O Último Adeus de Bette Davis

O Último Adeus de Bette Davis

“Documentário sobre os últimos dias de Bette Davis estréia em festival de filmes na Espanha, realizado com a dignidade e respeito que merece”

A última aparição pública de Bette Davis aconteceu a 25 anos no Festival San Sebastian na Espanha em 1989, e sua morte, que a estrela sabia que era eminente, ocorreu pouco tempo depois num hospital na França. Tais acontecimentos garantiram a ela um lugar especial no coração dos fanáticos por cinema na Espanha, desesperados por um pouco de glamour após 40 anos de Franco. “Bette Davis Bids Farewell” relata a história daqueles dias de afeição, homenagens divertidas, algumas emocionantes e sempre respeitosas.

Com detalhes superficiais no que diz respeito a San Sebastian deixados para trás, o diretor Pedro Gonzales Bermudez utiliza uma abordagem sem rodeios para documentar quase que hora por hora, acontecimentos detalhados desde a chegada da atriz no aeroporto em San Sebastian até sua última viagem para a França. Ele fez um bom trabalho na busca de praticamente todos que tiveram contato direto com ela durante aqueles poucos dias. E outros que não tiveram, mas que sabiam da importância cultural do último adeus de Bette Davis.

O primeiro deles é o amigável diretor do festival, Diego Galan, que já contou essas histórias milhares de vezes: interessantemente, Davis concordou em comparecer como convidada em uma retrospectiva de James Whale. Mas depois de certo ponto o foco da retrospectiva mudou completamente.

Outros incluíram Kathryn Sermak, sua assistente pessoal, que cuidava da “senhora Davis” com o maior controle possível. Inesperadamente, de forma um tanto dramática, Sermark comenta sobre aqueles eventos “históricos” usando o verbo presente.

Uma boa forma de gastar seu dinheiro é conversando com o maravilhoso e teatral Jaime Azpilicueta, designer de cenários do festival, um ótimo contador de histórias que tem falado sobre isso durante anos, imitando os conhecidos trejeitos de Bette Davis com o cigarro e sua fala maliciosa, no termo usado no espanhol “mala leche preciosa” e em inglês “beautiful bitchiness”.

Bette Davis foi uma estrela, e estrelas podem ser exigentes: quando o motorista do aeroporto não falava inglês fluentemente, um intérprete era convocado para dirigi-la até o hotel. Uma de suas malas – calculou-se estimadamente 30 ou 50 delas – sumiu e todos se arrependeram disso. Seu maquiador amedrontado a fez parecer mais velha quando conheceu Jaime, a atriz havia demitido outra garota mais cedo naquele dia.

Mas quando estrelas se apagam, o ser humano começa a aparecer. Davis estava genuinamente comovida com a adulação recebida durante os poucos dias na Espanha. Disposta a manter seu misticismo até o fim, ela recusou-se a ser fotografada na cadeira de rodas e não seria permitido fotógrafos em sua coletiva de imprensa, na qual ela declarou que sua vida amorosa tinha sido um completo desastre. Os passos que esta frágil e resistente senhora precisaria dar, tinham de ser contados com antecedência. Ela usava uma peruca e as sombrancelhas desenhadas com maquiagem.

Ocasionalmente, o documentário transita entre episódios cômicos e outros de maior reflexão. No lado oposto da janela do hotel da estrela, havia uma grande propaganda de Batman de Tim Burton, que fez sua estréia naquele ano. De acordo com as palavras de sua assistente, Davis o achava “agressivo” e o script representava o fim do glamour em Hollywood que se depara com a nova Hollywood tecnológica.

A soma dos fatos relatados por Guillermo Farre é eficaz mas exagerada, para nossa surpresa não inclui cenas de filmes, mas uma grande quantidade de fotografias. Há alguns depoimentos de testemunhas que sugerem sua versão da verdade ou simplesmente contam o que ouviram. Não parece importar em uma biografia idealizada como essa. Quando escutamos uma boa história ninguém parece se importar tanto se é mesmo verdadeira.

“Miss Davis”, Diego disse a estrela em sua última aparição no palco, “nós todos te amamos”; e o espectador termina o filme com o comovente sentimento de que embora Bette Davis tenha morrido longe de casa, sua última viagem aconteceu em um lugar cheio de pessoas que realmente a amaram.

Diretor: Pedro Gonzalez Bermudez

Roteiro: Pedro Gonzalez Bermudez, Juan Zavala

Produtores executivos: Javier Morales, Juan Zavala

Diretor de fotografia: Raul Cadenas

Composição: Guillermo Farre

Produção: TCM

 

Artigo original em inglês: The Hollywood Reporter


 

Minha impressão foi de que parece um documentário interessante, embora não pareça trazer qualquer novidade alarmante. Esse último período de sua vida sempre me interessou muito, sempre digo que Bette Davis é minha atriz favorita e a que mais respeito, parte disso se deve ao fato dela jamais ter desistido dos filmes e porque estava orgulhosa de sua carreira até o fim. Vou concluir o post com um trecho do último capitulo da biografia “The Girl Who Walked Home Alone” escrita por Charlotte Chandler, com depoimentos da própria Bette. Uma citação em que ela fala sobre a velhice: “Eu fui Margo Channing quando o que eu queria era ser Jezebel. Agora eu sou o que restou de Baby Jane. A pior coisa é quando você repara nos olhos das pessoas. Eles me viram na televisão em ‘A Malvada’ ou ‘A Estranha Passageira’ e depois te vêem pessoalmente. Eles esperam que você se pareça a mesma. Existe uma terrível descrença em seus olhos. Quando eu ainda era uma jovem atriz, eu idolatrava Jane Cowl no teatro. Muitos anos depois, em ‘Depois da Tormenta’, eu trabalhei com ela. Eu nunca esqueci a fala que ela me disse na cena final: ‘Quando uma mulher envelhece, a solidão é uma ilha e o tempo uma avalanche’. Que profético!
Qual conselho eu daria? Deixe sua bagagem. Pegue um punhado de flores para seu humilde apartamento ao invés de esperar pela casa que vai construir um dia.
 
Felicidade deveria nunca ser adiada. A vida é o passado, o presente e o talvez…”

Escrito por Guilherme

Still tryin' to find my place in the sun.

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