Entre Deus e o Pecado (1960)

Entre Deus e o Pecado (1960)
Um dia acordei como estrela. Fiquei amedrontado. Então trabalhei mais a fundo para me tornar um bom ator. 
Burt Lancaster

Essa afirmação fica bem diante de nossos olhos assistindo “Entre Deus e o Pecado”, filme que rendeu a Lancaster um Oscar de Melhor Ator em 1961. A adaptação de Richard Brooks para esse romance controverso, revela a faceta manipuladora de algumas igrejas evangélicas que transformam religião em negócio. Nenhum estúdio ficou interessado em financiar tal projeto “impensável”, fazendo o cineasta inventar sua própria produtora e negociar a distribuição com a United Artists, estúdio aberto a produções indepentendes. O filme conta ainda com a cantora Patti Page e Jean Simmons, no papel de uma líder religiosa, ovacionada por centenas de fiéis durante os sermões e nos faz lembrar até de Cleycianne ou Aline Barros, divas Gospel do nosso país.

Recentemente foi relançado em DVD na Coleção da Folha “Grandes Astros do Cinema”, que traz o filme remasterizado pela Versátil e um livreto com informações especias. “Elmer Gantry” é um filme necessário, que não ironiza a fé, mas os líderes que tiram vantagem dela em próprio benefício. Sem falar na performance impecável de Jean Simmons, Burt Lancaster e Shirley Jones que faturou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por esse filme.

O filme é inspirado no romance Elmer Gantry de 1927, o autor Sinclair Lewis enfrentou o furor de entidades religiosas e foi até chamado de “membro do reino de Satanás” por pastores enfurecidos. O diretor e roteirista Richard Brooks (Gata em Teto de Zinco Quente), desejava levar a publicação para o cinema desde os 1940, na época tinha publicado seu primeiro romance e recebeu elogios do autor de “Elmer Gantry”. Brooks e Lewis tornaram-se amigos e quando o diretor começou a trabalhar na adaptação, tinha a liberdade necessária para fazer ajustes na obra original. Richard Brooks foi celebrado pela Cahiers du Cinéma como um dos rebeldes do cinema cujo trabalho despertava a atenção dos novos críticos.

Um aspecto admirável em Burt Lancaster, certamente foram suas escolhas. O jovem aspirante sempre quis ser mais do que um único personagem, aquele brutamonte insensível dos filmes noir que marcaram a primeira fase de sua carreira nos anos 40. Na vida pessoal, Lancaster se envolveu em diversas causas bacanas: assinou o manifesto contra a caça aos comunistas de Hollywood, juntou-se a Elizabeth Taylor na luta pela causa humanitária de combate a Aids. Se declarava ateu e chegou a recusar um papel no filme “Ben-Hur” (1959) por isso. É por esse mesmo motivo que o ator aceitou participar de “Entre Deus e O Pecado”. Ao lado, Lancaster aparece ao lado de Liz Taylor, com seus respectivos Oscars, na cerimônia de 1961.

Já a carreira de Jean Simmons, que era britânica, começou a deslanchar nos Estados Unidos na década de 50. Em 1960, a atriz se casou com o diretor de “Entre Deus e o Pecado” Richard Brooks, que nessa altura já era um nome conhecido em Hollywood. Simmons obteve apenas duas indicações ao Oscar: Hamlet (de 1948, estrelado e dirigido por Laurence Olivier) e Tempo para Amar, Tempo para Esquecer (1969). Na minha singela opinião, a atriz merecia NO MÍNIMO uma indicação pela sua interpretação da pregadora Sharon, no filme de Richard Brooks. Achei muito aleatório descobrir que Shirley Jones recebeu um Oscar de Melhor atriz coadjuvante e Jean Simmons, que ganhou um Globo de Ouro em 1961 por sua performance, não ter sido sequer indicada ao prêmio da Academia.

O filme se passa nos anos 20 e Burt Lancaster interpreta Elmer Gantry, um ambicioso vendedor de eletrodomésticos que atrai clientes com sua conversa fiada. Quando Elmer se envolve numa briga em um trem de carga, acaba parando numa cidadezinha rural e consegue abrigo numa igreja evangélica. Elmer esconde seus hábitos mundados dos pastores e pessoas que trabalham por ali. Resolve comparecer na cerimônia onde a Irmã Sharon Falconer (Jean Simmons), aclamada pelos habitantes de Missouri, dá sermões calorosos de cidade em cidade.

O forasteiro questiona o destino das gorjetas e dinheiro entregue pelos fiéis e está determinado a aproximar-se da “intocável” pastora, protegida por seu braço direito Bill Morgan. Quando finalmente consegue marcar um encontro, inventa que já estudou numa paróquia e pede uma oportunidade para apresentar-se no próximo avivamento religioso. Bastante carismático, os sermões de Elmer logo se tornam populares entre as famílias de fazendeiros locais. Passa então a receber um salário e propõe a Sharon de expandir os “negócios” para Zenith, a capital do Meio-Oeste. O desafio é desaconselhado por Bill que tenta convencê-los de que o “povo da cidade grande” é muito descrente. Tudo em vão, logo a equipe chega na capital e pretende levar a religião “dos velhos tempos” de volta ao coração da família americana. Mas será que o passado sujo de Elmer pode vir a tona e colocar tudo a perder?

Escrito por Guilherme

Still tryin' to find my place in the sun.

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