Aos mestres, com carinho: cinco professores marcantes do cinema

Aos mestres, com carinho: cinco professores marcantes do cinema

Hoje é o dia que comemora uma das mais antigas e também, eu diria, difíceis profissões que existem. E você só descobre o quão árdua é quando está do outro lado. Sim, é o dia do professor! A fulana que vos fala é formada na profissão, aliás. E, é claro, também por causa disso, sempre me interessei por filmes cujos protagonistas são os mestres da educação. E existem aqueles professores da ficção que mudam vidas, ensinam e aprendem grandes lições – e outros que tem a profissão como um meio alternativo e ~~normal~~, de ganhar a vida. É por isso que hoje eu listo aqui cinco professores das telas que marcaram a minha relação com o cinema.

5 – O mestre: Katherine Watson (Julia Roberts), em O sorriso de Mona Lisa (2003).
 

Katherine Watson didn’t come to Wellesley to fit in. She came because she wanted to make a difference.

Considerado a versão feminina de Sociedade dos poetas mortos, O sorriso de Mona Lisa traz uma professora de Arte, de espírito livre e moderna, tendo que ensinar em uma instituição conservadora de ensino para mulheres, em plena década de 1950. No entanto, as alunas de modo geral, parecem encarar a escola apenas como um passatempo até encontrarem um marido, naquele velho estereótipo da época de que uma mulher basicamente nascia tão somente para ser mãe e esposa, ponto. A forma como as garotas internalizam e aceitam esse papel incomoda a professora Rachel, que passa a incentivá-las a refletirem e conhecerem a si mesmas através da arte, assim como a tornarem-se autossuficientes, voltando-se contra o modelo imposto para as mulheres. É claro que a professora encontra resistência, mas, apesar de tudo, consegue tocar a vida de algumas das suas alunas.


4 – O mestre: Richard Dadier (Glenn Ford), em Sementes da violência (1955).
 

Yeah, I’ve been beaten up, but I’m not beaten. I’m not beaten, and I’m not quittin’.

Tudo o que Mr. Dadier queria era ser um bom exemplo, alguém que pudesse tocar o coração e a alma de seus alunos. Mas, já em seu primeiro dia como professor de Inglês em uma escola de uma área carente da cidade, ele aprendeu o quão utópica poderia ser essa visão que ele tinha da educação. Confrontado com os rapazes rebeldes e violentos da escola, Dadier dá o seu máximo na busca pela mudança na vida dos garotos. Porém, as coisas parecem se encaminhar para uma inevitável tragédia. E, apesar de tudo, o professor não desiste de seus objetivos.

Richard Dadier é, preciso dizer, meu professor favorito do cinema, justamente por essa força e persistência que ele tem. Mesmo quando a situação atinge o nível pessoal de sua vida, ele cai, mas logo se levanta novamente e persegue na tentativa de ajudar os alunos, seja qual for o mal que eles lhe causem. Além disso, Dadier acreditava em métodos alternativos para motivá-los a aprender.

Destaque para  Sidney Poitier aos 28 anos, como um dos alunos rebeldes e inicialmente indomáveis, que aos poucos acaba se aproximando do professor. Também vale destacar o sucesso que o filme fez na época, em meio ao surgimento do rock and roll, com a música de abertura Rock around the clock, de Bill Halley, que foi por acaso escolhida na coleção de discos do filho de Glenn, Peter. Cinemas foram destruídos por jovens enlouquecidos ao som da música, e o filme transformou-a em um hit astronômico.

 
3 – O mestre: Mark Thackeray (Sidney Poitier), em Ao mestre, com carinho (1967).
 

 I teach you truths. My truths. And it is kinda scary, dealing with the truth. Scary, and dangerous.

Engenheiro desempregado, Mr. Thackeray resolve dar aula e se torna um professor idealista, que quer fazer a diferença na vida de seus alunos. Inicialmente, Thack só quer um emprego, sem pensar profundamente na importância e responsabilidade do trabalho, mas ele acaba por se envolver com a profissão e com sua turma. A história é bem parecida com a de Sementes da violência: o professor vai ensinar em uma escola da periferia e se depara com alunos indisciplinados e sem perspectiva de futuro. A situação é agravada pelo preconceito inicial dos estudantes com o fato do professor ser negro, e pela aparente diferença no pensamento dos jovens do anos 60, o que gera confronto entre os alunos e o professor. A diferença, é que Ao mestre, com carinho tem uma visão mais açucarada da coisa toda. Thackeray aos poucos vai cativando seus alunos, se ao mesmo tempo que os mostrar como encarar a vida de forma diferente.

O filme tem no elenco a cantora Lulu, que conseguiu emplacar com a música-tema do filme, a breguíssima e grudenta To sir with love, que foi um estrondoso sucesso. Apesar do filme ser tecnicamente fraco, a história envolve e a atuação de Sidney Poitier é fantástica. Tornou-se um dos papéis mais emblemáticos e lembrados de sua carreira.

2 – O mestre: Rose Morgan (Barbra Streisand), em O espelho tem duas faces (1996).
 

We all want to fall in love. Why? Because that experience makes us feel completely alive. Where every sense is heightened, every emotion is magnified, our everyday reality is shattered and we are flying into the heavens. It may only last a moment, an hour, an afternoon. But that doesn’t diminish its value.

Ok, ok. Eu sei que ensinar não é o foco de O espelho tem duas faces, que conta a história de dois professores com azar em relacionamentos, que se envolvem em um casamento baseado puramente na amizade. Mas se tem um professor do cinema com quem eu queria ter aulas, esse alguém é Rose Morgan, que dá aula de Literatura Romântica na Universidade de Columbia. O fato de a professora fazer a linha patinho feio não interfere em nada no fato de que seus alunos a adoram e suas aulas são sempre lotadas. Uma das cenas, inclusive, mostra uma dessas aulas, onde a visão de Rose sobre a verdadeira concepção de amor e romance encanta os seus alunos, inclusive o seu pretendente, Gregory, interpretado por Jeff Bridges. A interação é fantástica. Vontade é que não falta de ser um dos alunos de Rose.

 

1 – O mestre: John Keating (Robin Williams), em Sociedade dos poetas mortos (1989).
 

O primeiro lugar só podia ser dele: o professor mais querido da ficção. John Keating mudou para sempre a vida dos seus alunos, ensinando-os a amar a poesia e a liberdade de espírito. Nada convencional, o professor leva os rapazes da conservadora e tradicional Academia Welton a perseguir suas paixões individuais e fazer de suas vidas algo extraordinário. Para ele, o objetivo da escola deveria ser formar livres pensadores. É claro que por conta disso, Keating é mal visto pela instituição e pelos pais dos alunos. O conflito entre os ideais do professor e o conservadorismo da escola acaba resultando em uma tragédia que muda a vida de todos para sempre.

O modelo de ensino de Keating é defendido atualmente na formação de docentes. As práticas do nada ortodoxo professor servem como exemplo do que a educação deveria ser de fato. É exatamente por isso que John Keating é o mais lembrado e amado de todos os professores da ficção.

A atuação maravilhosa de Robin Williams, naquele que, para mim, é a melhor de toda a sua carreira, coroa esse filme ótimo, que é uma lição. Deveríamos viver exatamente como Keating nos ensina: aproveitando cada dia de forma extraordinária.

 
Menção honrosa: Professor Henry Jones Jr., ou melhor, Indiana Jones (Harrison Ford), na quadrilogia homônima.
 

Muita gente esquece que, nas horas vagas, o arqueólogo Henry Jones Jr. (Indy, para os mais íntimos), é professor na Universidade onde, entre outras coisas, faz suas alunas suspirarem. Jones tem a mania de se empolgar falando de suas descobertas, ficando tão absorvido a ponto de esquecer dos alunos ao seu redor. Quem vê o aparentemente pacato professor dando aula, nem imagina as aventuras que ele vive em suas missões.

Escrito por Camila

Formada em Letras e na Academia Douglas Sirk de sofrência e pregadora na Igreja Universal do Reino de Woody Allen. Uma professora de inglês apaixonada por musicais. Faz parte da Comissão de Avaliação, Seleção e Fiscalização, na área de Cinema e Vídeo, do Financiarte de Caxias do Sul.

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