Funny Girl – A Garota Genial (1968)

Funnygirl2Barbra Streisand completa 74 aninhos de idade essa semana e já estava mais do que na hora de a celebrarmos aqui no Cine Espresso!

A cantora, compositora, atriz, produtora e diretora começou sua trajetória no espetáculo “I Can Get It for You Wholesale”, da Broadway, pelo qual foi indicada a um Tony Award (como é chamado o maior prêmio do teatro nos Estados Unidos) na categoria “Melhor atriz em um musical”. Em 1963, seu primeiro disco, “The Barbra Streisand Album”, conquistou dois prêmios Grammy: Álbum do ano e Melhor performance vocal feminina. No ano seguinte, estrelou a peça da Broadway “Funny Girl”, baseada na biografia da atriz Fanny Brice que trabalhou no teatro, rádio e cinema. Depois de ficar em cartaz por quase dois anos, em dezembro de 1965, a Columbia Pictures anunciou a versão cinematográfica de “Funny Girl” com Barbra Streisand no papel principal. O filme seria dirigido por ninguém menos do que William Wyler, que aceitou dirigir um musical pela primeira vez em 43 anos de carreira.

“Funny Girl – A Garota Genial” (como é conhecido por aqui) se tornou um favorito instantâneo, logo na primeira vez que assisti. Recomendo até mesmo para quem não é tão chegado em musicais, uma vez que é praticamente IMPOSSÍVEL não se render ao romance de Fanny Brice e Nick Arnstein, interpretados por Streisand e Omar Sharif (Doutor Jivago). Poucas atrizes poderiam ser tão engraçadas e comoventes como Barbra nesse filme, não existe dúvida de que mereceu o Oscar de Melhor atriz que dividiu com Katharine Hepburn (que também faturou a estatueta por “Leão no Inverno”). O filme teve ainda uma sequência chamada “Funny Lady”, protagonizada por Barbra Streisand e lançada em 1975. Venha se emocionar e se divertir com os inesquecíveis números musicais “People”, “Don’t Rain on My Parade”, que foi regravado por dezenas de artistas, entre outros.funny-girlNa sequência de abertura, Fanny Brice (Barbra Streisand) visita o teatro “Ziegfeld Follies”, em que se tornou uma estrela. Apesar de aparecer deslumbrante na cena de abertura, a personagem não desfrutava de uma beleza convencional. Sentada em uma poltrona do auditório, lembra das pessoas que duvidaram dela, começando pelas amigas da mãe que sussurram a canção “If A Girl Isn’t Pretty”, que sugere que seus “atributos” não são suficientes para chegar ao estrelato.

“Quando uma garota não é bonita,tumblr_o47j1aOP5M1s6a1l2o4_250
como uma Miss Atlantic City,
da vida só ganhará
piedade e tapinha nas costas
Cite uma estrela que não ganhou
concurso de beleza”
Trecho de “If A Girl Isn’t Pretty”

Apesar do número ser executado com toques de humor, salvo excessões, essa letra representava uma realidade triste. O ritmo da trama não permite que se torne muito dramática, e parte disso se deve a capacidade de Barbra em fazer piada com os “ideais” de beleza e rir de si mesma. Estava na hora de discutir o assunto e Wyler faz isso da maneira mais leve possível. Qualquer um que não se sinta uma beldade natural pode se identificar com Fanny!

A jovem está convencida de que pertence ao palco e está disposta a qualquer coisa para revelar seu talento. Em uma audição para coristas no “Kenney’s Music Hall”, quando é desclassificada pelo Sr. Keeney, o diretor argumenta que ela “destoa” das outras garotas. Quando tudo parece perdido, Fanny diz a um conhecido que trabalha na produção que se sente “um bagel no meio de pães” e que só precisa ser descoberta. Ele revela então, que está montando um número com dançarinas patinadoras e que, caso Brice soubesse patinar, poderia lhe dar uma chance.

funny4Na noite do espetáculo acontece a hilariante estréia de Fanny nos palcos e ela acaba divertindo a todos justamente porque parece ter algo “extra”. O diretor, que estava furioso por Fanny não saber andar de patins, acaba surpreendido pelo público que pede um número bis com Miss Brice! É nessa cena em que a personagem revela suas habilidades vocais cantando os versos: “I rather be blue over you, than be happy with somebody else”. Parece que talento, simpatia e carisma podem fazê-la chegar a algum lugar, afinal de contas!

nickfannyEmoções fortes estão por vir com a chegada de Nick Arnstein (Omar Sharif), que bate na porta do camarim de Fanny para elogiar sua performance com os patins. A reação de Miss Brice faz bem o gênero “gente como a gente”: a garota cai de joelhos pelo adorável sorriso de Nick e a química entre eles não poderia ser mais vibrante. Na primeira cena em que aparecem juntos, você já fica doido para saber o que vem a seguir. Um dos casais mais fofos que já vi no cinema!

Nick indica Fanny Brice para o prestigiado diretor Florenz Ziegfeld (Walter Pidgeon), da Broadway, que aposta nela para estrelar seu aguardado novo espetáculo. No entanto, como não se pode ter tudo, o relacionamento de Fanny e Nick dá uma esfriada quando ele demonstra o quanto ama sua “liberdade” e anuncia que precisa fazer uma viagem para cuidar dos negócios. É nessa sequência que Streisand interpreta um de seus maiores sucessos, a música “People”, que foi retirada da versão teatral e lançada no quarto álbum de estúdio de Barbra. Também vale a pena lembrar que a canção “I Rather Be Blue”, lançada originalmente nos anos 20, se tornou ainda mais popular após ser regravada na voz de Streisand pra o filme.

parade2 Apesar do romance entre Fanny e Nick ser retratado de forma tão doce, possui vários problemas reais que eventualmente ocorrem em relacionamentos, talvez por se tratar de algo que realmente aconteceu. Algumas canções embalam os encontros e desencontros do casal, como a incrível “Don’t Rain on My Parade”, que foi na verdade a primeira cena a ser rodada quando as gravações tiveram início em 10 de julho de 1967. A sequência foi filmada em Nova Jersey e levou nove dias para ser finalizada, semanas depois as filmagens recomeçaram na Costa Coeste. Os números musicais da versão cinematográfica foram dirigidos por Herbert Ross.

O filme foi um sucesso de público e crítica, se tornando o segundo mais rentável lançado pela Columbia Pictures em 1968. A produção foi indicada a oito categorias no Oscar e marcou a única ocasião em que a Academia deu a estatueta para duas atrizes: Barbra Streisand e Katharine Hepburn. Bette Davis esnobou o fato, anos mais tarde, afirmando que, se a fizessem dividir o prêmio com outra pessoa, teria dito para a Academia colocar a estatueta “naquele” lugar. Relembrando a noite da premiação, a categoria Melhor atriz foi apresentada por Ingrid Bergman, que entregou as estatuetas para o representante de Kate Hepburn e para Barbra Streisand. As primeiras palavras de Barbra ao receber o prêmio foram “Hello, gorgeous!”, que curiosamente é a primeira fala de seu personagem no filme. Anos mais tarde, a famosa fala foi incluída na lista “AFI’s 100 Years…100 Movie Quotes” que reúne as 100 frases mais memoráveis do cinema, de acordo com o American Film Institute.

A primeira opção para a escolha da atriz que interpretaria Fanny Brice na Broadway era Anne Bancroft, premiada mais de uma vez no “Tony Awards” por seu trabalho nas peças “Two For the Seesaw” e “The Miracle Worker”. Porém, Bancroft planejava cantar como se estivesse falando as músicas (como fez Rex Harrison em “My Fair Lady”), o que desagradou Jule Styne, que havia escrito uma partitura complexa e queria uma cantora de verdade para desempenhá-la. Anos mais tarde, Frank Sinatra foi cogitado para o papel de Nick Arnstein na versão cinematográfica, mas exigiu que seu personagem fosse expandido e que novas músicas fossem acrescentadas para ele. No fim das contas, o produtor Ray Stark achou que Frank estava “velho” demais para fazer o par de Streisand.

tumblr_nxmimso1891qij8uso1_400Depois de Omar Sharif ter sido pessoalmente escolhido por William Wyler para interpretar Nick Arnstein, os executivos da Columbia cogitaram substituir o ator egípcio por causa de um recente confronto entre o Egito com Israel. Felizmente, tanto Wyler quanto Barbra ameaçaram abandonar o projeto caso isso acontecesse e as gravações continuaram normalmente. Outro fator importante para a época foi a visibilidade das mulheres judias: além do personagem de Streisand ter um nome judeu e fisionomia judia, ela era engraçada, talentosa, inteligente e quebrava o estereótipo preconceituoso de que essas mulheres dependiam dos maridos.

funnyblueEsse foi um dos primeiros filmes que assisti com Barbra Streisand e foi o suficiente para que a reconhecesse como uma artista completa. É como diz o ditado: canta, dança e representa. Como se não bastasse ainda temos o saudoso Omar Sharif em um de seus melhores momentos. Então se você ainda não conferiu, corre logo para assistir e se apaixone por ambos!

Escrito por Guilherme

Still tryin' to find my place in the sun.

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