine Hepburn. Sempre a admirei por sua atuação e tinha uma vaga noção de sua personalidade de leituras que fiz aqui, ali e em todo lugar. No entanto, “Eu: histórias de minha vida” me surpreendeu por não ser uma biografia convencional. Bom, não deveria ser surpresa: a autora da biografia não poderia ser menos convencional. Kate traz histórias maravilhosas de uma vida brilhante, com seus altos e baixos, mas o que mais me marcou ao final da leitura foi, sem dúvidas, o amor desmedido que ela sentia por Spencer Tracy, e que rendeu uma das histórias mais marcantes de Hollywood. Amor desinteressado, amor incondicional; eis a lição que Hepburn me ensinou.

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