Bette Davis e suas gêmeas

Bette Davis e suas gêmeas

Hoje seria aniversário de uma das maiores atrizes que o mundo já ouviu falar: Bette Davis. Eu, como muitos sabem, sou aficionada por Jeanne Moreau, mas meu primeiro amor foi titia Bette, sorry Jeanne! Com certeza ela é uma das grandes responsáveis por eu gostar tanto de cinema como gosto hoje. Bette Davis é uma atriz mais que completa, ao longo de sua carreira protagonizou personagens memoráveis entre ele o de gêmeas. Se dizem que um é pouco, dois é bom e três é de mais, isso de forma alguma pode se aplicar a Davis, e suas duas gêmeas: Kate /Patricia Bosworth (Uma vida roubada, 1946) e Margaret De Lorca / Edith Phillips (Alguém morreu em meu lugar, 1964). Com quase 20 anos de diferença entre um filme e outro, possuem características tão iguais que até imaginamos um filme como sequência do outro.

Uma vida roubada (1946)
 
 
 

Uma vida roubada é um remake de um filme britânico de 1939 estrelado por Michael Redgrave e Elizabeth Bergner – fonte de inspiração para a criação da personagem Margo, em A malvada – e Wilfrid Lawson. Foi o único filme produzido pela própria Bette, através da sua produtora B.D. Production. Como o próprio título diz, trata-se da história de duas irmãs gêmeas, Kate a irmã boa e Pat a irmã má que toma o lugar da outra após um acidente – se vocês pensaram em Ruth e Raquel, Uma vida Roubada, foi justamente a fonte inspiradora para a criação da novela Mulheres de areia. 

O filme inicia quando Kate, uma talentosa pintora, está a caminho de uma ilha na Nova Inglaterra para encontrar sua irmã e seu primo Freddie (Charles Ruggles), porém ela perde o barco e pega carona com Bill (Glenn Ford), um inspetor de farol, por quem ela logo se sente atraída. Após esse primeiro encontro, ela acha um meio de reencontrá-lo, usando como desculpa, a vontade de pintar o seu colega de trabalho, Eben (Walter Brennan), e dessa forma consegue frequentar o farol aonde Bill trabalha. Kate é uma pessoa muito solitária e insegura, em uma das cenas que mais gosto do filme ela fala da solidão e como isso a faz sentir: “Não me importo em estar só, mas não gosto de me sentir só”. Kate encontrou sua cara metade, já que Bill também se sente assim. Desta forma, eles começam um relacionamento.

Mas como nem tudo são flores, por azar do destino, um belo dia Bill dá de cara com Pat e ela, é claro, não perde tempo e se atira para cima do namorado da irmã, fazendo se passar por Kate. Pat é completamente o oposto da irmã, além de má, é fria, calculista, adora brincar com os sentimentos dos outros – independente de quem seja – fogosa, nas palavras do próprio Bill, Pat é como um bolo com muita cobertura, cobertura extra do mcdonald’s.
Quem é a Pat e quem é a Kate?
Bette nos revela com o olhar!

É nesse momento que vemos o talento de Bette em ação, o jeito de falar, de andar, de gesticular são completamente diferentes. Elas são gêmeas, são iguais, mas jamais são as mesmas. Bette Davis eyes é um forte elemento utilizado, Kate tem olhares que nos fazem ter dó da personagem enquanto Pat é altiva, é como se nada nem ninguém conseguisse ser melhor que ela. Ela pode tudo, ela consegue tudo! Inclusive roubar de vez o namorado da irmã e casar-se com ele.

 

 

Rouba meu marido e ainda quer me jogar o buquê?
No, no, no! 

A sequência da história todos sabemos: Pat sofre um acidente e a irmã toma seu lugar, mas será que Kate, sendo boa moça e apaixonada por Bill, que Pat fez tão infeliz traindo-o com todos, contará a verdade?  

 
Alguém morreu em meu lugar (1964)

Alguém morreu em meu lugar não é um remake, mas é baseado no filme mexicano La Otra de 1946 que trouxe Dolores del Río como protagonista. Marca o reencontro de Paul Henreid e Bette, agora ele como diretor, após A estranha passageira e Que o céu a condene; e entre Bette e Ernest Haller diretor de fotografia, que trabalhou com ela em vários outros filmes – sendo esse o ultimo. Assim como em Uma vida roubada, temos Bette interpretando uma gêmea boa e outra má, porém com um novo elemento: será que a gêmea boa é tão boa assim? 

 
Bette pensativa kakaka
 

Edith Phillips e Margaret DeLorca se encontram após anos no enterro de Frank, marido de Margaret e ex namorado de Edith. Assim como em Uma vida roubada, uma irmã roubou o namorado da outra, fazendo com que elas nunca mais se vissem. O suspense do filme começa justamente nesse momento, Edith é uma mulher simples e usa roupas velhas, o diretor usa o elemento da dúvida para deixar aquela cena ainda mais misteriosa; Margaret usa um chapéu com véu negro sobre a face, a principio não sabemos entre várias pessoas quem é ela e como ela está.

 

É nesse momento que Margaret tenta se reaproximar da irmã e a convida para visitar sua mansão. A frieza de Margaret é visível, principalmente por seu comentário sobre a obrigação de usar o luto, o que vai gerando uma desconfiança por parte de Edith. Isso é mais um ponto muito semelhante a Uma vida roubada: a irmã má – Margaret – possui as mesmas características de Pat. Em dado momento, Margaret começa a oferecer algumas roupas usadas a sua irmã e é ai que vemos uma luzinha acender na imaginação de Edith, tenho certeza que foi ali que ela começou planejar como mata-lá. 

 

 

Status: Ostentando com a roupa da irmã! 

 

 

Com esse pensamento em mente, Edith começa a investigar como foi a vida de sua irmã com o seu tão amado namorado e uma mentira vem a tona: Margaret, que usara uma gravidez para separar o casal, nunca esteve grávida. Ou seja, ela foi enganada e pretende se vingar! Edith mata a irmã, toma seu lugar e fica com a sua fortuna. Até ai tudo bem, se não fosse o fato de Edith ter um amigo/namorado Jim Hobbson (Karl Malden) e Margaret um amante Tony Collins (Peter Lawford). Jim é sargento e Tony um gigolô, ambos conhecem as mulheres que tem e são eles que vão ser os responsáveis por essa história ter um contorno absurdo. 

 
O embate das irmãs: senta lá, Cláudia! 
 

Com a morte de Margaret pela própria irmã é como se Kate e Pat tivessem ressurgido diante de nossos olhos e estivessem ali se enfrentando. Claro que Pat e Margaret podem dar a mão e sair andando juntas, mas Edith, não é de forma alguma parecida com Kate, essa não mataria uma barata, ela era norteada pelo amor; Edith – a mulher mais velha, amargurada era norteada pela ganância e por uma sede de vingança fenomenal, mas apesar de tudo ambas foram vitimas de suas próprias irmãs. 

Ficou mais curioso? Selecionamos um vídeo que mostra um pouco dos bastidores de Alguém morreu em meu lugar:

Escrito por Patrícia

Futura graduada em administração de empresas, mas que malemá administra duas páginas no Facebook.Viciada em velhas como Jeanne Moreau, Bette Davis, Meryl Streep e tantas outras que cansaria para listar. Amante de tudo que envolva o cinema e que sonha em fazer disso não só um hobby, mas uma profissão.

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