Ontem, hoje e amanhã (1963)

Ontem, hoje e amanhã (1963)
Marcello, Marcello… A corrida atrás do sol não teria sido tão intensa e plena de satisfação sem ele. Seu olhar doce e seu sorriso belo sempre me acompanharam, proporcionando segurança, alegria e mil outras emoções (…) uma longa amizade, densa de afeto e ternura, que no set eu sabia se iluminar de paixão.
(Sophia Loren, em sua recente autobiografia “Ontem, hoje e amanhã”)
Se houve um casal com química nas telas, foi Sophia Loren e Marcello Mastroianni. Considerados os maiores astros do cinema italiano, Sofi’ e Marcello trabalharam juntos em 12 filmes, começando em 1954 e indo até o derradeiro trabalho em Prêt-à-Porter, de Robert Altman, em 1994. Nesse último trabalho, os dois reprisaram uma cena de um de seus filmes mais famosos: Ieri, oggi, domani, em português Ontem, hoje e amanhã. Nesse filme temos não só esse casal fantástico, mas o diretor que soube como ninguém tirar proveito da química de Mastroianni e Loren: Vittorio De Sica. Sophia chama em seu livro esse trio de “fantástico”. Os três se divertiam muito fazendo cinema, e isso nunca ficou tão claro quanto nesse grande sucesso, que ganhou o Oscar de filme estrangeiro em 1964.

Ontem, hoje e amanhã, como o nome já deixa antever, é um filme dividido em três histórias, cada uma acontecendo em uma cidade diferente da Itália. Em cada capítulo Sophia é uma dessas mulheres: Adelina, Ana e Mara. Cada uma delas tem Marcello como seu envolvimento romântico (ou nem tanto), seja lá como for.

Em Adelina, que se passa em Nápoles, a mulher do título é uma contrabandista de cigarros, que soma dois mais dois, e se dá conta de que as mulheres grávidas não vão para a cadeia. Assim, ela vai tendo um filho atrás do outro, num total de sete filhos, até que o pobre marido, Carmine, não consegue mais… cumprir com seus ~~deveres de marido~~, e Adelina, desesperada, não sabe mais ao que recorrer para evitar ir para a prisão. “Cavalo cansado não se chicoteia, se manda para o curral”, diz o médico que o casal vai consultar.  PENSA, SE VOCÊ TEM A SOPHIA LOREN EM CASA E NÃO CONSEGUE MARCAR PONTO, AMIGO, A COISA TÁ FEIA

 Adelina é baseada na história real de Concetta Mucardi, que na vida real teve 19 filhos para fugir da pena.
  

Já em Anna vamos para Milão, na história da socialite cujo nome dá o título da história. A ação se passa dentro de um carro, onde ela passeia com Renzo, que conheceu na noite anterior, e com quem passou a noite. Anna é fútil e frívola, e durante o trajeto o casal discute, e passa por toda sorte de situações contraditórias e nonsense. Ela fala com desdém do marido para o amante, e dá a impressão de ter mudado a sua personalidade pelo amor do homem que conhece há tão pouco tempo. Será mesmo?

Durante as gravações do episódio, Sophia Loren descobriu que estava grávida. Ela e Carlo Ponti vibraram de felicidade, pois era um sonho dos dois tornando-se realidade. No entanto, Sophia acabou perdendo a criança depois de gravar no automóvel cenográfico da sequência, devido aos solavancos da máquina. Sophia já havia tido um aborto espontâneo antes; só mais tarde é que os médicos descobririam que ela tinha problemas com alguns hormônios que a impediam de seguir com a gravidez. A gravação da cena, só acelerou esse processo. Marcello foi particularmente carinhoso e terno com Sophia durante as filmagens devido ao ocorrido. Ela afirma ter sido essa uma das maiores provas da amizade dele.

Por sua vez, em Mara, de longe a passagem mais divertida, temos a história da prostituta adorável e sexy, que atormenta a vida de um seminarista que é seu vizinho. Mara tem um encontro marcado com o ansioso playboy/filhinho de papai Augusto. Mas eles são sempre interrompidos por algo. A situação chega ao ápice quando o rapaz seminarista decide desistir de ir para o seminário, deixando seus avós loucos. É claro que a Nonna culpa Mara, e inclusive, joga uma praga pra cima dela. A moça, que é religiosa, fica arrasada, e acaba rezando e fazendo uma promessa um tanto inusitada para que o garoto volte ao seminário; claro que essa promessa acaba por afetar Augusto… e o resultado é dos mais hilários.

 

A lendária cena do striptease de Mara ficou marcada na história do cinema italiano. A ideia foi de Vittorio De Sica que disse para Sophia: “Vamos matar o Marcellino do coração!“. A atriz teve aulas de como fazer o strip, e pediu que o set fosse esvaziado para que se sentisse mais à vontade. Ficaram só os dois atores, o câmera e o diretor. As reações de Augusto durante todo o episódio, e particularmente, na cena do strip, me fazem rir como poucas coisas na vida.
SOCORRO.

O casal reprisaria a sequência em Prêt-à-Porter. A ideia foi de Marcello (esperto!), e o diretor deu bastante liberdade para os dois lindos. A diferença é que o andamento da cena aqui é ligeiramente… diferente. Veja por si só.

Escrito por Camila

Formada em Letras e na Academia Douglas Sirk de sofrência e pregadora na Igreja Universal do Reino de Woody Allen. Uma professora de inglês apaixonada por musicais. Faz parte da Comissão de Avaliação, Seleção e Fiscalização, na área de Cinema e Vídeo, do Financiarte de Caxias do Sul.

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