Magia ao luar (2014)

Magia ao luar (2014)
I believe that the dull reality of life is all there is,
but you are proof that there’s more, more mystery, more magic.
 

A tradição de ir ao cinema para ver o filme anual de Woody Allen não decepciona. Desde Meia-noite em Paris eu tenho seguido esse costume à risca. E sempre procuro levar alguém comigo, pois sei que vão me agradecer depois. No entanto, esse ano só consegui ver Magia ao luar, o filme dele desse ano, aos 45 do segundo tempo. Faziam dois meses que eu surtava com o trailer, e com o fato de ter Colin Firth em um filme do Woody Allen. Mas, como os cinemas da minha cidade dão preferência aos blockbusters, um mês da estreia se passou – e nada. Já resignada com a tradição sendo quebrada esse ano, descobri que – finalmente – o filme iria passar na cidade, durante uma mísera semana. E arrastei minha irmã e minha melhor amiga comigo nessa empreitada.

E como todo bom filme de Woody Allen, ao final temos:

a) Um personagem que representa o próprio Woody dentro da história;

b) Um personagem feminino maravilhoso;

c) Uma trilha sonora encantadora;

d) O diretor tirando o melhor dos seus atores;

e) O desejo de que Allen viva até os 150 anos para continuar nos dando um filme por ano.

Fazendo promessas para Nossa Senhora dos Filmes Ótimos já!

 You’re born, you commit no crime, and then you’re sentenced to death.

Magia ao luar se passa em plena Europa dos anos 20, época pela qual Woody Allen já declarou seu amor antes, mais recentemente em Meia-noite em Paris (2011).

Stanley (Colin Firth) é o mágico famoso na Europa com seu número artístico onde ele é o chinês Wei Ling Soo. Ilusionista imbátivel, de números inacreditáveis, ele também é conhecido por desmascarar falsos videntes que tentar enganar pessoas de boa-fé. Em uma noite de apresentação, seu velho amigo, também mágico, Howard (Simon McBurney) aparece, e pede que  ele viaje para o sul da França com ele, a fim de investigar uma suposta médium, Sophie (Emma Stone). A garota afirma fazer contato com o além, e dessa forma acaba entrando na casa e na vida de Grace (Jacki Weaver), e de seu filho goiabão, Brice (Hamish Linklater). O negócio está em tal ponto, que o rapaz está completamente cego e apaixonada pela moça, e a corteja a todo momento. Para Howard, a suposta mediunidade de Sophie é apenas uma forma de tentar dar um golpe na família. No entanto, ele investigou e não pode descobrir os truques utilizados pela garota. Só mesmo Stanley poderia dar jeito. Ou será que não?

É claro que Stanley desconfia da moça desde o primeiro minuto. Afinal, ele não acredita nessas… nessas coisas. Ele é um homem da ciência. Contra a sua vontade, aos poucos, Stanley acaba cedendo à garota. Sem deixa de travar sempre uma batalha consigo mesmo, o mágico tem suas convicções jogadas todas por terra conforme a trama se desenvolve. É irresistível… mas não é tão simples assim.

Não é a primeira, e com certeza não será a última vez em que Allen mostra no seu filme esse ideal da mulher que vem para salvar o homem, apresentando um mundo de possibilidades. No caso, Sophie vem para resgatar Stanley do mar de ceticismo em que ele vive.

Woody já deixou claro muitas vezes o quão descrente ele é, e como gostaria de acreditar em algo. Todo esse pessimismo do diretor (que começou quando tinha cinco anos e descobriu um dia que, afinal, não somos imortais; o garotinho nunca mais foi o mesmo) o acompanhou pela vida, e agora em Magia ao luar vemos que talvez essa figura cética que Allen faz, esteja presente na persona de Stanley.


The more I watch her, the more I’m stunned. Could she be real? I’m beginning to question my own common sense.

Magia ao luar, com toda a certeza, não é o melhor filme de Woody Allen. Não entra nem mesmo no Top 10 do diretor. E, no entanto, consegue ser melhor do que passa no cinema atualmente – disse a vovó rabugenta. Eu amo o sentimento que esses filmes adoráveis do diretor causam no espectador. É pura diversão, é puro encantamento. É Allen inevitavelmente ficando velho e, consequentemente, eu diria, abrandando sua visão em relação a certas coisas.

Porque às vezes é bom acreditar por um momento, e ser feliz.

See you next year, Woody!

Escrito por Camila

Formada em Letras e na Academia Douglas Sirk de sofrência e pregadora na Igreja Universal do Reino de Woody Allen. Uma professora de inglês apaixonada por musicais. Faz parte da Comissão de Avaliação, Seleção e Fiscalização, na área de Cinema e Vídeo, do Financiarte de Caxias do Sul.

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