Agora Seremos Felizes (1944)

O cativante musical de Minnelli chega fresco como tinta a cada vez que é assistido!

O mundo estava em guerra em 1944 e “Meet Me In St. Louis” era um retrato nostálgico da perfeita família americana do início do século passado. Para o figurino, a estilista Irene Sharaff encontrou no material da MGM o catálogo da Sears de 1904. Vincente Minnelli, que começou como cenógrafo na Broadway, teve cuidado minuncioso quanto a fotografia deste, que foi seu primeiro em technicolor. Sobre o período de pesquisa e sua incansável preocupação com os detalhes, vale mencionar as palavras do próprio: “Acho que um filme inesquecível, é feito de centenas de coisas escondidas.”

Recentemente, encontrei o DVD esgotado no Brasil, a venda na locadora por preço de banana. Foi a oportunidade que faltava para conhecer o filme que a tanto tempo queria assistir e um amigo avisou “Veja o quanto antes, se eu pudesse morar em um filme, seria em Meet Me In St. Louis”. Mais que um clássico Natalino, “Agora Seremos Felizes” deve ser descoberto em qualquer estação!

No verão de 1903, Esther (Judy Garland) vive com os pais e os irmãos Lon, Rose, Tootie e Agnes na casa da família Smith, a jovem se apaixona por John Truett, vizinho recém chegado que se quer nota sua presença. Paralelamente, Rose (Lucille Bremer) espera o pedido de casamento de Warren, um pretendente de longa data. Diferente de muitos musicais, no entanto, as músicas fazem parte da realidade em “Meet Me in Saint Louis”, onde os familiares cantam a música patriarca, que costuma embalar o famoso festival da cidade. É em uma festa na casa da família, que Esther finalmente é apresentada a John e uma improvável atração ocorre entre ambos. Digo improvável, pq geralmente esperamos uma espécie de conflito que os impeça, mas na trama de Minnelli o romance flui de maneira surpreendente de forma extremamente doce, sem parecer piegas.

No outuno, o Sr. Alonzo Smith recebe uma proposta de emprego de um novo escritório de advocacia em Nova York e comunica a família que todos devem mudar-se em breve. E essa é uma grande questão do filme, será que essas pessoas poderão desfazer os laços que fizeram durante toda a vida em Saint Louis e partir para a cidade grande?

A família Smith se prepara para o último Natal em St Louis e para o grande baile de final de ano, que será o último evento que participarão. O filme conta com uma série de fantásticos números musicais, entre eles “Meet Me In St. Louis”, “You and I” (escrita pelo produtor Arthur Freed, especialmente para o filme), “The Boy Next Door” e a memorável “Have Yourself a Merry Little Christmas” interpretada por Judy Garland.

Os extras do DVD lançado no Brasil, contam com uma introdução de Liza Minnelli que revela parte da experiência de seus pais Judy e Vincente Minnelli nos bastidores. Judy não queria fazer o filme, pensava que se tratava de mais uma mocinha e estava cansada de fazer esse papel. Então ela apareceu no set e começou a zombar das falas, ou melhor, dizê-las sem convicção. Vincente disse “Corta. Você precisa acreditar. É vital. Tudo que você faz tem de ser a coisa mais importante da sua vida. Você tem que ter paixão ou o público não a terá.” Ela pensou, e enquanto o escutava falar, se apaixonou por ele. Minnelli era louco por ela, no filme ela aparece sempre numa moldura. Na janela, enquanto cantava “The Boy Next Door” e em outra cena, quando canta “Have Yourself a Merry Little Christmas”. Um ano depois do lançamento do filme, Judy e Vincente estavam casados e após dois anos tiveram sua primeira filha, Liza.

O filme foi um sucesso de público e crítica, faturando mais de $5,016,000 dólares, só nos Estados Unidos. Foi indicado em quatro categorias da Academia e recebeu um Oscar juvenil para Margaret O’Brien. Ocupa a 10ª colocação na Lista dos 25 Maiores Musicais Americanos de todos os tempos e foi incluído em 2005 na lista dos Top 100 Melhores Filmes da Time Magazine. Judy Garland interpretou as canções do filme diversas vezes em apresentações e no seu programa The Judy Garland Show. “Meet Me In St. Louis” é o terceiro filme dirigido por Minnelli e ajudou a consolidar sua carreira, de forma significativa. Além de ter rendido uma das melhores performances de Judy, no auge da MGM. Um pedacinho da cultura americana parece imortalizada nessa relíquia sobre aqueles tempos que não voltam.

Escrito por Guilherme

Still tryin' to find my place in the sun.

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