Amor à toda velocidade (1964)

Amor à toda velocidade (1964)

As incursões de Elvis Presley no mundo do cinema geraram, principalmente, duas coisas: baldes de dinheiro e muitas críticas severas ao astro, bem como aos roteiros dos filmes – na maioria das vezes, com razão. Mas quem realmente se importava? O negócio era destruir os cinemas e suspirar cada vez que Elvis aparecesse na tela.

Na data em que celebramos o aniversário do Rei do Rock, relembramos aquela que é considerada a sua melhor (ou menos pior) atuação: o mecânico-corredor-cantor-rebolador Lucky Jackson em Viva Las Vegas, de 1964, ao lado da beldade Ann-Margret.

A primeira coisa que preciso mencionar que Viva Las Vegas é um filme daqueles que se precisa encarar como uma diversão estilo Sessão da Tarde. O roteiro não nega que tudo é uma desculpa esfarrapada para Elvis e Ann-Margret cantarem, dançarem e darem uns pegas. E, oh boy, eles cumprem esse papel bem até demais.

Vamos ao resumo da ópera: Elvis é Lucky Jackson, um corredor, vai para Las Vegas a fim de ganhar uma bolada que o ajude a pagar  um motor novo para sua caranga. Ele até consegue na roleta, mas perde tudo, pois estava distraído pela bela instrutora de natação, Rusty Martin (Ann-Margret), que está 100% nem aí para o rapaz. Sem dinheiro nem para pagar o hotel, Lucky precisa trabalhar como garçom para quitar suas dívidas. Quando uma competição de novos talentos surge, o piloto vê a sua chance de conseguir o money para o motor, mas ele terá que competir com a multi-talentosa Rusty. Claro que os dois se amam, blábláblá, mas tem muitas idas e vindas até que os sinos da igreja soem para os lindos. Sem contar nas inúmeras performances que eles dão até ficarem juntos. Queremos! Ann-Margret dança tão maravilhosamente bem nesse filme, possuída pelo espírito da lambada, o ritmo proibido e dá à Elvis ainda mais sex-appeal. É fire meet gasoline.

E, realmente, a química entre Ann-Margret e Elvis é o que torna Viva Las Vegas assistível. Os números musicais, sobretudo aqueles em que eles estão juntos, são incríveis! O negócio entre os protagonistas era tão forte que se estendeu para os bastidores. Sim! Eles começaram um affair durante as gravações que tocou fogo no cabaré. A imprensa não sabia falar de outra coisa, e toda essa publicidade só fez bem ao filme, que foi um sucesso tremendo de bilheteria. Priscilla Beaullieu, na época ainda namorada de Elvis, vivendo em Graceland, surtou, obviamente, e foi correndo para L.A. fazer barraco no hotel, gritando que Ann-Margret “should keep her ass in Sweden where she belongs!“, se ela sabia o que era bom pra tosse. Mas com medo de ser expulsa da vida de Elvis (ele sempre ameaçava mandá-la de volta para a casa dos pais), Priscilla voltou quietinha para Graceland. Duas semanas depois, ele estava de volta, jurando que tudo tinha acabado. Na verdade, o romance entre Elvis e Ann-Margret duraria até 1967, ano em que ele e Priscilla se casaram. No livro Elvis and me, Priscilla Presley conta que essa foi a única vez que ela acreditou que realmente perderia Elvis, pois Ann-Margret foi um dos grandes amores do Rei, até o fim de sua vida.

Com toda certeza, Viva Las Vegas está bem longe de ser um dos melhores filmes que você viu na vida, mas é bem divertido, apesar de seu roteiro bobo e repleto de furos. Ann-Margret e Elvis fazem valer a pena a sessão, assim como a trilha sonora inesquecível (a canção-título sempre consegue despertar o Sidney Magal que vive dentro de mim).

É parte do legado do Rei do Rock, e da lenda que ele se tornou. Long live the King!

Escrito por Camila

Formada em Letras e na Academia Douglas Sirk de sofrência e pregadora na Igreja Universal do Reino de Woody Allen. Uma professora de inglês apaixonada por musicais. Faz parte da Comissão de Avaliação, Seleção e Fiscalização, na área de Cinema e Vídeo, do Financiarte de Caxias do Sul.

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