Top 6 beijos lésbicos no cinema

Top 6 beijos lésbicos no cinema

Ontem à noite tivemos um momento histórico na história da telenovela brasileira. Já sabíamos que a trama de Gilberto Braga, Babilônia, viria para causar, mas não esperávamos um beijo lésbico logo no primeiro capítulo!

A cena entre Nathalia Timberg e Fernanda Montenegro foi linda, cheia de ternura, amor e, por que não dizer, sensualidade? Sim! A família brasileira tradicional está oficialmente enterrada. E é só o começo!

Aproveitando a “polêmica” que o beijo causou, o Cine Espresso traz um top 6 dos melhores beijos lésbicos protagonizados no cinema. Afinal de contas não é de hoje que a sétima arte retrata o amor entre duas mulheres.

1) Marlene Dietrich em Marrocos, 1930:

A cena dura 30 segundos, mas é o suficiente para o cidadão ir direto ao hospital. As mulheres lésbicas sempre têm a tendência de, nessa época, serem retratadas com uma atitude bastante masculina. O estereótipo da lésbica “caminhoneira” começou cedo e timidamente, com Greta Garbo e Marlene Dietrich representando a classe. A cena em que Marlene beija uma moça mostra o fascínio que as pessoas tinham por gays e lésbicas, que só eram tolerados nas esferas artísticas. A cena foi sugerida pela própria Dietrich (TE DEDICO, MARLENE!) e foi salva da censura por ela também. Isso porque ao dar tirar a rosa da moça, antes de beijá-la, e dá-la a Gary Cooper, ela argumentou que se os censores cortassem não teria sentido.

2) Greta Garbo e Elizabeth Young em Rainha Cristina, 1933:

Beijo lésbico na televisão é um sinal do fim dos tempos! Bem, amigx, então o fim dos tempos começou cedo porque em 1933 já temos ninguém mais ninguém menos do que Greta Garbo beijando uma moça. Depois que o código de censura em Hollywood foi colocado em vigor, em 1930, ficou mais difícil ter liberdade, ou seja, falar sobre sexo, suicídio ou mostrar uma perna que seja. Em 1933, o código já estava em vigor e me pergunto como Rainha Cristina passou pelos censores. Greta Garbo interpreta uma personagem com uma uma atitude extremamente masculina e, para o desespero dos conservadores, insinua o tempo inteiro um relacionamento com Ebba (Elizabeth Young). O relacionamento entre as duas é lindo, doce e culmina em um beijo carinhoso que nos faz pensar que gostaríamos de estar no lugar de Young.


3) Kate Winslet e Melanie Lynskey em Almas Gêmeas, 1994:

Almas Gêmeas já é um filme polêmico, pois é baseado na história real de assassinato da mãe, planejado pela própria filha e sua amiga. Imaginem vocês que essas duas além de amigas, também são amantes! A sociedade deve ter pirado! Juliet Marion Hulme (Kate Winslet) e Melanie Lynskey (Pauline Yvonne Parker) são duas adolescentes que se conhecem na escola, e logo se tornam grandes amigas. Como ambas possuem um grande amor pelo cinema, e compartilham seus sonhos e fantasias, a amizade das duas vai evoluindo até se tornar um romance. Isso culmina em uma das melhores cenas do filme, pois logo após uma sessão de O Terceiro Homem elas começam a ter delírios com Orson Welles e assim as duas se entregam uma à outra de corpo e alma.

4) Catherine Deneuve e Fanny Ardant em Oito mulheres, 2001:

Saltamos um século de cinema e viemos parar na trama kirsch de François Ozon. As duas atrizes protagonizaram uma das cenas mais sensuais do cinema, rolando no chão após uma briga e depois se beijando. O que me fascina é a tensão sexual  entre as personagens, Gaby e Pierrette, que vai crescendo feito bola de neve durante o filme. Desde o momento em que o olhar delas se cruza pela primeira vez, você sabe que há algo ali. Pierrette (Fanny Ardant) não mede olhares e gestos pra lá de chocantes para dar o recado tô te querendo como ninguém, tô te querendo como se quer.



5) Nicole Kidman, Julianne Moore e Meryl Streep em As Horas, 2002: 
 

Acho que as três personagens mais intensas que um filme podia ter se encontram em As Horas. Nesse filme, em que a história de ambas se interliga – mesmo em épocas diferentes – através do livro “Mrs Dalloway”, Virginia Woolf (Nicole Kidman) – a escritora – está se sentindo cada vez mais infeliz, e pensa no suicídio. Todos esses sentimentos são repassados para o seu livro, que está sendo lido por Laura Brown (Julianne Moore) uma dona de casa típica da década de 50, aquela que não trabalha, e serve para cuidar unicamente do marido e do filho. O livro de Virginia começa a influenciá-la de uma forma absurda, mudando seu comportamento. Por fim, Clarissa Vaughn é a mulher que está vivendo a história, que se passa em um dia, mas que ira mudar a vida de todos para sempre. Toda essa conexão entre as personagens é mostrada com um beijo surpreendente – Virginia com sua irmã, Laura com sua vizinha e Clarissa com a sua namorada – todas fazem novas descobertas e desenvolvendo novos sentimentos.

6) Julianne Moore e Amanda Seyfried em O Preço da Traição, 2009: 

Esse post poderia se tratar de um beijo entre Fanny Ardant e Emmanuelle Béart, mas como, infelizmente, isso não aconteceu, então vamos falar de Catherine Stewart (Julianne Moore) e Chloe Sweeney (Amanda Seyfried). O Preço da Traição é um remake do filme francês Nathalie,de 2003, que conta a história de Catherine, que ao começar a acreditar que seu marido a trai , contrata uma prostituta para testá-lo. No entanto, a história se inverte e Chloe acaba se apaixonando por Catherine. Ao contrário do que acontece em Nathalie, onde tudo é muito insinuado e nada acontece de concreto, em O preço da Traição tudo acontece. Isso é bem interessante e nos faz amar as duas versões.

Aos que subitamente se tornaram críticos da teledramaturgia no Facebook ou simplesmente estão disseminando comentários lesbofóbicos, sugiro que façam um exame de consciência. Por que um beijo desperta tanto frenesi? Por que com o traseiro de Paola Oliveira na série Felizes para sempre não foi criticado? Inclusive virou fantasia de carnaval! Por que as novelas estão cheias de cenas de sexo heterossexual, supostamente um ataque aos valores familiares, que não incomodam a ninguém? A resposta é: a sociedade brasileira ainda é muito preconceituosa, heteronormativa e machista. A hetenormatividade é uma palavra que significa a imposição da norma, que seria a heterossexualidade. Tudo que fuja dela é considerado “anormal”. Pessoas heterossexuais têm passe em diversas esferas sociais. O segundo motivo está ligado a uma espécie de machismo que rodeia as relações lésbicas. Em um mundo onde a mulher é o objeto do desejo, ser lésbica é uma afronta. Porque essa mulher mostra que não precisa de um homem para ter um relacionamento amoroso, para ter prazer e ser feliz. Por isso ouvimos aqueles comentários como “Ela é lésbica porque não encontrou o homem certo”. Percebem o problema? O último motivo é o mais óbvio e talvez você pode comprová-lo assistindo aos comentários em sua timeline do Facebook: o puro e simples preconceito. Teve gente defendendo posições lesbofóbicas com o argumento de que é “a minha opinião” quando na verdade está promovendo um discurso de ódio contra essa minoria.

Ficamos muito feliz em ter poder vivido para ver a primeira grande cena de beijo lésbico da televisão brasileira (Giovanna Antonelli e Tainá Müller parecem inocentes perto de Montenegro e Timberg). Finalmente poderemos colocar na roda os preconceitos e ideias errôneas sobre lésbicas. Ainda temos muito caminho a percorrer, mas o grande passo já foi dado. E é só o começo, só o começo.

“Declínio da família brasileira” HAHAHA

 

Escrito por Equipe

Pregadores da Igreja Universal do Reino do Cinema.

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