O sinal da cruz (1932)

O sinal da cruz (1932)

Uma mulher tomando banho de leite. Orgias. Insinuação LGBT. Cenários de tirar o fôlego. Pelas palavras escolhidas, você provavelmente pensou que eu estaria descrevendo algum filme da atualidade. Mas não. Estamos falando de O sinal da cruz, produção de 1932, dirigida por Cecil B. DeMille.

Para os defensores da moral e dos bons costumes, esse épico foi o que faltava para a criação de um código que ditava o que podia e o que não podia em Hollywood, o tão famoso Código Hayes, do qual sempre estamos falando por aqui. Para os não apreciadores de filmes épicos (como eu), foi uma surpresa muito feliz. A ousadia e a alegria nunca foram tão levados a sério nessa trama que retrata o período em que cristãos eram perseguidos em Roma.

Foi com O sinal da cruz que Cecil B. DeMille mandou um beijinho no ombro aos que achavam que ele estava acabado enquanto diretor e produtor.

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A autobiografia de Jane Fonda e o elogio ao impecavelmente imperfeito

A autobiografia de Jane Fonda e o elogio ao impecavelmente imperfeito

Minha mãe não sabia que estava criando um monstro ao me dar de presente Carmen, uma biografia, trabalho sensacional do escritor Ruy Castro sobre a vida de Carmen Miranda. Depois de ler esse livro, eu simplesmente adentrei no mundo das biografias, que se tornaram meu gênero literário favorito. Tenho muitas biografias, muitas mesmo. Se eu gosto do artista, é provável que vá ler sobre sua vida, para ter aquele sentimento de “sou íntima de fulano”.

Ao longo destes dez anos de leitora voraz de biografias, pude perceber que esses livros seguem uma espécie de fórmula. Geralmente ou o artista é retratado como um santo ou é destruído pelo autor da obra. Quando o livro é autobiográfico, existe uma tentativa de endeusar a própria vida, negar alguns boatos e se redimir perante os fãs. Hoje, como futura historiadora, vejo isso como narrativas históricas com as quais temos de lidar. Não há uma verdade absoluta, é uma questão de ponto de vista, de lugar de fala. É nisso que precisamos prestar atenção.

Pelos motivos elencados acima, eu me achava preparada para o que leria em Jane Fonda: minha vida até agora. Porém, o que aconteceu foi um daqueles momentos de glória, únicos na vida, em que você está diante de algo completamente diferente, capaz de mudar sua vida. Jane Fonda toma tudo o que você conhece sobre autobiografias, joga fora e cria algo muito verdadeiro, e a única reação que poderíamos ter é chorar. Ah, como chorei baldes com esse livro.

Muito mais que uma narrativa autobiográfica, o livro nos ajuda a entender nossas experiências enquanto mulheres no mundo. Talvez o seu maior bônus seja a aproximação que Jane faz com as leitoras. Ela mostra que você não está sozinha, que seus sentimentos não são inválidos e ainda reflete sobre os motivos pelos quais “traímos nós mesmas”.

Você achou que nunca leria uma autobiografia feminista? Pois essa daqui é – e muito!

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Três filmes essenciais estrelados por Eva Wilma

Três filmes essenciais estrelados por Eva Wilma

Não é segredo para ninguém o quanto estou apaixonada por Eva Wilma. Como bons fãs sabem, quando gostamos de algo, varremos a internet atrás de elementos que possam alimentar a paixão por um artista. No caso de Eva, a notícia boa é que não apenas temos diversos filmes para guardar no coração, como a maioria está disponível na internet!

O interessante em relação à Eva Wilma é que muitos de seus filmes misturam-se com a história do cinema brasileiro. Podemos dizer que a atriz passeou entre inúmeros gêneros cinematográficos, da nouvelle vague brasileira às comédias pornochanchada. Ela nos deixou um gostinho de quero mais em relação a seus filmes, você fica pensando o que teria acontecido se ela tivesse sido escolhida para estrelar Topázio de Alfred Hitchcock. Sim, você não leu errado, Eva Wilma fez um teste com o mestre do suspense no final dos anos 60. Será que teríamos uma carreira mais longa no cinema brasileiro se ela tivesse conseguido? Nunca saberemos.

O fato é que, realmente, existe um vácuo no que diz respeito às atrizes brasileiras. Nós simplesmente não conhecemos nossas divas, mulheres que levaram nossos filmes para fora do Brasil, que fizeram com que eles fossem adorados no estrangeiro. Certamente Eva Wilma é uma dessas atrizes. A única cópia de um de seus filmes, O quinto poder, pertence a um festival de cinema estrangeiro. É mole?

No intuito de retirar o véu que encobre os filmes brasileiros, hoje selecionamos três filmes indispensáveis da carreira de Eva Wilma. Alguns estão disponíveis no You Tube, então é só correr para o abraço!

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Mulher (1997/1998)

Mulher (1997/1998)

Sempre subestimo minha capacidade de me apaixonar novamente por uma artista e simplesmente sair correndo para ver tudo o que ela fez nesta vida. Pois a grande dama que conquistou meu coração desta vez chama-se Eva Wilma.

Semana passada fui assisti-la pela primeira vez no teatro e saí de lá apaixonada. Quando digo aos meus amigos que queria me deitar no palco e pedir para que ela fizesse tudo comigo, eu não estou brincando. Há muito tempo não experimentava sensações tão fortes em relação a uma história, a uma obra artística. Parecia que, naquele momento em que ela estava representando na minha frente, eu redescobri que tinha um coração batendo dentro de mim. Por isso, quando a peça terminou, não sabia direito o que fazer. Eu sentia aquele coração batendo no meu peito, tão forte. Infelizmente, a sensação evaporou rapidamente, fazendo com que eu tivesse uma única certeza: precisava muito sentir o coração novamente. Muito. E o único jeito era ter a atuação monstruosa dessa atriz desenrolando-se bem em frente a mim. Começava a busca incessante, à la Sherlock Holmes, pela próxima produção de Eva Wilma que arrancaria meu coração fora.

Por que fiquei tão surpreendida ao constatar que a segunda produção que estou vendo com Eva Wilma é super feminista? A resposta é lógica: uma série como Mulher jamais seria exibida na televisão de 2016. Ela só poderia ser fruto do fim dos anos 1990.

(e porque acho que ela estava predestinada a mim, é claro!)

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Eu sei o que aconteceu a Baby Jane

Eu sei o que aconteceu a Baby Jane

Quando Harry Potter and the Cursed Child foi finalmente anunciado, minhas melhores amigas (e revisoras do Cine Espresso) ficaram muito eufóricas com a possibilidade de assistir algo que elas amavam tanto pela primeira vez no teatro. Embora eu tivesse ficado muito contente por elas, não entendia de verdade a dimensão de algo que forma o seu caráter “estar de volta” e causar os mesmos frissons adolescentes de 10 e tantos anos atrás. Até que um belo dia tomei conhecimento de que O que terá acontecido a Baby Jane?, um dos filmes que formou meu caráter como cinéfila, seria adaptado para palcos brasileiros. Aí, meus senhores, eu senti na pele os arrepios ao olhar uma simples foto dos ensaios ou ao assistir à coletiva de imprensa com o diretor e o elenco.

E, depois de ter tido a oportunidade de assistir a essa adaptação teatral na primeira fila, tentarei descrever um pouco do que senti ao ver Eva Wilma e Nicette Bruno representando as personagens tão consagradas por Bette Davis e Joan Crawford.

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Fúria sanguinária (1949)

Fúria sanguinária (1949)

This is the story of Ma Baker, the meanest cat from ol’ Chicago town!

Qual não foi a minha surpresa ao descobrir a ligação entre Ma Baker, canção do grupo Boney M, e Fúria sanguinária, quarto lugar na lista dos 10 melhores filmes de gângster do American Film Institute? Brace yourselves: Ma Baker é inspirada em Ma Barker, mãe de uma gangue de quatro criminosos dos anos 30, que inspirou  Ma Jarrett, a mãe do sanguinário Cody Jarrett, personagem principal de Fúria sanguinária. Parece complicado, não? Essas ligações entre a cultura popular e o cinema nunca param de me surpreender.

Fúria sanguinária foi o filme que fechou com chave de ouro a era de ouro da Warner Brothers. Além disso, carrega um tom de nostalgia justamente por reviver o gênero gângster, que elevou o estúdio ao posto de major nos anos 30.

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Quatro referências cinematográficas em novelas mexicanas

Quatro referências cinematográficas em novelas mexicanas

Não faça essa cara de como assim novela no Cine Espresso? porque eu sei que você, assim como eu, cresceu assistindo às novelas mexicanas que passavam no SBT. Antes de eu conhecer a internet e o cinema clássico, tive meus momentinhos de assistir um milhão de vezes às produções da Televisa, estrelando Thalia, Gabriela Spanic e Victoria Ruffo.

Recentemente, após recomeçar a rever A madrasta, uma novela que chegou muito perto do sucesso que A usurpadora fez no México e no mundo, comecei a notar quantas referências cinematográficas permeiam essas tramas. Hoje trazemos cinco referências que, com certeza, farão você enxergar essas histórias açucaradas de outra maneira. Afinal, já dizia Chacrinha: “Nada se cria, tudo se copia”. Continue Reading…

Uma noite no Rio (1941)

Uma noite no Rio (1941)

Quando Carmen Miranda foi para os Estados Unidos, inicialmente para trabalhar para Lee Shubert, ninguém imaginava que ela seria uma mina de ouro para os estúdios de cinema, muito menos a imagem mais poderosa (e contraditória) do Brasil no estrangeiro. A pequena notável, como era carinhosamente chamada, migrou facilmente para o cinema, pois era uma imagem deveras peculiar para ficar de fora de Hollywood. Das boates, Carmen foi parar nos estúdios da Fox, e ali sua persona foi consolidada: a latina burra, a latina que falava mal inglês. Brasileira nunca, latina sim, pois os Estados Unidos acreditam que tudo que está abaixo do umbigo deles é a mesma coisa.

O fascínio que as pessoas tinham em relação à Carmen, um exotismo quase colonizador, tornou possível o seu sucesso em Hollywood. Quem não queria ver aquela mulher pra lá de elegante, com aquele traje super exótico de baiana, remexendo os quadris e cantando? Os estúdios da Fox captaram imediatamente os cifrões que Carmen poderia lhes trazer e a contratou para trabalhar como atriz. O resultado, quase 50 anos depois, é quase o mesmo do provocado nos anos 40: as pessoas continuam fascinadas pela imagem de Carmen Miranda. Eu confesso que sou fascinada por ela desde os 15 anos, quando ganhei de presente de aniversário a biografia dela, escrita por Ruy Castro.

Uma noite no Rio é o segundo filme de Carmen em Hollywood e apresenta melhoras sensacionais se compararmos a sua estreia em Hollywood, em Serenata Tropical. O enredo melhorou? Melhorou. Os atores coadjuvantes melhoraram? Ah, com certeza. O retrato do Brasil melhorou? NÃO!

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Marseille (2016)

Marseille (2016)

Confesso que eu cheguei com um mês de atraso a esta festa chamada Marseille. Foi através da Patrícia, nossa colega de Cine Espresso, que tomei conhecimento da primeira série francesa da Netflix. Até aquele momento, a série tinha passado batida por mim, mas aí duas palavrinhas mágicas foram ditas, e eu mudei de ideia na hora: Gérard Depardieu. Eu poderia passar horas enumerando atrizes francesas que são como rainhas para mim, mas rei é só um, e ele se chama Gérard Depardieu. Poucos atores franceses tem o calibre desse senhor. Um cara que trabalha diversas vezes com Catherine Deneuve e Fanny Ardant tem todo meu respeito como ator ( como pessoa não, afinal ele sonega imposto na França ). E foi por causa desse respeito que decidi assistir a Marseille.

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Como eliminar seu chefe (1980)

Como eliminar seu chefe (1980)

Se hoje as feministas ainda são taxadas de loucas, imagine na década de 80. Passado os anos 60 e 70, momentos chave para o movimento feminista, Hollywood começava, aos poucos, a incorporar essa temática em seus filmes. Ainda que a palavra feminista não fosse claramente pronunciada nos filmes, as temáticas estavam lá. Das mães solteiras interpretadas por Gena Rowlands, Ellen Burstyn e Diane Keaton à ativista estudantil de Barbra Streisand em O nosso amor de ontem. No entanto, todas essas personagens eram uma versão limpinha e polida da feminista louca, queimadora de sutiã e não depilada. Versões que o cinema de massa poderia engolir facilmente.

Como eliminar seu chefe, infelizmente, continua a safra de filmes com temáticas ligadas ao feminismo facilmente digeríveis. A diferença é que ele faz isso depois de muito sambar na nossa cara, mostrando a opressão sofrida pelas mulheres no ambiente de trabalho.

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