Feira de Ilusões (1945)

Feira de Ilusões (1945)

É isso aí, galera, vai ter musical com Dana Andrews e Jeanne Crain sim!

Os anos 40 trouxeram consigo alguns dos melhores musicais de todos os tempos. O sucesso da peça “Oklahoma!”, composta por Rodgers and Hammerstein e lançada em 1943, chamou a atenção da Century Fox. O estúdio solicitou que a dupla fizesse uma versão musical de “State Fair”, filme estrelado por Janet Gaynor em 1933 que obteve diversas indicações ao Oscar, inclusive a de Melhor Filme.

“Feira de Ilusões” (título nacional, que bem poderia ser um documentário sobre nossa vida) é o primeiro entre os grandes musicais compostos por Rodgers and Hammerstein, muito antes de “A Noviça Rebelde”, “Carrossel” e a versão cinematográfica de “Oklahoma!”. A direção é assinada por Walter Lang, que dirigiu vários daqueles filmes bonitinhos da Shirley Temple e, anos mais tarde, “O Rei e Eu”.

Alguns meses atrás eu estava procurando os DVDs da Coleção de Musicais de Rodgers and Hammerstein, sem sonhar que encontraria Dana Andrews “soltando a voz” com Jeanne Crain no meio de um parque de diversões, dividindo uma maçã do amor. Cê vê só como a gente quebra a cara com os estereótipos em Hollywood, não?

statefair3Com uma primorosa fotografia em technicolor, a segunda versão de “State Fair” (existe ainda uma terceira versão, realizada em 1962, estrelada por Pat Boone e Ann-Margret) é puro escapismo. Da mesma forma que não havia qualquer menção à Depressão no filme de 1933, a Segunda Guerra nem chega perto da cidadezinha caipira onde a trama acontece.

Para mim, “State Fair” perde para outros clássicos musicais pelo simples fato de ser estrelado por artistas que não eram do meio. Não dá para comparar Jeanne Crain e Dana Andrews com Gene Kelly e Judy Garland, por exemplo. Entretanto, isso não significa que não possamos nos divertir um bocado. O filme teve um orçamento de mais de $2 milhões e foi uma das grandes produções da FOX para esse ano.

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Logo no início do filme, a música “Our State Fair” anuncia a empolgação da família Frake acerca da Feira Estadual que visita a cidade uma vez ao ano. O festerê conta com diversas atrações, parque de diversões, pista de dança e muitas competições. A matriarca Melissa (Fay Bainter, vencedora do Oscar de melhor atriz coadjuvante por Jezebel) se inscreve na competição de uma categoria culinária e somente o primeiro lugar a deixará satisfeita. O Sr. Abel Frake inscreve o porquinho Blue Boy para disputar a famosa fita azul da feira… Já os filhos do casal têm ambições muito maiores sobre a feira estadual: conhecer o amor. É esse clima (fantasioso feat. guilty pleasure) que dá início à essa comédia no melhor estilo Sessão da Tarde. E quando eu digo Sessão da Tarde, me refiro a cenas com peripécias de um porquinho apaixonado, entre outras piadas manjadas e infalíveis.

statefairgif3A canção mais conhecida do filme é a romântica “It Might as Well Be Spring”, executada na primeira cena de Margy Frake (Jeanne Crain), em que a personagem demonstra esperar mais da vida do que um casamento previsível com um antigo pretendente e o sentimento de querer viver algo emocionante. Essa cena nos lembrou de “Meet Me In St. Louis”, em que Judy Garland também aparece numa janela cantarolando uma cantiga de amor. Detalhe, em “State Fair”, ambos protagonistas Jeanne Crain e Dana Andrews são dublados e o filme marca a rara ocasião em que a música vencedora do Oscar é dublada, e não interpretada por quem aparece na tela.

Algo que poucos sabem é que Dana Andrews foi pra Califórnia no início da carreira se apresentar como cantor, e só depois acabou inscrito em uma escola de teatro. Na época em que “State Fair” foi realizado, a Century Fox não sabia de suas habilidades e contratou Ben Gage para dublar sua voz em “It’s A Grand Night For Singing”. Alguns anos depois, Dana confessou que nunca disse nada ao estúdio porque se deu conta de que o cara que contrataram para dublá-lo “needed the job”! “State Fair” foi lançado entre seus melhores trabalhos no cinema, o ator tinha acabado de explodir como protagonista de “Laura” e, em seguida, obteve destaque como o soldado que retorna da guerra em “The Best Years of Our Lives”.

Um defeito, ou talvez um fator que tenha prejudicado o clímax do filme, é que nenhum personagem parece ter uma grande questão humanitária ou algum aspecto sombrio que os ameace. “Feira de Ilusões” gira em torno de problemas comuns e a trama não se compromete muito além de fazer algumas piadas enquanto seus protagonistas se apaixonam.

A fotografia de “State Fair” é um caso à parte. Diversos takes são fotografados quase como pinturas, uma visão extremamente ingênua e romântica, característicos desses musicais em technicolor dos anos 40. Da série: não se faz mais cinema assim. Sou totalmente suspeito pra falar, ainda mais em tempos de caos nos noticiários de TV, mas assistir filmes como esse é uma delícia.

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Revisão do texto: Pâmela Lima

Escrito por Guilherme

Still tryin' to find my place in the sun.

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