O fantasma apaixonado (1947)

O fantasma apaixonado (1947)

You can be much more alone with other people than you are by yourself, even if it’s people you love.

Filmes que tratam de alguma maneira do sobrenatural, mas sem um pingo de assustador. Taí uma coisa que eu gosto. Foi assim com Sortilégio de amor. Foi assim também com O fantasma apaixonado, filme que descobri quase que por acaso. Sentei para assistir também por acaso, em um sábado à noite qualquer. E logo eu estava encantada pelo charme desse filme, dirigido pelo maravilhoso Joseph L. Mankiewicz e com uma trilha arrebatadora de Bernard Herrmann.

Apesar do que o título bobo em português sugere, O fantasma apaixonado não tem nada de infantil. Protagonizado por Rex Harrison (o queridinho do Mankiewicz) e pela belíssima Gene Tierney, o filme apresenta uma história que envolve o espectador, provoca ótimas risadas e, de quebra, ainda foge do clichê.

Gene Tierney é a Mrs Muir do título original (The Ghost and Mrs. Muir), é uma viúva que decide deixar a casa onde vive com a cunhada e a sogra,  na Londres no início do século XX. Lucy Muir leva a filha (uma adorável Natalie Wood) e a empregada consigo e parte para viver no litoral, um sonho que sempre alimentara. Para sustentar a sua pequena família, Lucy conta com uma mina deixada pelo falecido marido. Ao chegar em Whitecliff, ela procura um corretor de imóveis, e logo se interessa pelo baixo preço do Refúgio das Gaivotas, uma linda casa próxima a um penhasco, mas que tem a fama de mal-assombrada na cidade – o que fascina a jovem viúva. O corretor exita em mostrar a casa, pois jamais conseguiu alugá-la, devido a… um ligeiro problema, que insiste em permanecer na casa. Lucy fica com a casa, apesar da insistência do corretor. E voilà! Temos início ao plot todo de The Ghost and Mrs. Muir.

 Nos primeiros momentos na nova casa, Lucy fica intrigada com a história do Capitão Daniel Gregg (Rex Harrison), o antigo dono na casa, que suicidara-se anos atrás, e que, segundo a lenda local, continuava a assombrar a casa. Ela acha graça da história, mas à noite, tem a oportunidade de conhecer o Capitão em carne e… digo, em névoa, e made of ousadia feat alegria. Desde o início, Mrs Muir trava um diálogo com o desbocado fantasma, que faz de tudo para tentar assustar a moça, e fazer com que ela abandone a casa. Mas, logo, o fantasma turrão se deixa contagiar pela simplicidade, beleza e carisma da viúva, e os dois se tornam amigos e companheiros de todas as horas.

Essa improvável amizade mostra-se essencial para os momentos de dificuldade de Lucy e, mais adiante, Daniel torna-se seu guia e mentor. Como Lucy Muir pode escolher entre a vida real e o seu querido Capitão Daniel com seus eternos praguejamentos, que já fazem parte do seu próprio linguajar?

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Tudo se complica quando ela conhece Miles Fairley (George Sanders, o melhor coadjuvante de qualquer filme, ever), um autor infantil, e se interessa por ele. Finalmente, Lucy precisa escolher entre o adorado Daniel e o galante Miles. Será a escolha mais acertada?

Cheguei até aqui tentando dar o mínimo possível de spoiler. O fantasma apaixonado é um filme que precisa ser visto, acima de tudo, sem expectativas e com pouco conhecimento do desenrolar da trama. Foi assim que funcionou comigo. E fui conquistada desde os primeiros minutos desse filme repleto de diálogos deliciosos e insinuações feitas para driblar a censura que vigorava na época – tem algo mais maravilhoso que as expressões faciais e o vocabulário malicioso do Capitão Daniel?

Uma comédia querida o suficiente para se tornar uma série nos anos 60.Efeitos especiais fantásticos para a época em que foi filmado. A música de Bernard Herrmann. Um roteiro charmoso. Natalie Wood adorável. A malemolência do George Sanders. A rabugice eterna do Rex Harrison. A Gene Tierney, e oseu talento gigantesco. Um casal improvável.

Corra logo para assistir!

Escrito por Camila

Formada em Letras e na Academia Douglas Sirk de sofrência e pregadora na Igreja Universal do Reino de Woody Allen. Uma professora de inglês apaixonada por musicais. Faz parte da Comissão de Avaliação, Seleção e Fiscalização, na área de Cinema e Vídeo, do Financiarte de Caxias do Sul.

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