A noviça rebelde (1965)

A noviça rebelde (1965)

THE HIIIIIILS ARE ALIIIIVE WITH THE SOUND OF MUUUUUUUUUSIIIIC…

(Taí um verso que estou constantemente cantarolando por aí. É inevitável!)

Eu não sei dizer exatamente quando a minha paixão por musicais começou. Eu sei precisar quando comecei a amar os clássicos, isso sim. Mas não sei explicar o porquê de ter demorado tanto para assistir A noviça rebelde. Foi só em 2014, depois de alguns bons anos de estrada no cinema clássico, eu perdi a birra velada que tinha contra  a cantoria dos Von Trapp. E, oh boy, como eu me surpreendi!

A verdade é que após ter comprado o DVD (uma edição comemorativa bonitinha), um belo dia me dignei a sentar para assistir a tal da noviça (talvez tenha sido um pouco depois de ter me encantando com O rei e eu), e foi amor à primeira vista. As quase três horas de filme passaram rapidamente, e me envolvi completamente na história da ex-quase-freira Maria (Julie Andrews), que rouba o coração das crianças Von Trapp – e do inicialmente carrancudo papai-Capitão delas, interpretado por Christopher Plummer.

Hoje, o Cine Espresso dedica um post para o clássico, que completou bodas de ouro no ano passado. Venha conosco para esse mundo de cantoria, roupas feitas de cortina, freiras doidinhas e montanhas bonitas. E com a participação de um amigo muito especial…

Ladies and gents, the hills are alive… no Cine Espresso!

A noviça rebelde costuma ser considerado o último grande filme da chamada Era de Ouro de Hollywood. Está tudo ali: as crianças fofas e travessas, a mocinha espoleta e carismática, um cara sério, difícil de ser dobrado, mas que tem o coração de pedra lapidado pela heroína, canções açucaradas… Sim, o filme tinha tudo para ser um daqueles musicais Doris Day-polenta (que, inclusive, amo), mas é muito mais do que isso.  Baseado na história real de Maria Augusta Trapp e no livro escrito por ela, The Story of the Trapp Family Singers, o filme tornou-se um dos grandes sucessos da década.

Maria é uma noviça sem vocação aparente para tal, que vive com a cabeça no mundo da lua, cantando por aí. Aliás, a cena de abertura, com Maria cantando The sound of music em lindas paisagens austríacas, entrou para o imaginário popular e para a história da cultura pop, rendendo ainda muitos memes, como os da página A noviça cinéfila (leia o texto no fim do post).

Um dos ótimos posts da Noviça. Retirado de: https://www.facebook.com/anovicacinefila/photos/a.622747757745688.1073741828.622742744412856/624889420864855/?type=3&theater

Um dos ótimos posts da Noviça.

A madre-superiora do convento onde Maria está, cheia de bom senso, resolve mandar a jovem passar algum tempo longe para ver se sossega o facho. A solução parece cair do céu (HEHEHE), quando o Capitão Von Trapp precisa de uma governanta que dê conta dos seus sete filhos encapetados. Ninguém melhor do que Maria para pôr a criançada nos eixos. No entanto, um choque de personalidades acontece em um primeiro momento, quando a noviça se vê de frente com o temido viúvo, que está quase sempre longe de casa, mas que a controla e a seus filhos como se estivessem em um quartel. É claro que Maria está 100% nem aí para as regras que o Capitão estipula para os filhos. Uma antipatia mútua surge entre os dois de imediato.

Obviamente, na Hollywood clássica, quem desdenha quase sempre quer comprar. Com Maria e o Capitão não é diferente. Ele acaba se encantando pelo amor dela pelas crianças, e por sua inocência. Ela descobre o amor no rabugento Capitão, e acaba por ajudá-lo a sair da apatia em que vivia desde que se tornara viúvo. Os dois se casam, para alegria das crianças. Tudo lindo e feliz, até que eles precisam lidar com os piores vilões de qualquer história: os nazistas, que ocupavam então a Áustria, e que perseguiam o Capitão, que era contrário à política dos mesmos. Claro que a família faz isso cantando sempre – sim, todo mundo começa a soltar o gogó com a adesão de Maria à família.

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Duas faces de Maria: Julie Andrews no filme de 1965, e a verdadeira Maria no dia do seu casamento, em 1927.

O filme tem muitas diferenças da história real, obviamente, já que é uma adaptação abonitada, e uma das mais singulares é que, quando casou com Georg Von Trapp, a verdadeira Maria não era apaixonada pelo mesmo. Contratada para ser professora de uma das

crianças, ela aceitou se casar pois amava verdadeiramente… as crianças. “Eu gostava dele, mas não o amava. Eu amava, sim, os seus filhos, então de certa forma eu casei com as crianças. Com o tempo eu aprendi a amá-lo mais do que jamais amei alguém, antes ou depois”, contou ela em sua autobiografia.

Os verdadeiros Barão e a Senhora von Trapp no dia em que se casaram, 1927.

Os verdadeiros Barão e a Senhora von Trapp no dia em que se casaram, 1927.

Seja como for, A noviça rebelde é um dos melhores musicais de todos os tempos, que vive no imaginário popular – o aniversário de 50 anos do filme foi homenageado no Oscar de 2015, e a interpretação de Lady Gaga em um medley das canções do filme somada à presença de Julie Andrews pôs o local abaixo. Prova de que o filme ainda é muito amado pelo público. E como não seria? A combinação de uma série de elementos maravilhosos –  a história, a trilha sonora maravilhosa de Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II, Christopher Plummer, e, é claro, a maravilhosa Julie Andrews feat. sua voz de outro planeta. Mas acho que tem alguém melhor do que eu para falar dessa linda, e mais sobre esse clássico. Alguém que o ama tanto quanto eu.

Com a palavra, Pedro, o criador da página A noviça cinéfila

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“A ideia d’ A Noviça Cinéfila veio em 2013, quando eu comecei a fazer umas montagens sobre cinema usando a imagem da Noviça (na célebre cena da montanha) brincando com o mundo do cinema e principalmente fazendo piadas sobre o cotidiano dos fãs de cinema clássico – o qual ainda não tem toda a atenção que merece no Brasil – sempre com muita ironia e bom humor, mostrando tudo o que passamos nessa vida de comprar DVDs e assistir filmes fora do mainstream. Postei no meu Facebook pessoal algumas montagens e meus amigos gostaram muito, então eu achei melhor aproveitar aquilo e resolvi fazer logo uma página onde eu pudesse brincar com a vida de ser colecionador de DVDs e compartilhar meu amor pelo cinema, que é a minha maior paixão na vida. E principalmente mostrar que o cinema é mais que só Laranja Mecânica e 500 Dias com Ela (Nota da autora do post: RISOS ETERNOS).

Tento sempre falar de cinema clássico e também de filmes mais mainstream (sem deixar de fazer críticas à indústria atual) e cults, tentando sempre deixar o conteúdo bem variado, e através do humor espalhar o cinema em suas mais variadas formas. Além do mais, é muito bom você fazer uma crítica ou uma piada e ver como existem muitas pessoas que pensam o mesmo, que gostam dos mesmos filmes que você e (saber) que você não está sozinho no mundo.

Acho que A Noviça Rebelde não poderia ser um símbolo melhor para a minha página, pois é uma das maiores provas de que o cinema é sim a sétima arte, repleta de magia que atravessa as gerações e continua encantando plateias das mais variadas. O filme é de uma pureza e de uma inocência que não podemos deixar se perder; não podemos perder a sensibilidade jamais. Recomendo a todo mundo, de todas as idades, até para os que torcem o nariz para musical acho que o encanto desse filme não vai passar batido, e as quase três horas passam voando. O elenco dá um show: ninguém além de Julie Andrews poderia mostrar ao mundo a beleza da música como ela o faz nesse filme. Sou fã desde O Diário da Princesa (risos) e me encantei com suas magistrais performances em Mary Poppins e na Noviça, em que ela é a alma do filme e encarna Maria von Trapp de forma tão graciosa e vivaz, que marcou de vez seu nome na história do cinema. Sua carreira mantém-se como uma das mais incríveis e variadas; uma verdadeira artista completa, e aos mais de 80 anos continua a todo o vapor conquistando novos espectadores com seus belos trabalhos. Christopher Plummer também está ótimo como o rígido, mas de bom coração, Capitão Von Trapp, além do fato dele e Andrews terem uma química maravilhosa. Destaque ainda para as crianças super carismáticas, sem esquecer também da bela e classuda Eleanor Parker, como a Baronesa.

Um grande mérito de A noviça rebelde é conseguir não ficar apenas na alegria contagiante, mas também fazer o contraste com a segunda parte da história, que mostra a ascensão do nazismo e suas consequências para a família von Trapp. O filme, além de um belo conto familiar durante a ascensão nazista, é uma história de amor pela música, como a música pode nos unir e nos guiar nos momentos felizes e também nas dificuldades que exigem ainda mais união. A certeza é que, do começo ao fim, não importa o que aconteça, as montanhas estarão sempre vivas, com o som da música!”

GALERIA

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Julie Andrews e Christopher Plummer descansando em um intervalo das filmagens.

 

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As crianças Von Trapp tentando se aquecer enquanto esperam pela próxima cena.

 

Julie Andrews and Kym Karath on the set of The Sound of Mu

Julie Andrews e a pequena Kym Karath (Gretl).

 

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Julie Andrews e o diretor Robert Wise.

 

Julie e Chris posam para Annie Leibovitz em Nova York. A foto fez parte de uma sessão especial para a revista Vanity Fair, marcando os 50 anos do filme.

 

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“We should have ended up together.” Os dois lindos conversando entre um take e outro. Mais tarde Plummer diria que os dois só não tiveram um caso por falta de tempo. Ambos afirmaram estar atraídos um pelo outro durante as filmagens, mas não ficaram juntos por uma série de fatores – incluindo o fato de os dois estavam saindo de casamentos fracassados.

A autora do post agradece imensamente a colaboração do querido Pedro Ferreira Dantas nesse post 🙂

Escrito por Camila

Formada em Letras e na Academia Douglas Sirk de sofrência e pregadora na Igreja Universal do Reino de Woody Allen. Uma professora de inglês apaixonada por musicais. Faz parte da Comissão de Avaliação, Seleção e Fiscalização, na área de Cinema e Vídeo, do Financiarte de Caxias do Sul.

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