Seis videoclipes baseados em filmes

Seis videoclipes baseados em filmes
Eu tenho três grandes paixões na vida.  O cinema, é claro, é um deles. Os dois outros são a literatura e a música. Na faculdade, estudei a literatura, e de vez em quando, dava um jeitinho de colocar as outras duas no meio. E hoje nesse post, quero fazer mais ou menos o que eu fazia na universidade.
É fácil, porque essas três áreas andam muito juntas. Temos inúmeros filmes baseados em livros, algumas músicas baseadas em livros (Wuthering Heights, da Kate Bush, sendo a minha favorita nesse quesito, aliás), músicas baseadas em filmes, filmes que deram origem à livros, etc. Mas o assunto aqui hoje, queridos, é a música, mais especificamente os videoclipes  (esse termo é tão anos 90).
A história dos clipes musicais vem de longe, lá dos Beatles nos anos 60, e do ABBA, nos 70, e de outras bandas e cantores que vieram depois, e que, para evitar as inúmeras viagens, mandavam vídeos seus cantando para as emissoras de TV, e nos 80 surgiu a MTV, e o resto é a evolução que se deu a tal ponto que, hoje em dia, o clipe de uma música é tão importante quanto a própria.
Eles fazem parte da cultura pop, assim como alguns clássicos do cinema. Sendo assim, listamos aqui hoje seis clipes que foram influenciados por filmes.

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6 – O clipe: The Cardigans – Hanging around (1998)
O filme: Repulsa ao sexo (1965)

No clipe dos Cardigans, que é mais conhecido por aqui pelo hit Lovefool, Nina Persson, a vocalista da banda, encarna Catherine Deneuve no clássico de Roman Polanski, no vídeo de Hanging around, que é quase uma pequena versão do longa. O vídeo cria uma clima obsessivo, com os olhares e gestos da cantora, e é cheio de detalhes para quem assistiu o filme de 1965. O figurino e a estética de Repulsion são reproduzidos, e com o auxílio do desempenho de Nina aliada a guitarra marcante da música em momentos estratégicos, faz com que esse seja um daqueles clipes que conseguem homenagear dignamente um filme. Por isso, é o nosso sexto lugar.

5 – O clipe: A-ha – You are the one (1988)
O filme: Um dia em Nova York (1949)

  Nesse clipe adorável, os lindos noruegueses do A-ha são três marinheiros de licença, passeando por Nova York deslumbrados e, aparentemente, atrás de garotas. Soa familiar, não? E se eu disser que tem uma mulher dirigindo um táxi? Pois é, acertou. O videoclipe de You are the one faz referências ao clássico musical de 1949, estrelado por Gene Kelly, Frank Sinatra e Jules Munshin. A maioria das cenas remete diretamente de alguma forma ou outra à Um dia em Nova York. Assim como Betty Garrett no filme, o clipe traz uma moça que dirige um táxi e ajuda os rapazes a desbravarem a famosa cidade. Mas o clipe não depende só de rapazes nórdicos bonitos e moças com roupas estranhas. Na verdade, a música You are the one é ótima também. E curiosamente o lugar onde mais fez sucesso foi o Brasil. Lugar, aliás, que foi um dos que mais recebeu bem o grupo, e também um dos em que o A-ha fez mais sucesso. O show deles no Rock in Rio em 1991, foi épico e inesquecível para o grupo.

4 – O clipe: Madonna – Material Girl (1984)
O filme: Os homens preferem as loiras (1953)

É claro que a Rainha do Pop não poderia ficar de fora dessa lista. Madonna sempre foi uma fã assumida do cinema clássico, e isso ficou ainda mais evidente no seu visual de outras eras, inspirada em Marilyn Monroe, na letra de Vogue, bem como em vários clipes de sua carreira. Um dos mais icônicos, com certeza, é Material girl. O vídeo, totalmente influenciado pelo filme Os homens preferem as loiras, de 1953, mais especificamente pela parte em que Marilyn Monroe canta Diamonds are a girl’s best friend. Foi uma forma de Madonna homenagear uma de suas grandes inspirações, e também a referência não foi utilizada à toa: o tema das duas canções é praticamente o mesmo. O filme de 53, estrelado por MM e Jane Russel, acabou tornando a loira ainda mais icônica. O mesmo aconteceu com Madonna e o seu maravilhoso clipe, que me leva a imaginar quantas vezes a diva assistiu o filme, já que ela reproduz quase todos os movimentos de MM. Um ícone dos anos 80, e um dos grandes sucessos da Rainha.

3 – O clipe: Queen – Radio Gaga (1984)
O filme: Metropólis (1927)

Em 1984, o Queen estava no auge de seu sucesso comercial. Um dos grandes hits dessa época e de toda história da banda, foi Radio gaga, que faz uma crítica, ironicamente, à importância que as pessoas davam aos clipes na época, deixando quase sempre a música em si de lado. Em si, uma crítica a toda aquela cultura da MTV. Ou seja, a época em que as pessoas ouviam a música no rádio, segundo eles, tinha passado, e o aspecto visual sobrepujou as sensações que o simples ato de ouvir uma música poderia causar. Essa questão acabou levando a uma certa nostalgia da era do rádio, que é retratada no vídeo, mostrando-o como um amigo de toda a família, que levava alegria às pessoas nos tempos difíceis da guerra. Mas logo, o que parecia uma cena nostálgica, se mostra como o futuro, com a família usando máscaras de gás, também em meio a uma guerra, mas dessa vez em outro nível: o rádio comunica que o planeta está sendo invadido por extraterrestres. Aí temos também os quatro integrantes do Queen sobrevoando Metropolis em uma nave, em contraste com o passado; a mensagem é clara: os tempos são outros. O clássico de ficção científica de Fritz Lang, Metropolis, serve de pano de fundo durante quase todo o tempo do vídeo, enquanto a nave transita entre passado e futuro. Algumas outras cenas do filme também foram utilizadas, e outras, reproduzidas pelos músicos da banda durante o vídeo. No final do clipe, aparece ainda a seguinte frase: “Thanks to Metrópolis”. Sem dúvida nenhuma, um dos melhores vídeos do Queen, que deixou sua marca nesse mundo MTV, apesar da crítica.

2 – O clipe: Cranberries – Linger (1993)
O filme: Alphaville (1965)

Um dos maiores sucessos dos anos 90, Linger tem um clipe totalmente inspirado por Alphaville, um dos clássicos de Godard. A começar pelo semáforo, que inicia tanto o filme quanto o clipe, toda a estética do filme, a fotografia em preto e branco, a luz, tudo remete ao filme de 1965, estrelado por Anna Karina, que trata da dominação do mundo por uma máquina, um computador que comanda de forma cruel a sociedade. A história de Alphaville dá o tom do clipe desse clássico dos Cranberries.

1 – O clipe: Belle and Sebastian – Jonathan David (2001)
O filme: Jules e Jim (1962)

O Belle and Sebastian é uma daquelas bandas únicas. Os caras não tem absolutamente nada de convencional. Isso se reflete principalmente em sua música, e mais ainda em seus videoclipes, que são um tanto raros. Jonathan David é uma música quase que desconhecida do público, mas, em minha humilde opinião, é uma das mais maravilhosas. E estranhamente, eu conheci ela (e a banda, aliás) há muito tempo atrás, por meio de um amigo, nos áureos tempos do MSN. Ele enviou-me o vídeo, e foi amor à primeira vista! A música fala de um triângulo amoroso, envolvendo um rapaz, seu melhor amigo e sua namorada, os três vivendo na mesma casa. Aos poucos a namorada começa a se interessar pelo tal amigo, que corresponde… e a situação chega a tal ponto que o resignado namorado abre mão da amada, e aceita que os dois fiquem juntos. Todo a história do clipe, bem como a fotografia em preto e branco, remetem ao filme “Jules e Jim – Uma Mulher Para Dois”, de François Truffaut. Só que enquanto o filme se passa no início do século 20, o vídeo do Belle and Sebastian acontece na época que o filme foi lançado, a década de 1960. Foram feitas três versões, na verdade, para o clipe: uma que se passa nos 60, e conta a história, e outra nos 70, que é a parte em que a banda canta/toca; e por fim, uma versão que junta as duas, que está acima. No entanto, vale a pena assistir a versão que não está no Youtube, e sim no Vimeo, que é a versão totalmente inspirada em Jules et Jim, que contém a história completa do triângulo amoroso.
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 E aí, você gostou da nossa lista? Existem muitos clipes baseados em filmes, mas esses foram os escolhidos da vez. Todos são vídeos maravilhosos, e de músicas igualmente ótimas. Alguma sugestão para uma possível parte 2 desse post? Espero que você tenha apreciado os vídeos e as músicas.

A música, aliás, não é uma tema recorrente aqui no blog, mas tudo que envolve cinema sempre merece nossa atenção, né?

(Radio someone still loves you...”)

Escrito por Camila

Formada em Letras e na Academia Douglas Sirk de sofrência e pregadora na Igreja Universal do Reino de Woody Allen. Uma professora de inglês apaixonada por musicais. Faz parte da Comissão de Avaliação, Seleção e Fiscalização, na área de Cinema e Vídeo, do Financiarte de Caxias do Sul.

Comentários

Comentários

1 Comentário
  • Robert Moura disse:

    Que revelação, Camila! Adoro Cranberries e Alphaville foi o primeiro filme que vi do Godard, mas nunca havia me dado conta disso. (Como diria Roberto Gomes Bolaños: que burro, dá zero pra ele).

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