Rachel, Rachel (1968)

Rachel, Rachel (1968)

Inspirado no romance A Jest of God de Margaret Laurence, Rachel Rachel de 1968 é o primeiro trabalho de Paul Newman na direção, que nos surpreende com um filme maravilhoso e sensível como poucos. A trama conta a história de Rachel Cameron, professora do ensino fundamental que cresceu numa casa funerária e depois da morte do pai, toma conta da mãe e se encontra divida entre a rotina familiar e construir uma vida para si mesma.

Além de utilizar uma narrativa extremamente sofisticada para a época, a película em technicolor se aprofunda incrívelmente no psicológico e sentimentos pessoais do personagem. Até então, eu só tinha me sentido próximo assim do caos de uma protagonista em filmes do John Cassavetes, Lars Von Trier ou Almodóvar. Paul Newman mergulha de cabeça na sensibilidade feminina de forma adorável. Definitivamente um filme que merece nossa atenção!

Após a morte de Niall Cameron, a família Cameron vende seu negócio para Hector, que passa a viver no andar de baixo da casa, enquanto Rachel (Joanne Woodward) e sua mãe continuam morando no andar de cima. Apesar de não existir mais qualquer vínculo das duas com o ramo funerário, as lembranças de Niall e da família perduram na memória e nas fotografias espalhadas nos diversos cômodos. A irmã caçula de Rachel se casou e mudou-se com a família para Oregon, enquanto mãe e filha permanecem na pequena cidade, na Nova Inglaterra. Rachel desde o princípio parece fatigada pela rotina e sua própria circunstância. Assombrada por memórias do passado, presenciamos diversos flashbacks de sua infância ou até mesmo alternativas drásticas que imagina para escapar da realidade, sonhando constantemente com morte ou doenças que pudessem libertá-la de alguma forma.

 

Bastante ligada a mãe, Rachel é querida pelos habitantes da cidade que chegam a referir-se a ela “como uma santa” por conta de sua paciência com os alunos. A única pessoa com quem divide algumas horas vagas é a colega de trabalho Calla (Estelle Parsons), que tenta ajudar a amiga a encontrar algo que a faça sentir mais viva, um comentário bastante pertinente de ambas na volta do trabalho é “parece que nada nunca acontece”.

 

Uma novidade em potencial surge quando Nick Kazlik, um antigo amigo de infância de Rachel, volta a cidade entusiasmado com a possibilidade de aproximar-se dela. A verdade é que Rachel, então com 35 anos e solteira, está entediada e carente de tal forma que não consegue recusar.

Esta foi a estréia de Paul Newman na direção e escolheu sua esposa Joanne Woodward como protagonista, ele voltaria a dirigi-la em Caixa de Surpresas e A Margem da Vida, além de terem contracenado juntos em diversos filmes. Os dois se aproximaram em 1957, durante as filmagens de O Mercador de Almas, logo após ela se consagrar internacionalmente com o Oscar de Melhor Atriz por seu desempenho em As Três Máscaras de Eva. Iniciou-se então o casamento mais duradouro de Hollywood, Joanne e Paul completaram 50 anos de casados em 2008, quando Newman veio a falecer. Dizem que a atriz tem delírios de que o marido ainda está vivo.

Arrisco a dizer que todas as cenas de “Rachel, Rachel” possuem uma carga emocional enorme. É difícil para mim, e acredito que para muitos, não identificar as próprias questões representados de forma exacerbada nesse personagem. Em diversos momentos, fiquei ansioso por flashes que revelassem o que Rachel estaria pensando. Será que ela vai se superar ou cairá novamente na armadilha? É uma trama imprevisível e com um desfecho realista e fascinante.

“Rachel, Rachel” lançado por aqui como RAQUEL RAQUEL (PORRA! Nome próprio não deveria ser traduzido, ainda mais quando este dá título ao filme…) pela coleção Lume Clássicos, flerta ainda com temas como aborto e homessexualidade, de forma sutil. Um filme que mantém-se atual e brilhantemente realizado. Boa sessão!

Escrito por Guilherme

Still tryin' to find my place in the sun.

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