Um Lugar ao Sol (1951)

Um Lugar ao Sol (1951)

Dois ícones em ascensão e um diretor visionário aliados em uma grande produção só poderia resultar em um dos maiores clássicos de todos os tempos. A jovem Elizabeth Taylor tinha somente 17 anos na época das filmagens e já era bastante conhecida pela participação em filmes como “A Mocidade é assim mesmo” e “Quatro Destinos”, sempre em papéis juvenis. Em 1951, isso estava prestes a mudar já que estava na mira da Paramount que aguardou o momento certo para oferecer-lhe o papel de Angela Vickers. Montgomery Clift mal tinha dado os primeiros passos e já era uma promessa desde que protagonizou “Tarde Demais” com Olivia de Havilland, dirigido por William Wyler. Parece que nada poderia dar errado e George Stevens merece todo o crédito por suas intuições na produção de “A Place In The Sun”.

Ainda nos créditos iniciais Montgomery Clift aparece de costas, pedindo carona em uma rodovia movimentada embalada pela trilha de Franz Waxman. Quando o diretor e produtor George Stevens é creditado finalmente podemos ver seu rosto. Na trama, George Eastman (qualquer semelhança com o nome do diretor é coincidência?) acaba de chegar na capital à procura o tio Charles que prometeu lhe arrumar um cargo na área de produção na empresa da família, que vende trajes de banho. Recém chegado na cidade, George disfarça a inexperiência, mas a insegurança é nítida. Pelo menos somos levados a pensar assim.

Trabalhando na fábrica da família, com o passar dos meses George começa a cortejar Alice, uma jovem e humilde auxiliar de produção. A aproximação é típica, depois do cinema ele tenta avançar o sinal com a garota. E não lembrava do quanto CONVINCENTE Monty foi nessas investidas, as cenas foram sugestivas o suficiente para nos fazer sentir o que rolava, diria que até para os padrões de hoje. Depois de consumar o romance, Alice está irremediávelmente envolvida, apesar de notar que George tem alguma curiosidade a cerca do estilo de vida sofisticado dos Eastman.

O primeiro encontro da bela Angela Vickers (Elizabeth Taylor), sobrinha do dono da companhia e George acontece na sala de jogos da casa de Charles Eastman. Ele está entediado jogando sinuca sozinho quando é interrompido por Angela, que fica curiosa a respeito do Eastman desconhecido. Depois de uma conversa inofensiva e das trocas de olhar (ampliados pela lente de Stevens), George fica obviamente interessado e Angela decidida em decifrá-lo. A cena só acontece depois de quase meia hora de filme e nessa altura já ficamos ansiosos!

“Um Lugar ao Sol” é sobre o triângulo amoroso entre Angela, George e Alice, apesar de não ter sido vendido dessa maneira. Shelley Winters interpreta Alice, na época a atriz era conhecida por aparecer como uma garota glamourosa em seus filmes anteriores e conquistou o voto de confiança de Stevens para interpretar uma trabalhadora da classe operária. Acredito que Winters esteve brilhante e merece todos os créditos por representar de forma brilhante uma jovem comum.

 

George está cada vez mais interessado em Angela e impressionado com o elevado padrão de vida que encontra na residência dos Eastman. Os problemas começam quando Alice aparece grávida e diante dos planos ambiciosos do parceiro, é aconselhada a fazer um aborto. A cena onde a moça precisa ir a um médico explicar que teria um filho fora do matrimônio demonstram o quanto humilhante eram suas circunstâncias. Na verdade é um tabu até hoje, mas as opções na época eram ainda mais limitadas para garotas ingênuas como Alice. George Stevens era um pioneiro no sentido de fazer o grande público encarar questões indesejadas.

As técnicas de filmagens utilizadas pelo diretor chamaram a atenção da indústria e ajudou a definir um novo padrão, onde a câmera é posicionada em lugares estratégicos, sugerindo aos expectadores a posição de espiões e cúmplices da narrativa. O filme é repleto de tomadas de rosto em Monty e Liz Taylor (também com aqueles rostos não poderia dar errado!). Um exemplo da chamada câmera indiscreta está na cena do beijo, onde assistimos o primeiro beijo de Angela e George por trás do ombro de Montgomery Clift.

Os extras do DVD nacional de “Um Lugar ao Sol” contém diversas entrevistas de colegas e outros cineastas sobre os bastidores e a carreira de George Stevens. Dame Elizabeth Taylor conta que o diretor analisava ela e Monty como marionetes e conseguia tirar o melhor deles, também foi o primeiro filme que a apresentava como uma “atriz séria”. Além da amizade com Montgomery Clift, Taylor comenta a cena do beijo:

O momento foi ótimo para mim, porque eu só havia ganhado um beijo de verdade na vida real, duas semanas antes. Teria sido muito vergonhoso se meu primeiro beijo fosse nas telas e não na vida real. Enfim, meu beijo com Monty foi muito melhor. E simplesmente aconteceu. Não recebemos instruções, ninguém me disse o que fazer. Eu apenas o beijei instintivamente.

Apesar das polêmicas que envolvia, o filme foi um sucesso de público e crítica que o julgaram um dos melhores filmes já produzidos. Recebeu 6 prêmios Oscar da Academia nas categorias de Melhor Diretor para George Stevens, Edith Head por Melhor Figurino, Melhor Fotografia para William Mellor, Melhor Composição para Franz Waxman, Melhor Edição para William Hornbeck e Melhor Roteiro para Harry Brown.

Me pergunto o por quê de alguns filmes “envelhecerem” tão bem, enquanto outros são raramente lembrados. “Um Lugar ao Sol” prevalece principalmente por tratar-se de uma história universal, com personagens extremamente humanos, com tantas falhas e ambições. É também um início brilhante para uma carreira como a de Clift, capaz de nos surpreender somente com as expressões de seu rosto, de repente o rapaz inofensivo pode executar um crime que mudará a vida de todos. Sem intenção de tirar os créditos do trabalho minuncioso, parece com aquelas raras ocasiões onde um projeto está fadado a dar certo, já que na época Stevens não poderia fazer idéia de que seu filme fosse estrelado por dois futuros nomes daquela geração.

Escrito por Guilherme

Still tryin' to find my place in the sun.

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