Cinco filmes adolescentes dos anos 80

Cinco filmes adolescentes dos anos 80

“…E essas crianças em que você cospe, enquanto elas tentam mudar seus mundos, são imunes às suas consultas. Elas sabem muito bem pelo que atravessam...” (David Bowie)

É impossível negar: a década de 1980 foi inovadora e inesquecível de muitas maneiras. Com toda a certeza, o cinema foi uma delas. Diversos filmes produzidos durante esse período tem hoje status de clássicos e cults. Além disso, foi nessa época que um segmento da sétima arte ganhou força: o cinema feito especificamente para adolescentes, com tramas com as quais esse público poderia se identificar. Público esse que, aliás, sempre foi um dos grandes consumidores do cinema desde o seu surgimento.

Olhando agora, pode até parecer bobagem, mas essa ideia foi uma grande novidade na época, afinal, filmes com essa proposta ainda eram um tanto raros. Um dos grandes nomes dessa vertente foi John Hughes que soube como ninguém transpor para as telas a mente do jovem daquela década. Curtindo a vida adoidado (Ferris Bueller’s day off) é hoje um clássico absoluto, queridinho de nove entre dez amantes do cinema, e tudo devido a mente brilhante de Hughes, bem como seu feeling certeiro para escolher atores para dar vida aos seus personagens inesquecíveis.

Mas nem tudo é Ferris Bueller, e hoje listamos outros cinco clássicos do cinema adolescente da década de 1980. Anota aí! 

5 – Digam o que quiserem (Say anything, 1989). Dir. Cameron Crowe.

No dia da formatura do ensino médio, Lloyd Dobler (John Cusack) conhece Diane Court, e se interessa por ela de imediato. No entanto, os dois não poderiam ser mais diferentes: Lloyd não tem nenhuma ambição, apenas a certeza de que quer fazer algo “grande”; Diane, por outro lado, busca a perfeição em tudo o que faz. E mesmo assim, essas duas almas tão diferentes acabam se apaixonando. Como eles lidarão com todas as adversidades e as surpresas ocasionais que a vida guarda é o tema desse (nem sempre tão lembrado) filme de Cameron Crowe. A cena em que Lloyd faz uma “serenata” com seu rádio tocando Peter Gabriel ficou no imaginário popular e ficou marcada como uma das cenas que definem o cinema da década de 80.

4 – Footloose – Ritmo louco (Footloose, 1984) Dir. Herbert Ross

Footloose foi responsável por duas coisas: apresentar Kevin Bacon ao mundo, e lançar a música-tema que gruda na cabeça, e que se tornou obrigatória em festas de formatura e casamento que se prezem. A verdade é que todo mundo lembra da música-chiclete, mas pouca gente se lembra do filme. A sinopse é bem simples até: garoto modernoso da cidade grande (Kevin Bacon) se muda para uma cidadezinha ultra-conservadora no interior onde é proibido dançar, e onde um pastor (John Lithgow) exerce liderança quase que absoluta. É caro que o garoto se enrabicha logo pela maluquinha filha do pastor (Lori Singer), e junto aos seus amigos (Chris Penn, Sarah Jessica Parker), tentam dar um baile (HEHEHE) na proibição e fazer um baile de formatura. Parece até bobo, mas na verdade o filme toca em questões bem importantes na vida dos jovens (sexo, drogas, relacionamento com os pais), e de quebra tem uma BAITA trilha sonora. Nada é mais anos 80 que a abertura com os pezinhos, na moda oitentista (polainas, meias coloridas e afins) ÓBVIO, balançando ao som da música-tema.

Dica: passe looonge do remake. E corra pra ver a participação de Kevin Bacon homenageando o filme no programa do Jimmy Fallon.

3 – A garota de rosa-shocking (Pretty in Pink, 1986). Dir. John Hughes

Ninguém soube capturar tão bem a alma do jovem da década quanto John Hughes. E se ele teve uma “musa”, só pode ter sido uma: Molly Ringwald. A atriz estrelou três filmes do diretor. O último deles foi Pretty in pink. Molly é Andie, uma garota pobre e cheia de estilo, que sonha em estudar moda e ter uma vida melhor. Seu melhor amigo é Duckie (Jon Cryer, muuuito antes de Two and a half man), que é secretamente apaixonado pela amiga. No entanto, Andie se apaixona por Blane (Andrew McCarthy, outro galãzinho da época), que corresponde. Só que o garoto é rico, e as diferenças sociais que surgem, além do preconceito são obstáculos que atrapalham o caminho. Mais uma vez a trilha sonora é destaque, e o personagem de Jon Cryer é a melhor parte do filme. A cena em que ele dubla e dança Try a little tenderness de Otis Redding é icônica.

2 – O primeiro ano do resto de nossas vidas (St. Elmo’s Fire, 1985). Dir. Joel Schumacher 

Considero o número 2 dessa lista um injustiçado. Para mim, ele deveria ser SEMPRE tão lembrado quanto o número 1. Mas, infelizmente, não é. Na verdade, ele é até bem desconhecido. Se o primeiro lugar fala dos dramas do adolescente na vida escolar, especificamente, esse aqui trata de como os jovens enfrentam a passagem para a vida adulta de fato (leia-se ter que pagar as contas, trabalhar, comprar produtos de limpeza, etc). O primeiro ano do resto de nossas vidas conta a história de sete amigos recém-formados, e as suas dificuldades em se adaptar ao mundo dos adultos. É um elenco e tanto: Rob Lowe, Demi Moore, Emilio Estevez, Ally Sheedy, Andrew McCarthy (de novo!), Judd Nelson e Mare Winningham (a única cuja carreira não vingou). A primeira vez em que assisti a esse filme eu estava na mesma fase desse grupo, e cada coisa nele tocou meu coração de uma maneira que jamais esqueci (“Nunca pensei que estaria tão cansada aos 22!”, diz a personagem de Demi Moore, que tem problemas com drogas e enfrenta assédio do chefe nojento no trabalho). O principal ponto é: como se encontrar, não deixar de ser você mesmo e manter as amizades quando se é adulto? O filme abriu a porta para o número 1 da nossa lista, e de quebra exportando três nomes do elenco para aquele que seria o grande clássico da década.

1 – O clube dos cinco (The breakfast club, 1985). Dir. John Hughes

Um marginal (Judd Nelson). Um nerd (Anthony Michael Hall). Uma louca (Ally Sheedy). Uma patricinha (Molly Ringwald). Um esportista. Eles não poderiam ser mais diferentes uns dos outros, e, no entanto, precisam encarar juntos um sábado de detenção na escola por diversos motivos Nesse dia em que são forçados a conviver, os cincos adolescentes acabam por descobrir que têm mais em comum do que imaginam: adultos que ignoram ou menosprezam seus sentimentos, cobranças e expectativas exageradas, o medo do futuro. John Hughes soube como ninguém nesse filme compreender e entrar na mente dos adolescentes.

O retrato exato de uma geração. Don’t you forget about me, do Simple Minds. Um clássico. Sincerely yours, The Breakfast Club.

Escrito por Camila

Formada em Letras e na Academia Douglas Sirk de sofrência e pregadora na Igreja Universal do Reino de Woody Allen. Uma professora de inglês apaixonada por musicais. Faz parte da Comissão de Avaliação, Seleção e Fiscalização, na área de Cinema e Vídeo, do Financiarte de Caxias do Sul.

Comentários

Comentários

2 Comentários
  • tiago disse:

    Excelente Post. Vi apenas Curtindo a Vida adoidado, mas quero ver os outros, principalmente Footloose e O primeiro ano (…)
    Me diga uma coisa, Camila. Como encontrar esses filmes? Estão no netflix, youtube?

    • Camila disse:

      Olá, Tiago! Tudo bem?

      Obrigada pelo elogio 🙂

      Olha, no Netflix eu sei que não tem… Mas são filmes bem fáceis de se achar via Torrent; qualquer coisa, se não conseguires, me dá um toque que eu te ajudo, porque você realmente precisa assistir essas maravilhas.

      Bom final de semana, e obrigada por comentar!

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