Frankenstein (1931)

Frankenstein (1931)

A era de ouro dos estúdios em Hollywood não teria sido a mesma sem a Universal Pictures. É impossível não pensar, quando se fala sobre filmes de horror clássicos, em Bela Lugosi ou Boris Karloff, dois ícones desse gênero cinematográfico. No entanto, o sucesso desses atores não teria sido possível sem o capitão por trás dessa nave muito louca: a própria Universal. Drácula e Frankenstein emergiram junto com a identidade desse estúdio que usou o que tinha de mais característico –  seus parcos orçamentos-  para ascender ao sucesso.

No final dos anos 20, o sistema de estúdio estava a pleno vapor. Descobriu-se que era possível ganhar muito dinheiro fazendo filmes. Assim, todos queriam uma fatia desse bolo suculento chamado cinema. É o momento dos grandes produtores, que tinham tanto poder nas mãos que chegavam a rivalizar com os presidentes dos estúdios. Depois que Irving Thalberg saiu da Universal, conforme relatamos aqui, ele provou a seu antigo chefe que filmes de tipo A davam dinheiro mesmo. Fora ele quem poliu a máquina da MGM para o público e a deixou prontinha para os lucros. Carl Laemmle, presidente da Universal Pictures e antigo chefe de Thalberg, mordeu a língua. Sua visão econômica sobre cinema provou-se errônea. Quer dizer, naquele momento.

Quando o filho do chefe entrou no estúdio, ele estava disposto a mudar a política mão de vaca da Universal. Queria que o estúdio se igualasse aos grandes e pudesse competir de cabeça erguida com eles. Uma de suas primeiras medidas foi comprar os direitos da obra de Erich Maria Remarque, Nada de novo no front. Com uma visão bastante amarga da Primeira Guerra Mundial, esse foi um dos filmes temidos por Adolf Hitler justamente por conter uma visão tão sombria desse conflito. A adaptação da obra para o cinema provou-se benéfica para a Universal, que faturou o Oscar nas categorias de filme e diretor. Porém, no meio do caminho, havia uma pedra chamada crise de 29. E ela foi a glória e ao mesmo tempo a morte dos projetos grandiosos da Universal.

Pôster de “Nada de novo no front”.

Como se a Universal não fosse uma major studio como a MGM, por exemplo, a onda forte da Depressão bateu com tudo e a obrigou repensar suas estratégias de mercado. A sorte era que Tio Laemmle recusou-se a adquirir salas de cinema – os estúdios naquela época possuíam não só apenas uma fatia da bilheteria dos filmes como também salas de cinema para exibi-los, o que aumentava seus lucros -, salvando a Universal de dívidas. A saída para driblar a Depressão foi começar a produzir filmes baratos.

Drácula foi o primeiro dessa safra, inaugurando, meio que sem querer, o estilo de casa do estúdio. Cenários baratos? Sim, mas com muita classe. A Universal fazia milagres no quesito economia. Como a escuridão fosse algo de praxe nos filmes de horror, era possível reaproveitar os cenários. A Universal tinha tanta certeza de ter uma franquia de filmes de horror bemsucedida nas mãos que comprou os direitos para rodar Frankenstein semanas antes do lançamento de Drácula.

O filme é uma adaptação do romance de Mary Shelley, que conta a história de um médico, Victor Frankenstein, que desafia os limites da morte ao dar vida a um monstro criado com pedaços de outras pessoas. O romance, publicado no século XIX, foi fruto de uma aposta de Shelley com o marido, o também escritor Lord Byron, e amigos do casal. Eles apostaram quem escreveria o romance mais assustador, e adivinha quem venceu? Obviamente ninguém havia ido tão “longe” quanto Mary. Vale lembrar que o século XIX foi uma época em que esse tipo de história, de mistério e horror, estava na moda. Robert Louis Stevenson com o seu O médico e o monstro e Guy de Maupassant com seus contos de mistério, como O horla, faziam o medo da geral.

Bela Lugosi, que interpretara Drácula, fora escalado para Frankenstein mas recusou o papel. Bom para nós! A interpretação de Boris Karloff é incrível, pois ele conseguiu criar um monstro que nos causa mixed feelings. Você sente medo e empatia por ele ao mesmo tempo. O diretor, James Whale, joga com essa sensação o tempo inteiro. Quando o monstro ganha vida, a cena é absolutamente assustadora. Já no momento em que encontra Maria (Marilyn Harris), uma garotinha, na beira do rio o momento é de sensibilidade total.

O monstro e a pequena Maria.

No começo do filme temos uma pequena introdução, uma espécie de aviso de Carl Laemmle. Nela, o apresentador fala que talvez a obra possa assustar e sugere que as pessoas que não tenham estômago para tal saiam da sala. É interessante observar que o conceito de assustador mudou completamente em um século de cinema. Naquele tempo, os filmes de horror da Universal eram o que havia de mais assustador no mercado. Hoje são considerados até bobos se comparados a filmes da franquia Jogos Mortais, por exemplo.

De qualquer maneira, bobo ou não, foram esses filmes de horror da Universal que abriram caminho para tudo o que conhecemos atualmente sobre o gênero horror. E é por isso que ele merece todo nosso respeito.

Revisão do texto: Ana Rolim.

Escrito por Jessica Bandeira

Estudante de história, tradutora e noveleira.

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