Contagem regressiva para o Oscar: o ano de 1941

Contagem regressiva para o Oscar: o ano de 1941
 Em plena Segunda Guerra, Hollywood vivia um momento We are the world, com uma série de filmes e ações numa espécie de esforço de guerra. Na 13ª edição do Oscar, que aconteceu no dia 27 de fevereiro de 1941, dentre outras coisas, teve o presidente Franklin D. Roosevelt discursando via rádio, Bette Davis num momento representante da turma, lacrando ao falar sobre a Guerra, ex-namorados ganhando prêmios, melhores amigos concorrendo na mesma categoria, gente fazendo a Katy Perry no banco do Grammy e, por fim, vencedores inesperados – e os mesmos esnobados de sempre.

Os esquenta-banco da premiação 
 
Rebecca, felizmente, venceu na categoria de melhor filme, passando que nem um trator em cima de filmes como A carta, Vinhas da Ira e O grande ditador. No entanto, Joan Fontaine, indicada a melhor atriz, e Hitchcock, melhor diretor, ficaram chupando o dedo. O diretor, um dos maiores injustiçados de toda a história do Oscar, acabou flopado pela Academia em seu primeiro filme americano. E ele nem fazia ideia de que a boicotagem do Oscar tava só começando. Já Kristen Stewart  Joan, merecia a estatueta (me apaixonei por ela em Rebecca), mas foi sambada na cara dura pela Ginger Rogers, em Kitty Foyle. Aposto que Olivinha a-mou ver a maninha voltar pra casa com cara de pão de ontem, não?
Olivinha, a senhora é macumbeira mesmo, viu, viado?
Acontece que o feitiço volta, viu, e no ano seguinte, Joan ganhou o Oscar, concorrendo com a irmã (segura essa!) por Suspicion, novamente um filme de Hitchcock. Como Jess contou em seu post sobre 1947, na ocasião, em 1942, Joan fez a irmã se levantar para cumprimentá-la.
E da próxima vez, vai tentar concorrer o Oscar com a sua avó!!!
 
Sempre esnobado
 
 Se tem um fato claro a respeito da Academia, e até mesmo do público em geral, é que Cary Grant nunca foi levado a sério como ator na real. Quase todo mundo tem aquela ideia de que o galã dos galãs não fazia nada mais do que interpretar variações de si mesmo na tela – tipo o Woody Allen, sabe? – e ele NUNCA ganhou o Oscar, mesmo tendo tido diversas oportunidades, com ótimos trabalhos. Talvez por causa do preconceito da Academia com comédias? Ou só recalque mesmo? Em 1940 ele foi fantástico em Núpcias de escândalo, mas somente James Stewart foi indicado (e venceu). Então, em 1941, nada de indicação, muito menos Oscar para Mr. Grant.
Cary foi indicado ao Oscar de melhor ator, durante sua carreira, por dois dramas: Penny Serenade e None but the lonely heart, e mesmo assim, só ganhou um Oscar honorário (mesma coisa que nada, na minha opinião), na década de 1970.
Os vencedores da noite
 
James Stewart, que na época namorava escondidinho Olivia de Havilland, levou pra casa o prêmio de melhor ator por um dos meus filmes favoritos, Núpcias de escândalo. Embora a sua atuação na comédia seja A+, preferia, do fundo do coração que ele tivesse levado um Oscar por outros trabalhos seus, como Meu amigo Harvey e A mulher faz o homem, com o qual ele concorreu no ano anterior. Jimmy trabalhou muito em 1940, entretanto, fazendo um total de quatro filmes. E logo ele se alistaria no exército, deixando Hollywood por um tempo. Jimmy concorria na categoria com seu BFF, Henry Fonda, que concorria por As vinhas da Ira, de John Ford. Também constavam na categoria Laurence Olivier por Rebecca, Chaplin por O grande ditador, e Raymond Massey por Abe Lincoln in Illinois.
“Meu primeeeeiro amoor, o meu coraçãão batee
por você, venha me fazer perder o medoo”

Quem surpreendeu com o Oscar de melhor atriz foi Ginger Rogers. Até a atuação em Kitty Foyle, Ginger era relegada ao plano de parceira de Fred Astaire, e quando muito, atriz de comédia. E era só. Eis que Ginger surge nesse vestido de festinha de dois anos de idade (sério, mulher, com todos aqueles lindos vestidos que você desenhava para seus filmes com o Fred, você vai com esse trapo no Oscar?). E haja Biotônico Fontoura pra ganhar de Bette Davis e Katharine Hepburn (que odiava Ginger, mas sambava para o Oscar), ambas indicadas por A carta Núpcias de escândalo. Apesar do vestido e do enfeite brega no cabelo, Ginger era toda sorrisos na cerimônia, e na festa, ao lado do ex, Jimmy. Dois lindos. E Ginger ainda calou a boca de todo aquele povo que dizia que ela não era nada mais do que a parceira de musicais de Fred Astaire, dando uma bela guinada na carreira, num daqueles casos de O Oscar lhe fez bem.

Outros vencedores e fatos da edição
 
  • – John Ford levou o Oscar de direção por As vinhas da ira.
  • – Walter Brennan tornou-se naquela noite o primeiro ator a levar pra casa três Oscars por suas atuações, todas elas na categoria de Melhor Ator Coadjuvante.
  • – Margaret Sullavan foi outra vez esnobada pelo Oscar naquele ano. A atriz não foi indicada por sua atuação em Tempestades d’alma. Além dela, outra esquecida foi Rosalind Russell, por Jejum de amor.
  • – Bob Hope foi o mestre-de-cerimônias pela segunda vez.
  • – Depois do fiasco do ano anterior, quando os vencedores foram anunciados nos jornais antes da premiação, por conta de um vazamento patético, uma empresa de auditoria foi contratada para contar as cédulas, e os nomes dos vencedores foram segurados até a hora da cerimônia.
  • – A animação Pinóquio levou dois prêmios: Melhor canção original, com When You Wish Upon a Star, e Melhor Trilha Sonora Original.

Escrito por Camila

Formada em Letras e na Academia Douglas Sirk de sofrência e pregadora na Igreja Universal do Reino de Woody Allen. Uma professora de inglês apaixonada por musicais. Faz parte da Comissão de Avaliação, Seleção e Fiscalização, na área de Cinema e Vídeo, do Financiarte de Caxias do Sul.

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