O rei e eu (1956)

O rei e eu (1956)
2014 foi, dentre outras coisas, o ano em que aceitei Rodgers & Hammerstein em minha vida. E, oh boy, que diferença isso fez! Musicais coloridos, exuberantes e alegres, com canções que grudam, mas de uma forma legal, na cabeça.

Um desses filmes foi The King and I, de 1956, que acabou por se tornar um dos meus favoritos absolutos. Shall we dance passou a ser a música que toca 24 horas por dia praticamente na minha cabeça, e não posso esquecer Yul Brynner e Deborah Kerr dançando juntos e transcendendo a tela.

O musical é baseado na história real do rei Mongkut, do Sião (atual Tailândia), e da professora inglesa Anna Leonowens, contratada para ensinar a cultura ocidental para os inúmeros filhos do monarca. Um choque cultural e de personalidades inicialmente, torna-se em respeito mútuo e algo mais com o passar do tempo. Rodgers & Hammerstein adaptaria a história em um dos musicais mais bem sucedidos da Broadway, e, como não poderia deixar de ser, com todo o sucesso, Hollywood logo viu ali a chance para mais um sucesso de bilheteria. Dos palcos, o diretor Walter Lang não trouxe só os belos figurinos e músicas, mas também o ator Yul Brynner, que acabaria por consagrar sua carreira no papel do rei rabugento e teimoso, que, estranhamente, não conseguimos deixar de amar.

Forninhos falling down!

Forninhos falling down!


OS PROTAGONISTAS
Antes de tudo, duas coisas sobre O rei e eu: Deborah Kerr e Yul Brynner. A primeira já é diva na minha vida há tempos, pois vários dos meus filmes favoritos são estrelados por ela. A mulher era toda feita de classe e elegância e talento e something else. Não dá pra explicar. Só vendo MESMO.
Como lidar com a beleza de Deborah Kerr? Argh, não somos obrigados!

Como lidar com a beleza de Deborah Kerr? Argh, não somos obrigados!

Agora, Yul. Então, eu demorei a deixar o rapaz a me conquistar. Era algo do tipo: olha esse careca, wtf (???). Uma amiga muito querida vivia relatando sonhos libidinosos com o moço, e eu não conseguia entender o motivo. Até assisti-lo no papel do Rei. Eu não via um cara ser tão perfeito para um papel desde Clark Gable SENDO Rhett Butler em E o vento levou. Yul Brynner FOI o Rei. Só 4600 vezes.

Shall we dance com toda certeza, SEU LINDO!

Shall we dance com toda certeza, SEU LINDO!

 Sim, Yul Brynner interpretou o Rei do Sião 4,600 vezes, entre teatro, cinema e televisão. E não é difícil entender o porquê ao assistir-se o filme de 1956. O cara deu alma ao personagem, acima de tudo; ele amava interpretar esse papel, tanto que o fez durante grande parte de sua vida, inclusive quando já estava fraco devido ao câncer, que acabaria por tomar-lhe a vida pouco tempo depois, em outubro de 1985. Mas, de volta à 1956, foi Yul quem escolheu Deborah para o papel de Anna, quando a viu no teatro. Os dois se tornariam grandes amigos pelo resto da vida, e Yul, que amava fotografia – não desgrudava de sua câmera –  tiraria diversas fotos de Deborah no set.
Uma das muitas fotos que Yul tirou de Deborah no set de O rei e eu. O homem, definitivamente, sabia o que estava fazendo.

Uma das muitas fotos que Yul tirou de Deborah no set de O rei e eu.
O homem, definitivamente, sabia o que estava fazendo.


O MUSICAL

A professora viúva Anna e seu filho Louis (Rex Thompson) chegam em Bangcoc, no Sião, onde ela será uma espécie de governanta dos filhos do rei. Anna é impetuosa, e logo de saída conquista o respeito, e até mesmo a admiração do rei Mongkut, que fica chocado ao ver que ela não o teme. A cultura e a maneira que o rei impõe sua autoridade aos súditos e a família, choca Anna, mas aos poucos ela consegue ver além da personalidade durona do rei, e torna-se querida por seus filhos, e até mesmo por suas inúmeras esposas. Tudo corre às mil maravilhas, enquanto Anna ajuda o rei, seus filhos e esposas a inteirar-se da cultura ocidental. Porém, a situação muda quando Anna toma o partido de Tuptim (Rita Moreno) que, como todas as outras, casou-se com o rei por obrigação, como todas as outras, mas a sua situação é mais grave. Enquanto as outras esposas aceitam a situação de bom grado, Tuptim casou-se amando a outro homem. Quando ela decide fugir com seu amado, Anna a apoia, e quando o rei descobre o plano, as coisas se complicam. Será que Anna conseguirá tocar o difícil coração do monarca? A aproximação dos dois será suficiente para Anna e o rei?

Para contar essa história, o filme apoia-se nas contagiantes músicas de Rodgers e Hammerstein. A cena mais conhecida de O rei e eu é a sequência em que Anna e Mongkut dançam e cantam Shall we dance, quando a professora ensina o rei a dançar à moda ocidental.
A cena é marcada – pasmém! – pela tensão sexual entre os dois. E isso se deve muito a ótima interpretação dos atores. Eles incorporam a música, todos os detalhes fazem a diferença. Os gestos delicados, a interação, a respiração de Deborah Kerr. Cheguei até a ler dia desses, a interpretação que fizeram dessa cena, como uma metáfora da relação sexual. Primeiro, eu não levei a sério, mas quando comecei a ler, vi que tudo fazia sentido. Se você quiser ler também, entre aqui. E reveja a cena depois, com outros olhos. Segura só esse forninho: Her breathing turns heavy to compensate for her shock…and excitement over what might happen next.
SHAMA O SHAMU! NINGUÉM SAI!

SHAMA O SHAMU! NINGUÉM SAI!

Além desse momento lacrador, outras canções e cenas também se destacam: o rei performando A puzzlement; We kiss in a shadow, onde os amantes proibidos se encontram; a interpretação adorável de Deborah Kerr em I Whistle A Happy Tune, nos ensinando como é que se esconde o medo… Praticamente todas as canções do filme foram regravadas por diversos cantores. Frank Sinatra gravou um álbum todo em que canta as músicas de Rodgers e Hammerstein, e várias músicas de O rei e eu estão lá. Depois das versões do musical, é meu favorito.

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Outras versões da história incluem: Anna e o rei do Sião, de 1946, com Irene Dunne e Rex Harrison nos papéis principais, e também Anna e o rei, de 1999, com Jodie Foster e Chow Yun-Fat. Ainda não assisti nenhuma dessas duas adaptações, mas pretendo em breve, pois adoro a história. Mesmo assim, tenho certeza que O rei e eu continuará sendo o dono absoluto do meu coração. O filme, sem exagero, é o melhor que tive a oportunidade de ver esse ano, e olha que não foram poucos! O rei e eu é um musical, eu diria, deslumbrante, breathtaking mesmo. Os figurinos, os cenários, as músicas, os atores (eu falei dos atores? rs). Merece ser visto e apreciado devidamente, como o clássico que é. Tenho certeza de que você vai amar!

Curiosidade: 1956 foi o ano de Yul Brynner. Nesse ano, além de O rei e eu ele protagonizou mais dois filmes, que seriam sucessos estrondosos: Anastasia, com Ingrid Bergman, e a superprodução Os dez mandamentos, de Cecil B. DeMille onde Yul interpretou Ramsés. O resultado não poderia ser diferente: Yul, em um acontecimento até então inédito na história da Oscar, em 1957 foi indicado na mesma categoria por dois papéis diferentes. Melhor ator por O rei e eu, e outra indicação por Anastasia. Ele ganhou por O rei, e estava sinceramente chocado quando foi receber seu prêmio.

Escrito por Camila

Formada em Letras e na Academia Douglas Sirk de sofrência e pregadora na Igreja Universal do Reino de Woody Allen. Uma professora de inglês apaixonada por musicais. Faz parte da Comissão de Avaliação, Seleção e Fiscalização, na área de Cinema e Vídeo, do Financiarte de Caxias do Sul.

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