Cantando na Chuva – Edição de colecionador

Cantando na Chuva – Edição de colecionador

Durante o mês de Junho fiquei ansiosa esperando uma encomenda chegar (quem nunca?), com aquela sensação que tinha na infância quando esperava pelo Papai Noel. Eu sempre fico assim quando compro algo pela internet. Mas dessa vez o sentimento estava ao cubo, já que, graças a uma dica do querido Gui, eu e minha amiga (que é loucamente apaixonada pelo Gene Kelly) conseguimos comprar a tão desejada Edição de Colecionador de Cantando na chuva, repleta de coisinhas maravilhosas, além da imagem lindamente restaurada feat extras lindos. E tudo isso por um preço inimaginavelmente barato. Te amo, Livraria Cultura! (E Guilherme, obviamente! Abrir essa linda caixinha foi como… Natal em Junho!

É tão bom quando as distribuidoras lembram-se de lançar edições dignas aqui, né? Pena que não é sempre que temos essa sorte…

Colecionar DVDs no Brasil é tipo padecer no purgatório… De vez em quando as distribuidoras lembram da nossa existência e resolvem lançar versões brazucas de lindas edições gringas, que muitas vezes são enxugadas para o lançamento no mercado daqui. E só será lançado se o filme em questão for famoso, o que acredito ser exatamente o caso desse aqui.

Cantando na chuva talvez seja o musical mais famoso de todos os tempos. A sequência em que um sorridente e apaixonado Gene Kelly dança e canta debaixo de uma chuva torrencial tornou-se icônica, e muita gente conhece, mesmo não sabendo da história do filme.

0000000000000Um daqueles casos de Hollywood sobre Hollywood, o musical é um conto sobre o período de transição do cinema mudo para o falado. Don Lockwood (Gene Kelly) é uma estrela do cinema mudo que é “noivo” (na verdade, uma história bolada pelo estúdio) de Lina Lamont (Jean Hagen), uma atriz de voz irritante e que, se não bastasse, derrapa feio na gramática, mas que graças a sua beleza somado ao fato de que os espectadores não ouvem sua voz, é adorada pelo público.

Quando Don e Lina se preparam para estrelar mais um filme, O cavaleiro duelante, o estúdio rival surge com o primeiro filme falado, e a produção em que eles trabalham torna-se obsoleta da noite para o dia. O multitalentoso Cosmo (Donald O’Connor) consegue salvar a película do flop, ao sugerir que eles transformassem O cavaleiro em musical! E mais: pra driblar a voz de taquara rachada de Lina, ele sugere que usem a voz de Kathy (Debbie Reynolds), uma talentosa e humilde atriz, por quem Don é apaixonado. Tudo o que é gerado a partir daí, forma o plot principal de Cantando na chuva. Claro que eles vão dançar, chorar, beijar, se espernear, esganiçar (no caso de Lina), e cantar, mas cantar até dizer chega, em lindas, coloridas e bem produzidas sequências.

 E o que melhor do que a qualidade do Blu-ray para assistir o lindo Technicolor utilizado no filme?

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Nada melhor do que uma edição digna para poder rever um filme até cansar. Antes de comprar essa edição, eu tinha assistido Singin’ pelo menos umas boas vinte vezes. Mas a experiência de ver ele literalmente abraçando a caixinha da Edição de Colecionador, foram outros quinhentos.

Mas, por partes. Antes de passar por esse momento transcendental, eu fui conferir as bonitezas que a edição trazia. Começando pelos extras que espiei:

  • Comentários de Debbie Reynolds, Donald O’Connor, Cyd Charisse, Kathleen Freeman, Stanley Donen, Betty Comden, Adolph Green, Baz Luhrmann e Rudy Behlmer;
  • Documentário Raining On A New Generation;
  • Opção Juke Box;
  • Trailer de Cinema.

Fiquei um tanto decepcionada ao comparar esses extras com a edição gringa, que traz, entre outras 4755545 coisas a mais, um documentário sobre os musicais da era de ouro de Hollywood. Aliás, essa edição é ligeiramente mais completa: o livro que acompanha é maior, tem bem mais extras, como falei antes, e ao invés da linda capa de chuva amarelinha que acompanha a versão brazuca (que, particularmente, eu amei) vem um guarda-chuva bem gracinha, mas com cara de que te flopa no primeiro aguaceiro que cair (nem todo mundo tem disposição feat tempo para fazer o Gene Kelly no caminho para o trabalho). Nesse caso, sou bem mais minha capa de chuva, que, aliás, mal posso esperar pra estrear na rua, de preferência esganiçando a letra de cantando Singin’ in the rain.

Olha aí a edição da gringa pra gente chorar a little bit…

O livro que acompanha a minha edição é, na verdade, um mini-livro, mas bem bacana e cheio de fotos, contendo o perfil dos atores envolvidos e algumas curiosidades de bastidores. Por exemplo: ao contrário do que a crendice popular da internet espalha, NÃO foi misturado leite com a água para a famosa cena de Gene na chuva.

Outra coisa que adorei nessa edição foram os lindos cartões-postais, que provavelmente levarei comigo para o caixão, pois são muito bonitos para serem usados/dados para alguém. Apenas, não! (Lembrou de você com seus belos adesivos na época da escola, né?).

Apesar de eu parecer uma velha reclamona nesse post (a quem quero enganar? Eu SOU uma velha reclamona!) com as coisas dessa edição, não posso mentir que estou totalmente apaixonada, e mal posso esperar um tempo livre para aproveitá-la devidamente. E considerando a flopagem das distribuidoras por aqui, considero essa edição uma vitória! Até então, só tínhamos por aqui duas versões em DVD duplo, com extras muito parecidos com o do blu-ray, e aquela outra versão bem simples (que, inclusive, eu tenho).

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Outros filmes famosos tem edições linda parecidas com essa: Casablanca, O mágico de Oz e …E o vento levou possuem edições magníficas. Conheço mais uma penca de filmes que mereciam algo do tipo. Fora aqueles que nem são cogitados nos lançamentos em blu-ray. Ou quiçá em dvd.

Vida de colecionador brasileiro, definitivamente, não é fácil.

Masss… não é por isso que vou deixar meu querido Cantando na chuva.

Aliás, olha ele aí sendo feliz no meio dos seus irmãos de estante.

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(Disse a louca que chama seus DVDs de filhos.)

Escrito por Camila

Formada em Letras e na Academia Douglas Sirk de sofrência e pregadora na Igreja Universal do Reino de Woody Allen. Uma professora de inglês apaixonada por musicais. Faz parte da Comissão de Avaliação, Seleção e Fiscalização, na área de Cinema e Vídeo, do Financiarte de Caxias do Sul.

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