TOP 10 remakes que deveríamos lembrar

TOP 10 remakes que deveríamos lembrar


Hoje vamos falar deles, os remakes. Preparamos uma lista (para esse tema caberia uma, duas, três listas se incluirmos os mais cafonas) daqueles que valeram a pena e também das bombas que jamais deviam ter alcançado a luz do dia. Caso tenha perdido algum, sempre pode-se recorrer ao torrent. Alguns desses filmes sofreram adaptações em relação ao original, mas retratam a mesma história.

 

10) O Iluminado (1980) /O Iluminado (1997)


Stephen King deve ter ficado realmente p da vida com as diversas alterações que seu livro sofreu no clássico de Kubrick. O interessante no remake de “O Iluminado” é que foi acompanhado de perto pelo autor, que produziu o filme ou essa minissérie de três episódios para a televisão. Enquanto o filme dirigido por Stanley Kubrick conta com diversas adaptações que o tornaram icônico, o remake lançado em 1997 estrelando Steven Weber e Rebecca De Mornay cumpre a missão de torná-lo o mais fiel possível ao livro, muita coisa que fica apenas subentendida no filme de Kubrick é melhor explicado nessa minissérie de quatro horas e meia. Apesar de contar com atuações competentes do novo elenco, sentimos falta do impacto e das sequências eletrizantes de Jack Nicholson correndo com seu machado (que na versão nova é substituído por um martelo). É difícil uma adaptação literária para o cinema conseguir superar o livro, alguns resultados chegam a beirar o ridículo. É então que notamos a diferença que um bom diretor e adaptações inteligentes podem fazer! Há quem prefira o Danny de Kubrick e sua motoca, enquanto muitos fãs do livro consideram a versão de King para a TV superior.


9) Anna Karenina (1935)/Anna Karenina (2012)

O clássico de Greta Garbo lançado em 1935 ganhou diversas adaptações com o passar dos anos, uma delas inclusive estrelado por Vivien Leigh, pouco mais de uma década depois. Dessa vez listamos o mais recente, lançado em 2012 e protagonizado por Keira Knightley, cuja escolha dividiu a crítica. Sem querer defender a moça, seria difícil para qualquer atriz reproduzir a doçura que Garbo trouxe ao personagem no velho clássico. Se a versão em preto e branco contava com atuações surpreendentes e dramaticidade para alcançar o clímax desejado, o remake garante uma produção impecável; foi indicado ao Oscar de melhor figurino, melhor fotografia, trilha sonora e design de produção.


 

8) Sublime Obsessão (1935)/Sublime Obsessão (1954)

Sublime Obsessão é um grande exemplo das mudanças sofridas pelo cinema em 20 anos! A primeira versão, de 1935 é estrelada por Irene Dunne e Robert Taylor. A trama conta a história de Bob Merrick (Taylor), um playboy mimado que envolve-se num acidente de barco no exato momento em que um médico respeitado morre à espera de socorro. O jovem rapaz sente-se culpado, por sua sobrevivência ter custado a vida de Dr. Phillips. Uma reviravolta acontece quando o jovem se interessa por Helen (Irene Dunne), viúva de Phillips. Outro acidente trágico irá mudar o destino de todos.

Ambas as versões foram protagonizadas por atores jovens (bonitos) e carismáticos, como o personagem é descrito na Obra de Lloyd C Douglas. Robert Taylor é lembrado até hoje como um dos mais belos rostos do cinema e estava no auge em 1935. O remake de Douglas Sirk marcou o primeiro papel marcante na carreira de Rock Hudson, Jane Wyman já era uma estrela consagrada e transmitiu a Rock tudo o que sabia, ele nunca escondeu o quanto era grato à Wyman, que o ajudou a lidar com suas inseguranças, os dois foram amigos até o final de suas vidas.

Os filmes tem abordagens diferentes e atrativos particulares. Prefiro a versão de Sirk, que na minha opinião proporcioniou melhor ao enredo a dramaticidade necessária. Não é a toa que o cinesta é conhecido como o mestre do “melodrama”, a carga emocional de seus filmes o diferenciam de outros diretores; ou seja, quando o cartaz avisar um melodrama de Douglas Sirk, pegue um lenço e se intoxique com seus romances (que são o melhor tipo de açucar)! A narrativa utilizada em 1935, a belíssima fotografia e o desempenho de Irene Dunne e Robert Taylor tornam essa versão independente do remake, apesar do deslumbrante technicolor de Douglas Sirk. Uma coisa é certa: ambos valem a sessão.


7) A Aldeia dos Amaldiçoados (1960)A Cidade dos Amaldiçoados (1995)

 

Village of the Damned é inspirado no livro de ficção científica “The Midwich Cuckoos” de John Wyndham. Em 1995, John Carpenter (que dirigiu diversos clássicos do terror na década de 70 e 80, como Halloween e Christine) decidiu filmar uma nova versão do filme lançado por Wolf Rilla, em 1960. A história começa na pequena cidade de Midwich, onde um fenômeno causa um “apagão”, no qual todos os habitantes desmaiam por algumas horas. Semanas depois, várias mulheres se descobrem grávidas – inclusive as que não tiveram relações sexuais. Estudantes de medicina, aliados com o governo oferecem uma recompensa para que todas mantenham seus bebês, para que pudessem estudá-los. Aos poucos, descobrem que as crianças são mais inteligentes do que o normal, além do poder de hipnotizar outros habitantes da comunidade. Logo uma série de “suicídios”, mortes e catástrofes passam a aterrorizar a cidade.

A Aldeia dos Amaldiçoados protagonizado por George Stevens em 1960, lidera a posição #92 na lista de cenas mais assustadoras, transmitidas pelo canal “Bravo” nos Estados Unidos. O remake não recebeu boas críticas e marcou o último papel do ator Christopher Reeve, antes do acidente que o deixou tetraplégico em maio de 1995.

Apesar do perfeccionismo de Carpenter e a produção excelente da nova versão, acredito que o filme não tem o mesmo impacto do original que foi um dos pioneiros com crianças “malígnas”! Também existe o contraste da fotografia em preto e branco, que nos filmes de terror me causa um clima bem mais sinistro, principalmente se compararmos com o remake.


 

6) Uma Rua Chamada Pecado (1951)Um Bonde Chamado Desejo (1995)

Jessica Lange e Alec Baldwin que me perdoem, mas determinados filmes jamais deveriam ser tocados, pelo menos não na forma que aconteceu no remake estrelado pela dupla em 1995. O problema não são as cores ou o cenário… é que simplesmente não funciona. Para começar, Alec Baldwin parece uma caricatura do Stanley Kowalski intimidante de Marlon Brando no filme de Elia Kazan, foi difícil conter as risadas perante as investidas dele para cima de Blanche interpretada por Jessica Lange. Nada contra adaptações para a televisão ou baixo orçamento (acho ótimo), mas não deu certo aqui.


 

5) Trama Diabólica (1972)Um Jogo de Vida ou Morte (2007)

Sleuth de 1972 foi o último filme dirigido por Joseph L. Mankiewicz (A Malvada,  Cleópatra, De Repente, No Último Verão) e trouxe Laurence Olivier e Michael Cane dividindo a cena em uma deliciosa disputa de gato e rato. Na trama, Caine interpreta Andrew Wyke (amante da Sra. Tindle) e Olivier é Milo Tindle, ambos dormem com a mesma mulher e precisam acertar quem está sobrando no triângulo! Andrew é um escritor excêntrico de meia-idade, disposto a manipular e destruir o jovem rival. O mais irônico é que depois de 30 anos, Caine também protagoniza o remake, só que ao invés do jovem amante interpreta o marido traído, que já flerta com a velhice. É incrível o quanto um filme, com somente dois personagens é capaz de nos deixar vidrados por duas horas. Trata-se de uma perversa briga de Egos! A nova versão conta com recursos tecnológicos diferentes e surpreende com uma atmosfera inédita para esse roteiro sensacional. Laurence Olivier está memorável e Michael Caine firma-se como uma grande promessa, para depois de mais de 30 anos nos lembrar porque é conhecido como um dos atores mais talentosos de nosso tempo.


4) Sedução do Pecado (1928)Pecado da Carne (1932)


Sadie Thompson foi adaptado em 1928 por Gloria Swanson, RAINHA do cinema mudo e após o surgimento dos filmes “falados” em 1932 foi a vez da galinha dos ovos de ouro e uma das maiores estrelas da Metro-Goldwyn-Mayer, Joan Crawford. Na verdade, pela primeira vez desde 1926, a atriz afastou-se da MGM que a “emprestou” para a United Artists para a nova adaptação do clássico, cuja produção contava com um elenco experiente, que vinha do teatro.

O filme narra a passagem de Sadie Thompson, uma prostituta (ou cantora”, na versão com Gloria Swanson) que ficou presa em uma ilha com outros tripulantes do navio onde viajava e começou a ser perseguida por um missionário decidido em “salvá-la” e resignar a moça perante Deus, fazendo com que esta se arrependesse de seus pecados. Me parece com um exemplo de filme pre-code, definitivamente!

 

A versão de 1932 foi gravada em um mês na ilha de Cataline, Joan havia avisado Fairbanks que precisava ficar sozinha para concentrar-se no trabalho, quando ele decidiu surpreender a esposa com uma visita, Joan não mostrou-se contente por considerar sua presença “distrativa”.

 

Esse filme está entre os favoritos de muitos fãs de Crawford, mas ela não ficou contente com seu desempenho na época:

Rain foi uma experiência difícil, na época eu achava que se tratava de minha pior atuação até o momento, mas agora penso que estava errada. Por causa do meu passado no cinema, todos aqueles atores da Broadway me trataram como se eu fosse Sadie Thompson. E estando num estúdio estranho onde não conhecia ninguém, fez com que eu me sentisse isolada, como a personagem. Olhando para trás, estou orgulhosa de minha Sadie Thompson.

3) O Destino Bate à Sua Porta (1946)O Destino Bate à Sua Porta (1981)

O inesquecível suspense O Destino Bate à Sua Porta estrelado por Lana Turner e John Garfield ganhou uma nova versão em 1981 com ninguém menos que Jack Nicholson e Jessica Lange, ainda no início de suas carreiras. Já tinha escutado falar sobre as famosas cenas de sexo, mas o que chamou a atenção foi a frieza com que o casal planejara o crime, com uma perversidade muito mais escancarada que no filme original.

Um aspecto macabro na primeira versão é que tudo começa à luz do dia, como se a chegada de Frank (John Garfield) no Twin Oaks Bar fosse algo cotidiano. Frank começa a trabalhar ali e logo se interessa por Cora (Lana Turner) que é casada com um homem mais velho, banana o suficiente para não notar as intenções da mulher com o novo empregado.

A primeira versão foi adaptada de forma tão eficaz que nem mesmo a censura o impediu de atingir o clímax no desfecho final, surpreendente até hoje! O remake tem um final maior que completa a saga dos amantes de forma mais realista e provavelmente fiel ao livro, que deve valer a pena cada página!

É de conhecimento geral que apesar da popularidade de John Garfield em 1946, Lana Turner não simpatizava com o rapaz, chegou até a comentar: “não poderiam ao menos ter escolhido alguém atraente?”! Concordo que Garfield e Jack Nicholson podem não corresponder as características de um galã típico, mas certamente possuem toda a virilidade e personalidade essenciais na trama de “The Postman Always Rings Twice”!


2) Algemas de Cristal (1950)Algemas de Cristal (1973)À Margem da Vida (1987)

O belíssimo conto The Glass Menagerie de Tennessee Williams teve diversas adaptações para o cinema e infelizmente nenhuma delas alcançou o êxito merecido, como aconteceu com outros de seus romances: De repente, no último verão, Gata em teto de zinco quente e Uma rua chamada pecado.

Williams afirmou que em todos os seus livros havia um personagem feminino no qual se identificava e um personagem masculino que lhe atraísse sexualmente. Além de se identificar com as mulheres, ele retratava os dramas sofridos pela mãe, irmã, entre outras que marcaram sua vida.

“Algemas de Cristal” conta a história de Amanda Wingfield e seus filhos Tom e Laura. Os três vivem em um pequeno apartamento, na parte pobre de New Orleans. Na verdade, Amanda vive das lembranças do passado antes de ser abandonada pelo marido e tenta disfarçar sua frustração na esperança de que seus filhos alcancem os sonhos que não deram certo para ela. Laura é uma garota tímida, que tem dificuldade para socializar com outros jovens e foge da realidade colecionando peças de vidro, quase tão delicadas quanto ela. Além disso, a garota tem um defeito físico na perna e torna-se uma preocupação para Amanda que espera evitar que a filha se torne uma “solteirona”. O filho primogênito Tom é quem mais sofre com os nervos de aço da mãe e encontra refúgio no trabalho em uma fábrica de sapatos durante o dia e no álcool a noite. Certo dia, ele finalmente atende o pedido de sua mãe e leva um amigo do trabalho para jantar em casa; é a esperança de todos para resolver o futuro de Laura.

Existem três versões do filme, a primeira lançada em 1950 com Jane Wyman e Kirk Douglas no elenco foi dirigida por Irving Rapper (que também dirigiu quatro filmes da Bette Davis, incluindo “Now, Voyager” e “Deception”). Essa versão chama atenção pela ótima edição de imagens sobrepostas, com direito aos flashbacks característicos de Rapper, no desenrolar da trama. Apesar disso, T.W. declarou que detestava essa adaptação por causa das mudanças no roteiro, em relação ao final de seu livro.

Talvez esse seja o único filme dessa lista que eu afirmo com certeza: PREFIRO O REMAKE. A versão (menos sofisticada) de “The Glass Menagerie” feito para a TV em 1973 traz Katharine Hepburn, Joanna Miles e Sam Waterston. Diria que essa é uma versão muito mais teatral se compararmos com o filme original, o apartamento da família Wingfield é praticamente o único cenário dessa versão e esse é um dos fatores que o torna especial. O personagem de Amanda, interpretada por Katharine Hepburn é um dos mais sensíveis que já assisti e o clima intimista do filme faz com que Kate nos emocione ainda mais, como se fizessemos parte daquele velho cômodo. Tamanho é o caráter emocional dessa trama, o final não poderia ser mais verossímil e vibrante! O filme foi dirigido por Anthony Harvey, que também dirigiu Kate em “O Leão no Inverno”, filme pelo qual a atriz faturou o Oscar em 1968.

The Glass Menagerie ganhou uma terceira versão em 1987 e foi lançado no Brasil com o título de “À Margem da Vida”. Dirigido por Paul Newman e protagonizada por John Malkovich, Joanne Woodward e Karen Allen. Estou curioso para conhecer mais do Paul Newman como diretor depois que ouvi falar do seu ótimo trabalho na direção em “Rachel Rachel”, de 1968.

Na minha opinião, essas versões tem atrativos diferentes e abordagens interessantes para narrar essa história tão emocionante. Esperava limitar o número de caracteres para esse post, mas no caso desse filme não pude me segurar, malzaê!

 

FELIZMENTE, os três filmes estão disponíveis no YouTube e você pode escolher qual prefere assistir! Segue os links: Algemas de Cristal (1950)Algemas de Cristal (1973) e À Margem da Vida (1987)


 

1)Circulo do Medo (1962)Cabo do Medo (1991)

No caso desse filme, assisti primeiro a adaptação de Martin Scorsese protagonizada por Robert De Niro em 1991, para então recentemente descobrir que trata-se de um remake do filme com direção de J. Lee Thompson realizado em 1962. O longa original com Robert Mitchum e Gregory Peck, acompanha o ex-presidiario Max Cady (Mitchum) que após cumprir uma setença de oito anos, vai atrás do advogado Dave (Peck) que testemunhou contra ele no tribunal e a partir daí começa a persegui-lo. Dave teme pela segurança de sua esposa e filha adolescente ao perceber que o psicopata está decidido a vingar os anos em que esteve encarcerado.

Scorsese fez um trabalho ímpar em recriar a atmosfera aterrorizante do primeiro filme, é uma das raras excessões onde fica difícil escolher entre eles, ambos obrigatórios para quem curte um bom suspense. Escolha seu favorito!


 

That’s all, folks! Se tiverem mais opções, podem deixar nos comentários! Esse tema cabe um “Parte 2” ou até uma lista sobre títulos que inspiraram outros filmes, sem tratar-se necessariamente de um remake. E o que dizer então sobre as sequências? Já consigo lembrar de alguns desastres, mas pra toda regra existe uma excesão, então vale o debate. Imagino que muita coisa ficou de fora, alguns clássicos do terror tiveram versões interessantes (ou não?). Até a próxima!

Escrito por Guilherme

Still tryin' to find my place in the sun.

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