Dirty Dancing (1987)

Dirty Dancing (1987)

Vamos falar de coisa boa, vamos falar de guilty pleasure!

O meu guilty pleasure absoluto é quase uma unanimidade entre mamães e titias, um clássico da Sessão da Tarde que consagrou Patrick Swayze como galã e símbolo sexual.

Sim! Estamos falando de Dirty Dancing – Ritmo quente, o filme que eu mais vezes assisti na vida, aquele que eu sei absolutamente todas as falas, e que formou meu caráter.

E quê trilha sonora, meus amigos!

Hoje abro meu coração envergonhado aqui no Cine Espresso, pra falar do meu guilty pleasure mais amado.

tumblr_m4fb2yeh7t1qkkpn7o1_500

Não consigo me lembrar da primeira vez que assisti Dirty dancing. Não lembro se me emprestaram, se peguei na locadora ou se vi na Sessão da Tarde. A única coisa que lembro é que, assim como aconteceria anos mais tarde com Footloose Aconteceu naquela noite, eu assistia ele toda semana, ás vezes mais de uma vez por semana, e (confesso) de vezes em quando até duas vezes seguidas no mesmo dia. Esse filme preenchia meu coração romântico de 11, 12 anos de idade, e eu simplesmente não podia evitar. Estava perdidamente apaixonada pela minha cópia gravada de Dirty dancing. Um ano ou dois mais tarde, uma cópia original e comemorativa do filme veio (sem capa mesmo) de brinde junto com o primeiro DVD que compramos. Era uma óbvia prova do destino de que eu e esse filme tínhamos nascido um para o outro.

Mas o que atrai tanta gente (e euzinha) nesse filme?

tumblr_static_tumblr_static_dhznz85nfdc888swok0kkkok8_640

A história é até simplória: é 1963. Uma garota (Jennifer Grey) que faz o tipo nerd, ecochata, idealista e patinho feio da família nas horas vagas, chamada carinhosamente pelo apelido de Baby, viaja com os pais e a irmã mais velha fútil para um resort. Baby conhece sem querer o Lado B do local; enquanto os frequentadores almofadinhas dançam foxtrot no salão, os empregados se divertem nos fundos dançando lambada, o ritmo proibido uma dança louca e sensual, que mistura vários ritmos, e que é estritamente proibida pelos donos do local. Como Baby é toda queridinha e boa moça, ela resolve ajudar uma das dançarinas do local, Penny (Cynthia Rhodes), e substituí-la em uma apresentação em outro hotel. É aí que entra o dançarino boa pinta Johnny (Patrick Swayze), parceiro e amigo de Penny, e que precisa em poucos dias transformar Baby em uma dançarina boa o suficiente para se apresentar com ele. É claro que nesse meio tempo um belo sentimento surgirá entre eles, e o resto vocês já imaginam.

Baby vai fazer aquela “viagem ao centro de mim”, e de repente, para ela, o mundo já não é mais o mesmo.

Por baixo dessa reles sinopse, Dirty dancing acaba por discutir, de maneira meio rasa, questões como a hipocrisia social, as expectativas que pais criam sobre os filhos, o abismo entre classes e o aborto (na personagem de Cynthia Rhodes). E é claro, temos o clássico dilema de Rica e Pobre se apaixonam – e agora?

tumblr_m6yvwq3Dks1qfd0aeo1_500

Na verdade, tudo parece, no fim das contas, somente uma bela desculpa para colocar os atores para dançar ao som de maravilhosos clássicos da década de 1960, e outros novos (agora velhos) hits, como a música-tema (I’ve had) the time of my life, que inclusive ganhou o Oscar de Melhor Canção Original, no ano seguinte.

Claro que não vamos esquecer o plot romântico, que arranca suspiros das sonhadoras românticas, com todas as danças sensuais, frases de efeito e declarações apaixonadas. Um clássico do gênero filme de mulherzinha, sobre o qual falei, aliás, no post sobre Sintonia de amor. Um tipo de filme capaz de fazer uma menina de 11 anos criar aquelas doces fantasias irreais.

A maneira com que os dois personagens salvam um ao outro é simplesmente irresistível demais. Baby faz com que Johnny consiga ver a si mesmo como um ser humano digno de respeito pela primeira vez na vida, enquanto que ele mostra pra garota que o mundo vai muito além das ilusões que ela criou pra si mesma.

tumblr_meh68en3AG1qbwxizo1_500

A química entre os intérpretes de Johnny e Baby é inegável, mas o que pouca gente sabe é que Jennifer Grey fez Patrick Swayze perder a paciência muitas vezes durante as filmagens. E ela o detestava desde que os dois haviam contracenado em Amanhecer violento, de 1984. E Patrick Swayze conta em sua biografia que Jennifer era sentimental, e costumava chorar se alguém a criticasse. Isso quando ela não bancava a adolescente tonta, e ficava rindo sozinha, forçando a equipe a ter que refazer uma cena diversas vezes. No entanto, em alguns momentos as bobices de Jen deram certo. Um exemplo está em uma das sequências em que Baby aprende a dançar; as reações são genuínas: ela não parava de rir, ele estava de saco cheio. O diretor Emile Ardolino gostou tanto da cena, que acabou deixando que entrasse no filme, porque se encaixava bem na história.

anigif_enhanced-buzz-6984-1385154754-10

Outra cena que entrou no filme e não estava no script, foi a sequência Love is strange, onde o casal está num estúdio de dança. Os dois atores esperavam a hora da cena, e começaram a brincar ao som da música. Ficou tão natural ao clima do filme, que o diretor adorou e colocou no filme.

tumblr_mj0qu90nys1qdvumko9_250

Dirty dancing foi um sucesso estrondoso de público, surpreendendo todos os envolvidos na produção. A equipe acreditava tão pouco nele, que inicialmente o filme iria ser lançado diretamente em vídeo. Mas quando Dirty dancing fez um sucesso absurdo na única semana em que saiu nos cinemas, eles viram que a história não era bem assim. A trilha sonora foi uma das mais vendidas da história (hey, foi com ela que eu conheci Otis Redding e Solomon Burke!), e o filme foi relançado, a pedido do público e com grande sucesso, nos cinemas em 1997.

Nada mal para um guilty pleasure, hein?

E só de falar dele, já me deu vontade de rever…

Ai, não esperem por mim acordados!

tumblr_m8zld6HBai1rvk0h5o1_500

Meu herói tocando fogo no cabaré

Escrito por Camila

Formada em Letras e na Academia Douglas Sirk de sofrência e pregadora na Igreja Universal do Reino de Woody Allen. Uma professora de inglês apaixonada por musicais. Faz parte da Comissão de Avaliação, Seleção e Fiscalização, na área de Cinema e Vídeo, do Financiarte de Caxias do Sul.

Comentários

Comentários

1 Comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

                                    
Encontre-nos no Facebook
Filmes por Ator:
                                                                                                                       
Filmes por Atriz:
                                                                                                                       
Filmes por Diretor: