Creed: nascido para lutar (2015)

Creed: nascido para lutar (2015)

One step at a time. One punch at a time. One round at a time.

Se Sylvester Stallone é um dos meus heróis de infância (sim!), muito disso se deve ao personagem Rocky Balboa, o lutador de coração mole, eternamente apaixonado por Adrian (ADRIAAAAAAN!). Sempre adorei os filmes da série – excluindo-se daí o famigerado Rocky V, de 1990. Aliás, o tema de Rocky V tem semelhanças com o novo filme da franquia; em 1990, Rocky Balboa tentava treinar um lutador jovem. No entanto, seu protegido o trai. O filme é o mais odiado da saga, inclusive pelo próprio Stallone. Sendo assim, não é estranho entender os motivos de Sly para ter receio de aceitar um novo filme, de enredo ligeiramente similar.

Mas fora o fato de ter Rocky treinando outro lutador, Creed: nascido para lutar é muito diferente. Temos Rocky agora coadjuvante, e com um novo personagem-título que não fica devendo nada para seu pai. Sim! O caçula de Apollo Creed, Adonis (Michael B. Jordan) surge para se tornar a família que Rocky Balboa precisa para lutar contra um inimigo inesperado, tanto quanto o garoto precisa de treinamento para enfrentar seus próprios fantasmas.

E o resultado é surpreendente; não é à toa que Stallone levou o Globo de Ouro de ator coadjuvante, tendo faturado o mesmo prêmio no Critics Choice Award. Alguma dúvida que o Oscar também será dele?

Quando o diretor Ryan Coogler procurou Stallone para falar sobre Creed, e a ideia de ter uma história sobre o velho rival e amigo de Rocky, Apollo Creed (Carl Weathers), morto no filme Rocky IV (1985), ele renegou totalmente a ideia. Sly estava contente com a conclusão da história do boxeador (o filme Rocky Balboa, de 2006, o sexto da franquia). No entanto, a persistência de Coogler acabou por convencer Stallone a embarcar no filme.

O primeiro ponto a se destacar em Creed é que o foco, obviamente, não está em Rocky. O Italian Stallion agora é um (muito importante) coadjuvante. A tradição da relação pai e filho entre lutador e treinador, continua muito presente aqui. Se no primeiro Rocky, de 1976, temos em Mick (Burgess Meredith) essa figura paterna, agora ela esta em Rocky (curiosamente, Stallone tem no filme a mesma idade de Meredith no primeiro filme: 69 anos). E a química entre os dois é incrível de se assistir.

Falando em Rocky: um lutador, o novo filme homenageia muito bem o início da franquia (que inclusive levou em 77 o polêmico Oscar que venceu Taxi driver). A trajetória de Adonis “Donnie” Johnson lembra muito a de Rocky em sua estreia. Mas é claro que Donnie, numa boa interpretação de Michael B. Jordan, tem suas próprias características que vão além do seu “tio”. Sim, é assim que ele se refere a Balboa, desde o início. Donnie deixa de lado o sobrenome do pai famoso que nunca conheceu (já que nasceu após a sua morte, como filho ilegítimo do boxeador). Na adolescência, o rapaz foi adotado por Mary Anne (Phylicia Rashad), a viúva de Apollo. E mesmo na infância, a vontade de lutar perseguia-o; o talento nato acompanha o desenvolvimento de Donnie, até que ele decide lutar profissionalmente, contra a vontade de Mary Anne. Assim, Donnie deixa L.A. e sai de casa rumo à Filadélfia, para encontrar um ilustre morador do lugar.

O que Donnie quer é que o velho amigo de seu pai, o célebre Rocky Balboa, o treine, para que ele seja capaz de se se tornar um boxeador profissional. Mas o que atormenta o jovem é a ideia de ser ofuscado, ficando na sombra de Apollo Creed. Donnie quer fazer nome por si próprio, e é por isso que ele utiliza o sobrenome Johnson, ao invés de Creed.

Inicialmente, o agora solitário Rocky, não quer saber de treinar o filho de seu amigo. O velho lutador, dedicado a alma de sua falecida esposa Adrian, tendo perdido também a companhia do seu eterno amigo Paullie (Burt Young), segue a vida numa espécia de piloto automático. O filho foi para o Canadá, e Rocky continua cuidando de seu restaurante, sem maiores alegrias. Para ele, a vida está praticamente acabada.

Com o passar do tempo, Donnie convence Rocky a ajudá-lo, e sem que eles percebam, um forte elo surge entre os dois, fazendo com que se tornem uma família. Nela também entra a cantora Bianca (Tessa Thompson, maravilhosa!), a vizinha, e depois namorada de Donnie. E a sintonia entre todos eles é simplesmente fantástica, dando para Rocky um novo motivo para viver. Quando o ex-boxeador se depara com aquela outra luta difícil – contra o câncer – sua nova família está do seu lado para ajudá-lo. Assim como Rocky treina e apoia Donnie, apesar de sua debilitação, na sua estreia profissional, contra o inglês-carniceiro ‘Pretty’ Ricky Conlan (Tony Bellew, lutador de verdade).

É emocionante acompanhar o desenvolvimento da relação pai-filho entre Rocky e Donnie, e o quão essencial ela é na vida dos dois.

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Sem mais delongas, recomendo que você assista o renascimento da franquia. Pelo que ouvi por aí, teremos mais filmes pela frente. E ainda temos o Oscar logo ali! Stallone foi indicado como ator coadjuvante, e minha torcida é toda dele, porque o cara se superou nesse filme. Rocky Balboa saiu, afinal, da mente de Stallone ainda nos anos 70, e sua interpretação desde sempre faz acreditar que ele É o nosso amado lutador de coração enorme. Em Creed, essa sensação fica ainda mais forte, somada à nostalgia que remete aos recém-completados 30 anos do início da franquia (frases, objetos e personagens memoráveis são relembrados a todo momento). Aguardamos. Enquanto isso, reforço a dica para que você veja logo Creed, se possível nos cinemas. As cenas de luta são incríveis e a fotografia é curiosamente bonita. Além disso, como não podia deixar de ser, tem drama, bons diálogos e humor na medida certa.

Uma ótima oportunidade de rever o Italian Stallion na telona novamente.

Escrito por Camila

Formada em Letras e na Academia Douglas Sirk de sofrência e pregadora na Igreja Universal do Reino de Woody Allen. Uma professora de inglês apaixonada por musicais. Faz parte da Comissão de Avaliação, Seleção e Fiscalização, na área de Cinema e Vídeo, do Financiarte de Caxias do Sul.

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