Pink Floyd The Wall (1982)

Pink Floyd The Wall (1982)

Is there anybody out there?

Há alguns anos atrás, na faculdade, eu era apenas uma simples poser em matéria de Pink Floyd, até conhecer e virar super amiga de um cara da História, que me apresentou for real essa banda fantástica. Um belo dia ele chegou com um DVD, com uma capa que na época achei bizarra, dizendo que eu precisava mesmo assistir aquilo pra ontem. É claro que fui isso que eu fiz. E fiquei imediatamente embasbacada. E apaixonada pelas coisas que são capazes de sair da mente de Roger Waters.

The Wall é um filme perturbador e metafórico, de uma maneira que eu nunca tinha visto antes. Através das músicas do álbum homônimo, a história de Pink Floyd, um rockstar transtornado pelos fantasmas da infância, a superficialidade da fama e das relações que o cercam.

É uma viagem, no melhor sentido que a palavra pode ter, digna da mente da qual saiu. E como nessa semana comemoramos o dia mundial do Rock, nada melhor do que relembrar esse clássico cult aqui no Cine Espresso.

Roger Waters (enchendo o saco, pra variar) no set.

Em 1979, os integrantes do Pink Floyd (Roger Waters, David Gilmour, Nick Mason e Richard Wright) estavam extremamente de saco cheio uns dos outros. A mudança de uma banda que tocava no underground de Londres para um super grupo que lotava estádios, afetou o funcionamento do Floyd. O sucesso de The dark side of the moon causou isso, e começou uma batalha de egos. O auge foi quando, em 1977, durante um show, Roger Waters cuspiu na cara de um fã que ficava gritando o tempo inteiro que a banda tocasse Eugene. David Gilmour ficou puto, e não quis voltar para o bis, e até mesmo Roger se assustou depois com a atitude que tivera. Ele começou a pensar então que aquela havia sido uma atitude fascista de sua parte. Começava assim a nascer The wall, com a temática de uma banda alienada diante do seus fãs, agindo como verdadeiros fascistas, decidindo quem pode ou não assistir ao seu show ou mesmo gostar da música. Enquanto David e Rick gravavam álbuns solos, Waters mergulhou de cabeça na trama que havia criado, desenterrando todos os seus fantasmas. Nascia assim, o álbum The wall, que Roger praticamente enfiou goela abaixo de seus companheiros de banda, que foram quase que meramente músicos de apoio no seu projeto megalomaníaco.

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Desde o início, a ideia de um filme rondava a cabeça de Waters, pois o álbum todo é uma narrativa, baseada  nas viagens mentais e perturbações desse cara chamado Pink Floyd, uma mistura de alter-ego de Roger e da história de Syd Barrett, ex-líder da banda, que afundou de vez nas drogas, acabando por tornar-se esquizofrênico.

Inicialmente, o musical seria estrelado pelo próprio Waters (pense num cara que se ama), mas como ele e o diretor do projeto, Alan Parker viviam às turras, Bob Geldof (aquele que criou o Live Aid) foi chamado. Inicialmente, ele não queria, pois não gostava da música do Pink Floyd. Mas ele acabou aceitando. Claro que deve ter sido um inferno, já que Roger Waters enchia o saco de todo mundo o tempo todo, impondo ao diretor o que ele queria que fosse feito. Por isso, Alan Parker se refere ao filme como “o mais caro filme de estudantes já feito”. E que filme de estudante, meu amigo!

 No início de The wall, fica claro que entramos na mente perturbada de Pink, que está sentado sem expressão nenhuma no rosto. Ele olha para o nada. Pink foi criando ao longo dos anos uma barreira envolta de si para se proteger de tudo; é o muro do título. E ele simplesmente não sabe como sair dele.

TheWall_005PyxurzCada acontecimento da vida de Pink é como mais um tijolo colocado nesse muro: a perda do pai na guerra, quando ele era criança; a superproteção da mãe, ocasionada pela morte do marido (eu sinto que Freud amaria esse filme, se estivesse vivo); o professor tirano que o humilhava constantemente na escola; o casamento problemático; e, ocasionalmente, a fama e sua superficialidade. Tudo isso é contado através de quase todas as canções de The wall (algumas, como Hey you, acabaram ficando de fora, mas estão nos extras do DVD).

Por meio dessa história, The wall é uma metralhadora de críticas que Roger Waters aponta para o mundo. A mais famosa mensagem desse filme, talvez seja a severa crítica à educação feita em Another brick in the wall, sequência na qual vemos um professor tiranizado pela mulher em casatumblr_nkgxazI8mb1s1ff9fo8_r1_400, descontando suas frustrações em seus alunos, e também como a escola tradicional de maneira geral, quer moldar os alunos, tornando-os basicamente em objetos inanimados. A imagem dos alunos caindo dentro de um moedor de carne é invocada duas vezes no filme: na já famosa parte em que os alunos usam máscaras desfiguradas e também em uma animação, que, aliás, está presente em diversos momentos, em outras músicas.

Isolado em seu próprio mundo, comfortably numb, Pink acaba imerso em uma trama onde ele é o líder de uma seita neo-nazista, que pretende limpar a sociedade de seus males. Ele acaba sendo levado à julgamento, enfrentando todos seus fantasmas do passado e obrigado a destruir o muro.

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 The wall é um filme extremamente metafórico, aberto às mais diversas interpretações. Nem tentei fazer uma análise aqui, canção por canção, até por que a semana terminaria, e você ainda estaria aqui lendo. É mais a nossa forma de lembrar desse filme fantástico, e sugerir que você corra pra ver, de preferência de mente aberta e espírito preparado.

É maravilhoso, é megalomaníaco, é uma viagem ao fundo de mim (já dizia Rita Lee).

É Pink Floyd. E, isso só, já basta.

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Olha aí o Roger Waters pentelhando de novo.

P.S.: minha sequência favorita do filme é Comfortably numb. Dá só uma espiada nessa maravilha.

P.S.²: muitas sequências são baseadas não só em acontecimentos da vida de Roger Waters (como a perda do pai na guerra, por exemplo), mas também em Syd Barrett. Roger conta que uma vez entrou no quarto de Syd e o viu exatamente como Pink no início do filme: olhando para o nada, apático e com um cigarro queimado entre os dedos. Outra sequência totalmente baseada em Syd, é a cena em que Pink depila não só as sobrancelhas, mas também raspa os cabelos e todos os pelos do corpo. Muitos amigos de Barrett contam que foi perturbador assistir o filme, lembrando do quão semelhante várias passagens eram com a história de Syd.

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Escrito por Camila

Formada em Letras e na Academia Douglas Sirk de sofrência e pregadora na Igreja Universal do Reino de Woody Allen. Uma professora de inglês apaixonada por musicais. Faz parte da Comissão de Avaliação, Seleção e Fiscalização, na área de Cinema e Vídeo, do Financiarte de Caxias do Sul.

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