Stella Dallas – Mãe Redentora (1937)

Stella Dallas – Mãe Redentora (1937)

You may say that Stella is crude and noisy and vulgar. She is. But when you get through with the play you also must say ‘That was a woman’. And it means something to play a real person. I’ve had so many other kind to do; pretty woman who didn’t matter. Stella is real.

Barbara Stanwyck

 

Muito antes da Senhora Bates ou da Mamãezinha Querida de Faye Dunaway tocarem fogo no cabaré, uma outra mãe marcou história no cinema em 1937. Essa mãe não mantinha um relacionamento pra lá de estranho com o filho ou supostamente o surrava com cabides. Ela, na verdade, era o símbolo do sacrifício e da redenção. Estamos falando de Stella Dallas, a mãe redentora que transformou a carreira de Barbara Stanwyck para sempre.

Na metade da década de 30, quando este filme foi rodado, a carreira de Missy não estava lá aquelas coisas. Ela carecia de papeis realmente grandiosos. Além disso, precisava urgentemente trabalhar para pagar seus impostos, pois teve probleminhas com a receita dos Estados Unidos digamos assim. Stella Dallas foi o papel pelo qual ela esperava há muito tempo, talvez desde seus filmes com Frank Capra.

E ela tinha razão, pois foi este melodrama de King Vidor que a elevou ao posto de atriz séria e lhe rendeu a primeira indicação ao Oscar.

Stella Dallas conta com uma versão muda de 1925. Também há uma peça de teatro, produzida pela Selwyn and Company. Ambas baseadas no livro de Olive Higgins Prouty, que escreveu muitas obras sobre o choque entre duas classes sociais diferentes. A peça, segundo nos conta Victoria Wilson em seu livro sobre Barbara Stanwyck, sofreu com vários problemas, entre eles a desaprovação de Olive. Ela achava que sua obra fora mutilada. Felizmente, isso não aconteceria à versão para o cinema de 1937. A autora achava que Stany dera a cara que Stella Dallas precisava.

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Além do saco de pipocas, você precisará de uma caixa de lenços tamanho GG para acompanhá-lo durante Stella Dallas – Mãe Redentora. Esse foi um dos primeiros filmes de Barbara que assisti e, na época, não prestei tanta atenção aos detalhes. Reassistindo para escrever esse texto, eu me peguei em momentos que iam da euforia à tristeza. Ao final segurei as lágrimas e minhas certezas sobre o talento de Barbara Stanwyck foram calibradas. Stella Dallas – Mãe Redentora apenas reforçou meu respeito e admiração pelo trabalho dessa atriz.

Trata-se um melodrama de alta qualidade e é impossível não pensar na sua própria mãe enquanto assiste. O filme conta a história da relação entre Stella Dallas (Stanwyck) e sua filha, Laurel (Anne Shirley). No entanto, como a filha só nasce lá pela metade do filme, somos inseridos no universo dessa personagem um tanto quanto… diferente. Ela vem de uma família pobre e, ao ver Stephen Dallas (John Boles) passando um dia pela rua, mete na cabeça que irá casar com ele.

E é claro que eles se casam. Stella finalmente sai da pobreza que a assola.

E aí os problemas começam.

Os problemas começam porque Stella e Stephen pertencem a mundos completamente opostos. Ele rico; ela pobre, ele refinado; ela breguíssima. Ela não consegue adaptar-se àquele mundo e King Vidor nos presenteia com uma cena em um baile em que isso fica bastante evidente. Stella grita, ri alto, se veste com bijuterias e vestidos cheios de plumas. Dança com Ed Munn (Alan Hale) e seu marido não gosta nada daquilo. Ela definitivamente não foi educada para os padrões da alta sociedade.

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Eis que Laurel (Anne Shirley) nasce e, desde o começo, todas as atenções de Stella se voltam para ela. Ela adora a criança e é nessa dualidade que King Vidor trabalhará o tempo inteiro no filme: a aparência vulgar de Stella versus o amor que sente pela filha. Enquanto todos enxergam apenas o exterior da personagem, suas roupas e modos impróprios, os espectadores conhecem a verdadeira Stella Dallas.

À medida que o tempo vai passando, o caráter de Stella fica mais evidente ao espectador. Há uma cena que me cortou o coração (é difícil eleger uma só!) que é a da festa de aniversário. Stella prepara uma festinha para a filha, mesa arrumada, bolo e tudo mais. Só que ninguém aparece. Já que a personagem é mau vista na sociedade, nenhum dos convidados atreveu-se a aparecer. É tão triste, e Missy nos presenteia com seus olhos marejados, preferindo ter um punhal atravessando o coração ao ver a filha infeliz. Laurel demora praticamente 1h20 de filme para ter noção que sua mãe é uma pária na sociedade. E até lá, a gente vai sofrendo junto com a Stella. Sofrendo forte, amigos!

A via sacra atravessada por Stella Dallas chegará ao seu ápice quando finalmente houver um confronto claro envolvendo a imagem dessa na sociedade e o destino de sua filha. E aí sugiro que você pegue lencinhos extras para conter as lágrimas.

A atuação de Barbara Stanwyck merece um parágrafo só para ela. Meu Deus do céu! A emoção dentro de Missy, as palavras que ela diz, vão crescendo aos poucos dentro do filme até culminar na cena final. Ela vive Stella Dallas, entende o que quero dizer? Imagino o quão deve ter sido difícil colocar todas as emoções que a personagem demandava para fora, pois a própria atriz não podia basear-se na própria experiência. Missy teve uma infância miserável, sua mãe morreu cedo e o pai partiu para o Panamá pouco tempo depois que ela morreu. Acredito que ela deva ter pensado bastante em Dion, seu filho adotivo, quando encarnava Stella Dallas.

Missy e seu filho, Dion.

Missy e seu filho, Dion.

A relação entre mãe e filha é um dos pontos altos do filme. Stanwyck e Shirley funcionam muito bem em cena. Como disse lá em cima, pensei muito em minha mãe enquanto assistia ao filme. A cumplicidade entre Stella e Laurel é admirável, elas passaram por tantas coisas juntas e permanecem unidas. Me sinto da mesma forma com minha mãe. O dinheiro do pai de Laurel não pode comprar o companheirismo que Stella proporcionou à filha.

Curiosidades:
  • Durante as filmagens, King Vidor não dirigia a palavra a Anne Shirley. Ele a deixou interpretar Laurel como bem entendesse. Por essa razão, a atriz não se sentia querida no set e um dia inclusive pediu a Samuel Goldyn para sair;
  • Barbara Stanwyck teve de pintar seus lindos cabelos ruivos de louro para encarnar Stella Dallas. Mais de 20 tons foram testados até ser encontrado aquele que se encaixava bem ao personagem;
  • Ela também colocou algodão dentro da boca para criar um efeito no rosto;

Chame sua mãe, compre a pipoca, certifique-se de que pegou os lencinhos e boa sessão!

Um feliz dia das mães!

 

Escrito por Jessica Bandeira

Estudante de história, tradutora e noveleira.

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