Dez filmes com Rock Hudson que talvez você não tenha assistido

Dez filmes com Rock Hudson que talvez você não tenha assistido

Se estivesse vivo, Rock Hudson estaria completando hoje 91 aninhos de idade. O astro colecionava bons amigos na Era de Ouro do cinema e foi anfitrião de festas inesquecíveis na sua casa em Beverly Hills. A residência era conhecida como “O Castelo” e frequentada por estrelas como Elizabeth Taylor, Paul Newman, Judy Garland, entre outros.

Muitos questionam suas habilidades ou limitações como ator, mas seu carisma parece ser unânime e dificilmente você escutará qualquer história de Rock sendo rude com quem quer que seja. Aquele sorriso encantador o acompanhou por toda a vida.

Quando temos um ídolo, afirmo também por minhas parceiras aqui do blog, não nos contentamos somente em conhecer seus maiores clássicos. É necessário correr atrás de biografias, assistir documentários e caçar os filmes mais aleatórios que nossa estrela favorita tenha feito antes de emplacar ou aqueles que fizeram para a TV quando a carreira no cinema já não estava essa Coca toda.

Rock Hudson é um dos maiores galãs old-fashion-way que Hollywood já produziu. Já falamos sobre alguns dos romances que ele fez com Douglas Sirk (Tudo Que o Céu Permite, Seu Único Desejo), as comédias românticas com Doris Day, a tentativa de mudar o rumo de sua carreira em “O Segundo Rosto” e quando se uniu a outros astros da Golden Age em um filme dos anos 1980, o suspense “A Maldição do Espelho”.

Dessa vez, fizemos uma listinha de filmes com Rock Hudson que não são tão conhecidos quanto “Pillow Talk” ou “Assim Caminha a Humanidade”. Um mergulho de cabeça na carreira desse lindo. Bora relembrar a carreira dele com a gente?

Segura que hoje é dia de ROCK no Cine Espresso, bebê!hasanybodyseenmygal2
1952 – Sinfonia Prateada (Has Anybody Seen My Gal)

Lançado em 1952, “Sinfonia Prateada” (Has Anybody Seen My Gal) é o primeiro entre os diversos filmes dirigidos por Douglas Sirk com Rock Hudson em um papel de destaque, quando ele ainda era um ator inexperiente na Universal. A trama se passa nos anos 20, quando Samuel Fulton (Charles Coburn) decide deixar sua fortuna para a família da única mulher que amou, mas antes disso resolve alugar um quarto na casa dos Blaisdell para se assegurar de que eles não gastarão o dinheiro de forma errada. Uma comédia deliciosa, com a típica família americana como pano de fundo.

Piper Laurie (“Carrie, A Estranha” e “Twin Peaks”) é o par romântico de Rock e eles arriscam até alguns passos de dança numa sequência hilária! Um ano depois, os dois trabalharam juntos novamente em “The Golden Blade”. James Dean aparece como figurante numa lanchonete em “Sinfonia Prateada”, e quem assistiu ele e Rock nesse filme jamais poderia imaginar que estrelariam o clássico “Assim Caminha a Humanidade“, de George Stevens, quatro anos depois.

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1953 – Bando de Renegados (The Lawless Breed)

Nos anos 30, 40 e 50 muitos atores precisavam trabalhar seis dias por semana para cumprirem o contrato com os estúdios que faziam com que suas estrelas lançassem vários filmes por ano. Só em 1953, Rock protagonizou seis filmes e foi narrador em outro, totalizando sete produções. A Universal costumava treinar atores inexperientes para fazer filmes menores (B movies) para que estivessem preparados para quando os “peixes grandes” aparecessem. “The Lawless Breed” (Bando de Renegados, no Brasil) foi o primeiro de três filmes dirigidos por Raoul Walsh e protagonizados por Rock Hudson em 1953.

“Bando de Renegados” é um faroeste ambientado no Texas e foi inspirado na história real de John Wesley Hardin, um dos mais rápidos atiradores de todos os tempos. Na trama, Wes (Rock Hudson) decide abandonar os livros de direito e deixar a casa do pai, um missionário religioso que condena o estilo de vida do filho que sempre gostou de atirar e ganha dinheiro com jogos de baralho. Inicialmente, Wes só quer ganhar dinheiro o suficiente para comprar uma fazenda e viver com Jane, um amor da infância. Só que graças a uma briga de bar, acaba disparando e matando Gus Hanley e é perseguido por seus três irmãos que querem vingar a morte do falecido. Em meio a essa confusão, Wes se apaixona pela dançarina Rosie (Julia Adams) e os dois precisarão enfrentar toda a adversidade se esperam ficar juntos.

Com uma linda fotografia em technicolor, esse western possui várias sequências de perseguição. Julia Adams e Rock Hudson funcionam muito bem juntos: os dois já haviam trabalhado em “Império do Pavor” em 1952, fizeram “Bando de Renegados” em 1953 e voltaram a contracenar juntos dois anos depois em “Seu Único Desejo”, filme que já comentamos por aqui. “The Lawless Breed” é uma oportunidade de assistir Rock numa performance bem crua (RAW AS FUCK!), quando ainda estava começando.

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1953 – Gigantes Em Fúria (Sea Devils)

“Sea Devils” (Gigantes em Fúria, no Brasil) é o segundo dos três filmes dirigidos por Raoul Walsh e protagonizados por Rock Hudson em 1953. As filmagens ocorreram nas ilhas do Canal da Mancha (as Channel Islands), na Inglaterra. Rock fazia tantos filmes por ano no começo de sua carreira que, durante uma entrevista para a TV inglesa em 1984, conta que o primeiro filme que gravou em Londres se chamava “Sea Devils”, mas que não se lembra do que se tratava. A entrevista tem diversos momentos hilários e você pode assistir CLICANDO AQUI.

A produção é baseada no romance de Victor Hugo “Toilers of the Sea” e conta ainda com a estupenda Yvonne de Carlo. Rock e Yvonne já haviam trabalhado juntos em “Anjo Escarlate” e funcionam perfeitamente como par romântico. Aliás, tem como não haver química unindo esses dois?

A trama se passa no ano de 1800, quando o jovem Gilliatt (Rock Hudson) se encarrega de levar a bela Droucette (Yvonne De Carlo) para a França, para que ela possa resgatar seu irmão da guilhotina. Na verdade, Droucette é uma espiã inglesa a caminho da França, com a difícil missão de descobrir os planos de Napoleão, que pretende invadir a Inglaterra. Gilliatt e Droucette se apaixonam, mas graças a um mal entendido, ele se sente traído ao acreditar que ela está do lado dos franceses.

Nós só estranhamos a falta do sotaque britânico nos personagens, RYSOS. De qualquer forma, Gigantes em Fúria é um ótimo filme de aventura, com algumas reviravoltas e nos reserva bons momentos de tensão!

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1954 – Herança Sagrada (Taza, Son of Cochise)

CHEGOU A HORA DE PASSAR VERGONHA. O que seria de uma lista sem um micão, não é mesmo? Todo mundo levanta algum dia para dar close errado e com Rock não foi diferente. Quando um drama consegue nos tirar boas risadas, algo está errado. Mesmo que com Douglas Sirk na direção. Justiça seja feita, não se pode colocar a responsabilidade apenas nos ombros do diretor, que está por trás de tantas produções que amamos. A questão é que os cineastas norte-americanos dificilmente eram bem sucedidos no que se refere a abordar a realidade dos índios.

O filme foi gravado no Parque Nacional dos Arcos, no estado de Utah (que recebeu o nome em homenagem à tribo nativa americana Ute, que vivia na região, nos Estados Unidos. Em 1929, o local que se destaca pela grande quantidade de arcos naturais foi proclamado monumento nacional, e segundo a Wikipedia, recebeu mais de 1.399.247 turistas só em 2015. Também segundo informações, o filme foi gravado em 3D através do Polo-Lite 3D System, mas foi lançado originalmente em 2D. Podiam liberar Rock em 3D pra galera, juro que não reclamo!

taza1 A trama começa com a morte de Cochise (Jeff Chandler), que antes de morrer pede para que seu filho mais velho Taza (Rock Hudson) lidere os Chiricahuas no lugar dele e mantenha o tratado de paz com os homens brancos. Naiche, o filho mais novo, não concorda com o desejo do pai e se rebela contra o irmão. No meio desse fogo cruzado, Taza e Oona (Barbara Rush) estão apaixonados, mas precisarão convencer o pai da jovem, que tem ideais diferentes de Taza, a conceder a mão da filha em casamento.

Rock Hudson, Barbara Rush e muitos outros aparecem com a pele pintada, usando vestimenta e acessórios indígenas. Precisamos nos concentrar para assistir da primeira vez. No filme, há uma sequência em que uma tribo ataca um acampamento de homens brancos, fazendo várias vítimas. Exatamente o tipo de abordagem que deixaria Marlon Brando e outros conhecedores da causa indígena com os nervos à flor da pele!

“Taza, Son of Cochise” é o segundo entre os nove filmes que o Rock fez com Douglas Sirk na direção. Em 1954, quem assistiu “Herança Sagrada”, mal poderia imaginar que em breve essa parceria resultaria em Sublime Obsessão, sucesso de bilheteria lançado apenas seis meses depois.

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1956 – Nunca Deixei de Te Amar (Never Say Goodbye)

Em meados dos anos 50, Douglas Sirk estava dirigindo Rock em um filme atrás do outro. “Never Say Goodbye” (Nunca Deixei de Te Amar, no Brasil) é o sexto dos nove que realizaram juntos. O filme saiu em novembro de 1956 nos EUA, mesma época do aguardado lançamento de “Giant” (Assim Caminha a Humanidade), que provavelmente o ofuscou. “Never Say Goodbye” é um remake de “This Love of Ours”, filme de 1945 com Claude Rains e Merle Oberon. Prepare o lenço, porque achamos que esse é um dos filmes mais tristes que Sirk e Rock fizeram.

Michael Parker (Rock Hudson) é um médico que vive sozinho com a filha Suzy, e ambos acreditam que a mãe da menina está morta. Só que durante uma viagem de trabalho, Mike é pego de surpresa ao encontrar Lisa (Cornell Borchers), sua ex-mulher, que está viva e trabalhando em um restaurante na Áustria. O choque do reencontro foi tamanho, que Lisa saiu correndo do local e acabou sendo atropelada. Depois de uma cirurgia bem sucedida realizada no hospital, um flashback começa a narrar a história desde o princípio… revelando o que aconteceu de tão grave entre eles.

“Nunca Deixei de Te Amar” é um drama surpreendente e, ao contrário do que muitos filmes sugeriam, demonstra que o casamento nem sempre é um mar de rosas. Recentemente, o filme foi lançado em DVD no Brasil pela Classicline e pode ser encontrado em diversas lojas.

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1964 – O Esporte Favorito dos Homens (Man’s Favorite Sport?)

Howard Hawks dirigiu diversos filmes inesquecíveis: “Levada da Breca”, “Os Homens Preferem as Loiras”, “Bola de Fogo”, entre outros. O diretor pretendia fazer uma referência a sua screwball clássica “Levada da Breca”, chamando Cary Grant e Katharine Hepburn novamente para trabalharem em seu novo filme: “O Esporte Favorito dos Homens”. O plano não deu certo, então Hawks convocou Rock Hudson para o papel pensado originalmente para Grant. Em 1964, Rock já estava confortável fazendo humor, depois do sucesso de suas comédias com Doris Day.

Na trama, Roger Willoughby (Rock Hudson) trabalha numa loja de artigos esportivos e tornou-se um expert em pescaria, chegando até a publicar um livro conhecido nacionalmente. Só que Roger só domina o assunto na teoria, após ficar anos vendendo artigos de pesca na Abercrombie and Fitch. A confusão começa quando Abigail Page (Paula Prentiss) convence o chefe de Roger a inscrevê-lo em um torneio de pescaria. A moça parece fazer de tudo para provocar Roger, o que faz com ele a deteste logo de cara, mas como todos sabemos a linha entre o amor e o ódio é bastante tênue… daí para frente a confusão está armada e você só precisa ver para descobrir!

Rock está especialmente hilariante no filme, pense em um homem com quase 2 metros de altura que detesta acampamento (me representa), se vendo obrigado a montar uma barraca, dirigir um barco e aprender a pescar em seis dias. “O Esporte Favorito dos Homens” foi recentemente lançado em DVD no Brasil pela Obras-Primas do Cinema e pode ser encontrado em diversas lojas. Uma comédia deliciosa que merece ser redescoberta!

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1968 – A Gatinha Que Eu Quero (A Fine Pair)

Ruba al prossimo tuo (“A Fine Pair” nos EUA e batizado como “A Gatinha que eu Quero” no Brasil”) foi um filme italiano de 1968, dirigido por Francesco Maselli. Os últimos filmes de Rock não haviam emplacado e ele estava determinado a correr riscos. Um desses projetos ozados foi essa comédia policial, na qual ele aparece ao lado da estrela italiana (nascida na Tunísia) Claudia Cardinale, que viria a trabalhar em clássicos de Luchino Visconti e Federico Fellini.

Na trama, Esmeralda (Claudia Cardinale) chega aos EUA para encontrar o policial Mike Harmon (Rock Hudson), que era amigo de seu falecido pai. Logo no primeiro encontro, após muitos anos, percebe-se que Esmeralda tinha um crush em Mike quando era adolescente e nunca o esqueceu. Tudo parece tranquilo, até o policial descobrir que a moça está em apuros e carrega um pacote de joias roubadas. Eles decidem embarcar em uma viagem, na tentativa de devolver as joias antes que o desaparecimento seja notado. Só que Mike é casado e nem imagina que Esmeralda pode virar seu mundo de cabeça pra baixo. Falando isso, me refiro a LOVE SCENES, afinal já estamos quase nos anos 70, né mores.

As filmagens ocorreram em Nova Iorque, no oeste da Áustria e na Itália. Rock aparece bem vestido, usando óculos de grau e com uma vibe bem intelectual, RYSOS. Claudia está deslumbrante e eles parecem se divertir bastante, em locações belíssimas. Existem duas versões do filme, em inglês e italiano. Rock está sendo dublado na versão italiana, que está disponível no youtube e você pode conferir clicando aqui.

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1968 – Estação Polar Zebra (Ice Station Zebra)

“Ice Station Zebra” (Estação Polar Zebra, no Brasil) é um filme de espionagem, suspense e ficção científica lançado em 1968. Trata-se de um projeto bastante diferente do que Rock vinha fazendo nos últimos anos, de certa forma ele estava tentando mostrar ao grande público que poderia amadurecer e ir além dos filmes românticos que o tornaram popular. Após o fracasso do incompreendido “O Segundo Rosto” e do desempenho tímido de “Tobruk”, o ator passou um ano afastado, escolhendo seus próximos projetos. Na época, houveram grandes avanços no que se refere a efeitos especiais e os estúdios investiram pesado. “Estação Polar Zebra” foi lançado no mesmo ano que “2001: Uma Odisséia no Espaço” e “Barbarella”. Apesar de não ter passado tão bem pelo teste do tempo como os exemplos citados, “Ice Station Zebra” foi um sucesso de bilheteria, indicado a duas categorias no Oscar, e ajudou a revitalizar a carreira de Rock Hudson.

Na trama, James Ferraday (Rock Hudson) recebe do governo americano a misteriosa missão de conduzir a tripulação do submarino Tigerfish até a Estação Polar Zebra no Polo Norte. Só que, no trajeto, ele suspeita que um espião russo está infiltrado entre os passageiros.

Enquanto assisti “Ice Station Zebra”, tentei observar aspectos trash que denunciassem que se trata de uma produção dos anos 60 e fiquei surpreso com o quanto ele ainda parece atual. Principalmente, se você assistir a versão em blu-ray, disponível na internet.

O livro “História de Sua Vida” escrito por Rock e Sara Davidson, conta um incidente que ocorreu na premiere de “Estação Polar Zebra” no Palácio de Cinerama em Hollywood. A homossexualidade do ator era como uma espécie de “segredo aberto”, que muitos sabiam e poucos comentavam. No fim da década de 60, Rock ainda era um “solteirão” e os rumores não paravam de crescer. Quando ele saiu da limusine na noite da estreia, alguém gritou: “- Veado!” fazendo Rock empalidecer e querer achar o sujeito inconveniente no meio da multidão. Tom Clark pegou Rock pelo braço e o conduziu até os repórteres para falar sobre o filme. Quando entrou pela porta lateral do teatro, o ator disparou: “- Pra mim chega! Nunca mais vou comparecer a uma estreia.” Acreditamos que foi só um desabafo, já que o ator voltaria a comparecer a diversas cerimônias.

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1969 – Jamais Foram Vencidos (The Undefeated)

Rock Hudson fez poucos faroestes, a maior parte deles ainda no começo da carreira em filmes de baixo orçamento. Apesar disso, dava conta do recado quando se aventurava no gênero. Quando o ator foi convidado para participar de “The Undefeated” (Jamais Foram Vencidos, no Brasil) já faziam dez anos desde que fizera seu último western “O Último Pôr-do-Sol”, ao lado de Kirk Douglas. Dessa vez, Rock divide a cena com John Wayne, também conhecido como Duke ou o maior cowboy que você respeita. “Jamais Foram Vencidos” foi lançado em 1969 e dirigido por Andrew V. McLaglen.

A trama se passa em 1865, após o fim da Guerra Civil americana. O Coronel John Henry Thomas (John Wayne) lidera os ianques, que venceram a guerra. Thomas resolve deixar a farda e capturar os cavalos selvagens que restaram da guerra para vendê-los ao exército mexicano. Já o Coronel James Langdon (Rock Hudson) lidera os confederados, que foram derrotados. Depois de ficar endividado e perder a fazenda onde morava com a família, decide partir para o México com suas tropas para unir forças com o Imperador Maximiliano. Os coronéis acabam se encontrando durante a viagem e se tornam aliados para escapar dos perigos no país estrangeiro.

Quando foi para Durango, no México, gravar o filme, Rock estava bastante inseguro em “se encontrar com o homem que, mais do que ninguém, simbolizava o ideal americano de força masculina”. Rock conta em sua autobiografia: “No primeiro dia de filmagem, Wayne começou a me dar instruções:  ‘ – Por que você não vira a cabeça assim? …’ e ‘por que não segura o revólver deste jeito?’ As sugestões me pareceram boas, de modo que as experimentei, mas naquela noite comecei a pensar e disse para mim mesmo: ‘ – Ora bolas, será que vou ser dirigido por aquele cara? Estará ele tentando estabelecer uma supremacia ou coisa parecida?’ De maneira que no dia seguinte eu disse logo de cara para ele: ‘ – Por que você não vira o seu rosto um pouco para este lado? …’
Wayne apontou o dedo para mim e sorriu ‘ – Eu vou com a sua cara.’ E foi assim que nos tornamos grandes amigos.”

Além do enredo principal, o filme ganha pontos por conta das tiradas cômicas e histórias secundárias que cativam bastante. Quanto as atuações, só digo o seguinte: John Wayne sendo John Wayne, até o nome do personagem é o mesmo! “The Undefeated” é um típico western patriota, repleto de clichês que a gente não cansa de assistir. Para assistir despretensiosamente comendo pipoca na madrugada.

 

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1971 – Garotas Lindas Aos Montes (Pretty Maids All In a Row)

Dá pra dizer que assistir a esse filme pela primeira vez foi uma experiência quase surreal. “Pretty Maids All In a Row” é um filme do francês Roger Vadim, diretor do clássico “…E Deus Criou a Mulher” lançado em 1956 e protagonizado por sua então esposa Brigitte Bardot. Vadim foi um pioneiro e alguns de seus filmes tiveram um enorme impacto na forma como a sexualidade aparece nas telas de cinema. Em 1971, a revolução sexual alcançava seu pico máximo entre os jovens nos Estados Unidos e “Pretty Maids All In a Row” (Garotas Lindas Aos Montes, no Brasil) foi lançado exatamente nesse período. Foi o primeiro filme que Vadim topou fazer nos EUA, após ter recusado algumas propostas nos anos que o antecederam.

tiger Nos dias de hoje pode ser visto e até rotulado como um filme de gosto duvidoso. “Garotas Lindas Aos Montes” é uma comédia de humor negro, indicada para maiores de dezoito anos. A abertura acompanha Ponce Harper, um estudante virgem andando de moto nas ruas de Los Angeles e observando os decotes e saias curtas que as meninas usavam no início da década de 70. Na escola, Tiger (Rock Hudson) é um instrutor do time de futebol, além de aplicar testes psicológicos nos alunos… e transar com suas alunas mais bonitas. Tiger é um “pai de família” e ninguém suspeita de sua conduta. Logo no início do filme, uma garota é encontrada morta no banheiro masculino, com o passar do tempo outras mortes acontecem e a busca da polícia pelo serial killer vai ficando mais acirrada!

Rock interpreta o primeiro vilão de sua carreira e estava animadíssimo com o filme completamente diferente de tudo que já havia feito… seu personagem é perverso, debochado e como Sara Davidson descreve perfeitamente na autobiografia do ator “parece estar sempre em ereção sexual”. É irônico pensar que, 12 anos antes, a Universal cogitou não fazer Pillow Talk por considerá-lo provocante demais. Depois de 20 minutos assistindo “Pretty Maids All In a Row” fica evidente que o sexo é o protagonista da trama e Roger Vadim chegou a escrever uma coluna sobre ele para a revista Playboy. Houve quem dissesse que o diretor foi longe demais e a classificação para maiores fez com que muitos o deixassem de assistir. Em 2002, Quentin Tarantino curiosamente elegeu o filme como um de seus Dez Favoritos de Todos os Tempos, para a revista “Sight & Sound”. Particularmente, acho que o suspense não é dos melhores e o filme caiu no esquecimento… mas para os fãs do Rock é uma oportunidade de assisti-lo como nunca antes.

 

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Agora é só escolher alguns filmes e preparar sua maratona Rock Hudson. Esperamos que tenham gostado! Beijos e até a próxima.

 

Revisão do texto: Pâmela Lima.

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Escrito por Guilherme

Still tryin' to find my place in the sun.

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