Quatro referências cinematográficas em novelas mexicanas

Quatro referências cinematográficas em novelas mexicanas

Não faça essa cara de como assim novela no Cine Espresso? porque eu sei que você, assim como eu, cresceu assistindo às novelas mexicanas que passavam no SBT. Antes de eu conhecer a internet e o cinema clássico, tive meus momentinhos de assistir um milhão de vezes às produções da Televisa, estrelando Thalia, Gabriela Spanic e Victoria Ruffo.

Recentemente, após recomeçar a rever A madrasta, uma novela que chegou muito perto do sucesso que A usurpadora fez no México e no mundo, comecei a notar quantas referências cinematográficas permeiam essas tramas. Hoje trazemos cinco referências que, com certeza, farão você enxergar essas histórias açucaradas de outra maneira. Afinal, já dizia Chacrinha: “Nada se cria, tudo se copia”.

1) O jogo de xadrez em A madrasta (2006) versus O jogo de xadrez em Crown, o magnífico (1968)

A madrasta, como eu disse no começo deste post, foi uma novela exibida em 2002, que chegou muito perto do sucesso de A usurpadora. Ela contava a história de Maria (Victoria Ruffo), condenada à prisão perpétua, por ter assassinado a amiga Patrícia, durante um final de semana em um chalé com os amigos do marido. Como vocês podem imaginar, Maria não cometeu tal crime — na verdade o marido, Estevão (César Evora), e os amigos conspiraram para condená-la. Vinte anos se passam, ela sai da cadeia, jurando vingar-se daqueles que a colocaram injustamente atrás das grades. Quando Maria volta para “casa”, descobre que seus filhos acreditam que está morta. E aí, meus amigxs, é que a história vai ficar muito boa, pois Maria acaba casando com Estevão e se tornando a madrasta dos próprios filhos. A novela torna-se, então, um jogo de gato e rato, com Maria e Estevão trocando farpas e eventualmente trocando uns beijinhos (para a loucura da geral). A cena do jogo de xadrez é um dos melhores momentos da tensão sexual entre as personagens. Nela, Estevão aposta com Maria que, se ele ganhar o jogo, ela deve passar uma noite com ele. O barato dessa cena é que ela é uma clara homenagem ao filme Crown, o magnífico, com Faye Dunaway e Steve McQueen nos papeis principais. Já comentei por aqui que considero a cena desse filme uma das mais sensuais do cinema. O xadrez é um prelúdio para o sexo, por exemplo, temos Faye Dunaway colocando as peças do jogo na boca, em um gesto pra lá de sugestivo. Além disso, as personagens se olham de uma forma que você chega à conclusão de que não precisa de uma cena de sexo para entender o que eles sentem um pelo outro. Em A madrasta, não chegamos a ter Victoria Ruffo (atriz que interpreta Maria) colocando as peças do jogo na boca, até porque os mexicanos são bastante conservadores. No entanto, temos os mesmos ângulos de câmera, aquele close maravilhoso nos olhos azuis de Victoria Ruffo, exatamente como em Crown, o magnífico. O clima de tensão durante o jogo também foi mantido, aliás eu não consigo pensar em uma cena mais perfeita para ilustrar os sentimentos entre Maria e Estevão, que beiram o amor e o ódio.

xadrez1

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2) Luna mágica e a homenagem a Crepúsculo dos deuses (1951)

Procurando por algumas informações sobre uma atriz mexicana por quem sou apaixonada e sobre a qual já falei por aqui, Jacqueline Andere, cai de paraquedas em Luna mágica. A canção regravada pelo cantor e ator mexicano Mauricio Martínez é daqueles videoclipes que dá gosto de ver, com historinha e tudo mais. Aqui, temos a clássica história de Norma Desmond e Joe Gilles, imortalizada em Crepúsculo dos deuses, servindo de pano de fundo para Luna mágica, canção originalmente de Rocío Banquells. É tudo tão bonito e fiel à atmosfera do filme que meu coração explodiu de tanta emoção! Sei que não é uma novela mexicana, mas a referência cinematográfica é tão bem feita que decidi inclui-la aqui. Norma Desmond, em Luna mágica, é interpretada pela magistral Jacqueline Andere, uma das lendas da dramaturgia mexicana ainda vivas. Pessoa mais indicada para homenagear Gloria Swanson não há, Andere poderia muito bem ser uma versão mexicana de Norminha, tanto no teatro quanto no cinema. Assista ao videoclipe aqui.

luna magica 1 lunamagica2 lunamagica3

3) As gêmeas de A usurpadora (1998) versus As gêmeas de Uma vida roubada (1946)

É claro que o maior clássico mexicano não poderia faltar nessa lista, correto? A usurpadora conta a história das gêmeas Paola e Paulina, separadas no nascimento e que não se conhecem até o momento em que a ricaça Paola encontra a paupérrima Paulina em um banheiro de hotel. Elas fazem um acordo (did you mean chantagem?), e Paulina assume a identidade de Paola, passando a ter uma vida de mulher rica. Hollywood também bebeu muito da fonte das histórias de trocas de identidade entre gêmeas, e Uma vida roubada faz parte dessa safra. O filme, estrelado por Bette Davis e Glenn Ford, foi produzido pela própria Bette, através de sua produtora B.D Production,. Uma vida roubada conta a história das irmãs Kate e Pat. Lá pelas tantas, Pat sofre um acidente, e Kate assume sua identidade. Será que ela manterá o segredo por muito tempo? Assim como em A usurpadora, temos o recurso da gêmea boa e má sendo usado à exaustão. É claro que nossa preferência é a vilã, já que a mocinha é uma mosca morta. Tanto o filme quanto a novela criaram cenas antológicas, como a que Pat joga o buquê para a irmã, após ter se casado com o homem que a maninha amava, e ela se desvencilha, deixando cair no chão. Quem não lembra da cena destruidora de Paola voltando para sua casa e retomando a identidade da maninha Paulina? Muito amor por essa novela!

stolen life

4) Sou eu, Maria, o seu pior pesadelo: o jantar em que os forninhos caíram de A madrasta

A essa altura do campeonato, vocês já sabem o enredo base de A madrasta. Pois bem, como toda novela mexicana que se preze, é claro que o primeiro encontro entre a protagonista e seus algozes teria de ser, no mínimo, destruidor. Maria organiza um jantar e convida todos os envolvidos no assassinato de Patrícia. No entanto, eles não sabem quem é o anfitrião. Ficam sentados, em uma sala de jantar completamente escura, sem entender o que está acontecendo, até Maria emergir das sombras e se anunciar como a anfitriã. Revendo essa cena, lembrei muito de Os sete suspeitos, outro filme que já resenhei por aqui. Nele, várias pessoas são convidadas para um jantar, na casa de um anfitrião desconhecido, pois escondem um segredo. Assim como no filme, as personagens de A madrasta escondem um grande segredo, que será colocado à prova naquela noite.

dinner

É claro que existem outras referências cinematográficas em novelas mexicanas, mas me ative nas que considero mais famosas. E você, o que achou? Lembrou de outras referências? Conte pra gente nos comentários!

Revisão do texto: Ana Rolim.

Escrito por Jessica Bandeira

Estudante de história, tradutora e noveleira.

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