Os seus, os meus e os nossos (1968)

Os seus, os meus e os nossos (1968)

Eu simplesmente adoro descobrir filmes do povo da Old Hollywood que eu nem tinha ideia que existiam. Aconteceu antes com Que papai não saiba, que me fez levar um tiro devido a parceria Rogers-Stewart. Aliás, falando em Ginger e Jimmy, o filme que descobri por esses dias, traz como protagonistas exatamente seus respectivos melhores amigos: Lucille Ball e Henry Fonda.

Hank e Lucy me surpreenderam positivamente em Os seus, os meus e o nossos. Eu não fazia a mínima ideia de que esse filme tinha uma versão original de 1968. Conhecia, é claro, aquela com o Dennis Quaid, mas obviamente, a versão de 1968 deixa seus remakes no chinelo.

Os seus, os meus e o nossos tem todos os ingredientes daquelas comédias tipo família que passam na Sessão da Tarde: mensagens bonitinhas, crianças purgantes e momentos muito, mas muito engraçados.

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O papai se vira como pode.

Lucy é Helen North, uma enfermeira viúva de um oficial da Marinha, e mãe de oito anjinhos. Isso mesmo, oito! É claro que a coitada não tem tempo para praticamente nada, já que administra um exército em casa. Seus amigos decidem que ela precisa de um marido (imagina que não!), e ela embarca numa série de encontro às cegas desastrosos.

Enquanto isso, Hank é Frank Beardsley, pai de uma tropa de 10! Frank também é viúvo e é oficial da Marinha. Quando seu amigo Darrel (Van Johnson) começa a insistir que Frank procure uma namorada, nada dá certo, até que ele conhece Helen por acaso em um supermercado, e se interessa pela enfermeira, e logo Darrel, que é um amigo em comum, resolve juntar os dois pra ver no que dá. As cenas do primeiro encontro deles provocou em mim gargalhadas histéricas por contas das trabalhadas de Helen, que está “destreinada” na arte do encontros, e acaba tendo problemas com seu vestido e com os cílios postiços, que teimam em cair.

Claro que os dois pombinhos ficam receosos nesse encontro, e no começo, nenhum deles revela que tem seu próprio exército em casa, com medo de assustar o outro. Quando eles descobrem, no entanto, já é tarde demais; Helen e Frank vão casar e serão… vinte! O problema é fazer com que os pestinhas de ambos os lados aceitem a nova família. É claro que eles vão dificultar para os felizes papais recém-casados.

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Na primeira visita de Helen à casa de Frank para conhecer seus filhos, eles gentilmente a embebedam, fazendo com que a coitada faça fiasco durante o jantar.

O casamento e a vida cotidiana da enorme família Beardsley são a melhor parte do filme; a maneira com que eles se organizam, fazem compras e brigam (não necessariamente nessa ordem), até os filhos de ambos se aceitarem como uma família, é hilária. Realmente não imaginei que iria rir tanto com esse filme. E vocês aí pensando que a família Von Trapp era grande…

Falando nos Von Trapp, aliás, a história dos Beardsley também é real! Sim, Lucille Ball comprou os direitos do livro de Helen Beardsley ainda na década de 1950, pois adorou a história. Originalmente, o filme seria estrelado por Lucy e Desi em 1959, mas diversos problemas de elenco ocorreram, e em 1960, o casal se divorciou, e a procura pelo elenco perfeito se estendeu até o fim da década de 1960, quando finalmente Fred MacMurray foi escolhido para ser o par de Lucy. E no entanto, Fred teve alguns problemas e precisou pular fora do projeto. Assim, Henry Fonda, um velho amigo e ex-namorado de Lucy foi chamado, e tudo ficou certo.

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Hank e Lucy sendo adoráveis em um intervalo das gravações.

Segundo Jane Fonda, em uma entrevista para Barbara Walters, seu pai era profundamente apaixonado por Lucy, e que durante as gravações de Os seus, os meus e os nossos, os dois ficaram muito próximos, e ninguém sabe ao certo se o encontro rendeu fora do set. Na verdade, Lucy e Hank foram namorados na década de 1930, após serem apresentados por seus BFFs, Ginger Rogers e James Stewart, e já haviam trabalhado juntos em Rua das ilusões, em 1942. Na época, Desi Arnaz, que casou com Lucy em 1940, rondava o set, com medo de que Hank e Lucy resolvessem estrelar um vale a pena ver de novo. A verdade é que os ex-namorados continuaram bons amigos pelo resto da vida, o que transparece muito bem nas cenas de Os seus, os meus e os nossos. 

Outro fato curioso sobre a produção, é que Lucille se tornou próxima da verdadeira família Beardsley, inclusive levando todos eles (incluindo os dois filhos que o casal teve depois do casamento) em uma viagem de férias para a Disney. Essa ruiva, segundo relatos, podia ser uma megera, mas também podia ser uma pessoa muito doce. Não é uma linda?

Sem mais delongas, Os seus, os meus e os nossos é altamente recomendável se você quer uma dose master de gargalhadas e uma pitada de fofura. E fez um sucesso enorme na época, surpreendendo todos os envolvidos na produção. Incluindo Lucille, que perdeu de ter participação na bilheteria e ficou fula da vida.

Eu sugiro que, antes de se arriscar com o remake, tente esse beleza antes. É diversão garantida.

Escrito por Camila

Formada em Letras e na Academia Douglas Sirk de sofrência e pregadora na Igreja Universal do Reino de Woody Allen. Uma professora de inglês apaixonada por musicais. Faz parte da Comissão de Avaliação, Seleção e Fiscalização, na área de Cinema e Vídeo, do Financiarte de Caxias do Sul.

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