Grande Hotel (1932)

Grande Hotel (1932)

Grand Hotel was a grand film, a grand experience in my life. I’m so proud. I was thrilled when I heard I was going to do be doing it. I only wanted to be worthy.

Joan Crawford

No começo dos anos 30 não tinha para ninguém: Irving Thalberg era o cara. Este moço na casa dos 20 anos , ambicioso e com um faro incrível para o que agradava as plateias, realizou uma revolução silenciosa no cinema. Quando pensamos na MGM dos anos 30, no “sistema” que elevou esse estúdio ao posto de um dos maiores da época, é o nome Irving Thalberg que vem aos lábios. Ao lado de Louis B.Mayer, ele formou uma das duplas mais dinâmicas de figurões do cinema. Grande Hotel é a política Thalberg-Mayer levada ao extremo: grandes estrelas, orçamentos caros, glamour, muitas reescritas e retakes. E os caras entendiam tanto do riscado que esse filme foi um dos grandes hits de 1932 e ainda faturou o Oscar de melhor filme!

Ao contrário do que se pensa, os estúdios de cinema não levaram uma chapuletada tão forte nas orelhas quando a Crise de 29 chegou. Na realidade, eles lucraram muito com filmes e estabeleceram um estilo próprio. Por exemplo, o estilo da Warner Brothers era filmes com diálogo rápido e cortes idem, com temática voltada para o povão e dramas protagonizados por mocinhas pobres. Já a MGM tinha um estilo muito diferente, voltado para o glamour. Isso não parecia uma ideia muito boa, afinal estávamos no meio de uma crise e em tempos de vacas magras o ideal é cortar os gastos. Não com a MGM, bebê! Foi por causa de iniciativas ousadas como essa que esse estúdio era um dos que mais lucravam, mesmo com o efeitos da Crise de 29. E como dissemos no começo do post, o responsável por essa virada foi Irving Thalberg.

Depois de ter quebrado pratos com o presidente da Universal Pictures, conformei contei em um de meus últimos textos, Irving foi trabalhar na MGM. O tal “sistema” que colocou a MGM no topo consistia em idas e vindas (do amor? NÃO!) dos scripts. A geringonça funcionava assim: Irving discutia eternamente um script com os roteiristas, mudava o que  achava necessário, o filme começava a ser filmado, ele assistia aos dailies, o filme ficava pronto, ele assistia ao bendito e se estivesse ruim mandava de volta para a pós-produção. Por isso o estúdio demorava às vezes até três anos para terminar um script, pois ele passava pelas mãos de diversos escritores e por um número imenso de  revisões. O resultado era filmes de roteiros, cenários e atuações impecáveis.

Com Grande Hotel não foi diferente. Irving discutiu cada detalhe do script com o diretor Edmund Goulding, desde a escolha dos atores até as cenas que deveriam ser cortadas. A MGM financiara a versão de Grande Hotel na Broadway com a garantia de que teria os direitos para transformar o romance de Vicki Baum em filme. Esse bestseller alemão foi inspirado na vida da própria autora que trabalhara dois anos como camareira de um grande hotel em Berlim.

O nome dela é Joan Crawford e o apelido é quero lacrar.

O filme entrelaça a história de cinco personagens: a da bailarina Grusinskaya (Greta Garbo), a do Barão Von Geigern (John Barrymore), a do empresário Preysing (Wallace Beery), a da estenógrafa Flaemmchen (Joan Crawford) e a de Kringelein (Lionel Barrymore). Mais estrelas que o céu? Certamente Grande Hotel tem, pois a nata do cinema do começo dos anos 30 se reuniu para rodar esse filme. Nossos cinco personagens estão hospedados no Grande Hotel em Berlim, um lugar pra lá de fino. Para mostrar o glamour do hotel, Edmund Goulding sugeriu uma cena que mostrasse a trajetória de um prato de sopa, desde a saída da cozinha até ser entregue a um hóspede. Através disso poderíamos ver a grandeza e o tamanho do lugar, no entanto a ideia fora rejeitada por Thalberg. No fim das contas, o filme começa com as telefonistas do Grande Hotel atendendo e repassando ligações. Essa foi uma forma que Thalberg e Goulding encontraram para estabelecer a importância do telefone na trama, pois o maior plot twist do filme está ligado a esse magnífico objeto. As personagens do filme nos são apresentadas na cena seguinte, enquanto falam ao telefone.

O saguão do hotel visto de cima

É muito difícil dizer quem atuou melhor nesse filme. Poderíamos, ao invés disso, evocar os aspectos dos bastidores para entender por que os atores parecem estar numa sintonia tão perfeita. O parentesco entre Lionel Barrymore e John Barrymore, maninhos e grandes atores, contribuiu para que acreditássemos na relação que se estabelece entre o paupérrimo Kringelein e o rico Barão. Os dois têm momentos memoráveis juntos, mas o meu favorito é quando eles apertam as mãos e se declaram oficialmente amigos. Logo depois o Barão diz ao novo amigo que pode falar com ele sempre que quiser e que não tem amigos, então Kringelein o olha humildemente e diz:

Amigos, Barão.

Ele estava se referindo ao pacto de amizade que haviam feitos minutos atrás. Para mim é o supra sumo da humildade de Kringelein, um homem pobre, com uma doença terminal e que decide passar os últimos dias de sua vida no Grande Hotel.

E o que dizer sobre Greta Garbo e John Barrymore? MÃE, O FORNINHO CAIU!

Fire meet gasoline!

Esses dois lindos simplesmente protagonizaram uma das sequências mais bonitas de amor do cinema clássico. Muito dessa sintonia, do fire meet gasoline que vemos na cena é fruto da relação de admiração e camaradagem que se estabeleceu entre eles. Tanto Greta como John estavam receosos em trabalhar um com o outro. Ela acreditava que ele era um narcisista; ele tinha ouvido boatos de que ela era temperamental. No primeiro dia de gravação, Greta estava atrasada e John ficou furioso. Na verdade, ela esperava por ele no lado de fora para entrarem de braços dados no estúdio (como não te amar, Garbo?). Quando entraram, ela teria dito:

Esse é um dia muito feliz para mim. Que prazer trabalhar com o grande John Barrymore!

Barrymore beijou a mão dela e respondeu: “Minha mulher e eu achamos que você é a mulher mais adorável do mundo”. E foi assim que nasceu uma relação de respeito e admiração mútuos. Garbo gostava tanto dele que se deixou ser fotografada ao seu lado no set e essas fotos foram usadas para promover o filme.

Do jeito que você me olha vai dar namoro…

Outra curiosidade envolvendo Garbo diz respeito a Joan Crawford. Todos os dias a atriz passava pelo camarim de Greta e dizia: “Good morning, Miss Garbo”. Ela nunca recebia resposta, mas continuou fazendo isso. Um dia Crawford estava atrasada e não teve tempo de dar oi. Nessa ocasião a estrela saiu de seu camarim e disse: Alô. Joan teve um momento fangirl ao lado de Garbo também. Para ela, Grande Hotel foi um grande filme, que lhe deu a oportunidade de trabalhar ao lado dos maiores nomes do cinema naquele tempo, sobretudo Garbo. Elas não rodaram nenhuma cena juntas em Grande Hotel, porém Joan conta na biografia Not the girl next door que um dia ela e Greta se cruzaram na escada. Crawford não sabia o que fazer e pediu licença à atriz. Para a surpresa da geral a atriz sueca tomou o rosto de Joan nas mãos e disse:

Oh, I am so sorry. We have no scenes together. I am so sorry.

Foi como ser tocada por Deus. Nós entendemos, Joan!

Grande Hotel é sem dúvidas um dos maiores filmes realizados da era de ouro de Hollywood. O glamour e nostalgia dos quais sentimos falta estão ali. Há o house style da MGM, uma espécie de escapismo que era marca dos filmes desse estúdios. Irving Thalberg sonhava em trazer os ricos, aquelas pessoas que nunca iam ver filmes ao cinema. Se ele conseguiu isso? Não sei. O que sei é que anos vão anos vem e Grande Hotel continua sendo apreciado pelas plateias de diversas idades.

Escrito por Jessica Bandeira

Estudante de história, tradutora e noveleira.

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