Harry & Sally – Feitos um para o outro (1989)

Harry & Sally – Feitos um para o outro (1989)

 It is so nice when you can sit with someone and not have to talk.

 1979. Depois de um longo casamento com a também diretora Penny Marshall, Rob Reiner estava de volta ao mundo dos solteiros. Existe vida depois do divórcio? Parece que sim, afinal, e Rob levou dez anos para refletir, com certa dose de cinismo, acerca das relações entre homens e mulheres, e também como as duas partes veem as coisas de pontos de vista totalmente diferentes. Ele precisava fazer um filme sobre isso. Bem, Reiner tinha a visão masculina, é claro. Junto com o produtor Andrew Scheinman, ele desenvolveu várias ideias. Mas e o outro lado da moeda? Bastaram alguns telefonemas para Nora Ephron para convencê-la a roteirizar a história, que ainda não estava totalmente firme. Muitos almoços e jantares e telefonemas e discussões dos três depois, nascia o roteiro de Harry & Sally. De muitas maneiras, Rob era Harry, assim como Nora era Sally – e vice-e-versa.

Com um jeito Woody Allen de questionar relacionamentos, Harry & Sally fechou a década de 80 com chave de ouro. E trazia um questionamento que resumia bem seu espírito, assim como as diferenças entre o sexo masculino e o feminino: afinal, homens e mulheres podem ser amigos sem colocar o sexo no meio em algum momento da relação? E a resposta vem na forma de entretenimento cinematográfico da melhor qualidade, coroado por elenco e diálogos brilhantes.

Meg Ryan e Billy Crystal (o melhor amigo de Rob Reiner) foram os escolhidos para os papéis de Sally e Harry.

Universidade de Chicago, 1977. Após a formatura, Sally (Meg Ryan) está deixando Chicago rumo à Nova York. Uma amiga apresenta-lhe seu namorado Harry (Billy Crystal), que acompanhará Sally na viagem de 18 horas, pois também está se mudando para Nova York. É antipatia à primeira vista. Os dois são completamente diferentes: Sally é romântica, organizada, idealista e certinha. Harry é cético, cínico, folgado e obcecado pela ideia da morte. Tentando entabular conversa, ele passa uma espécie de cantada nela, o que a irrita, já que o mesmo é namorado de sua amiga. Sally sugere que eles sejam amigos. E eis que surge o ponto-chave do filme na resposta de Harry:

Sally fica chocada com as ideias de Harry, e quando a viagem chega ao fim, os dois se despedem, e fica por isso mesmo… até que acontece um reencontro casual no aeroporto cinco anos depois. Sally está em um relacionamento recente, enquanto que Harry planeja se casar. Mais uma vez, eles se desentendem, e mais cinco anos se passam até que eles se reencontram novamente, e só aí então, é que, mais maduros, conseguem sentar e ter uma conversa civilizada. O ponto de aproximação é a situação que eles vivem no momento: Sally terminou seu relacionamento pois queria ter uma família, e seu namorado não. Harry, por sua vez, foi chutado pela esposa, que arranjou outro. Uma amizade sincera surge. Harry e amizade com uma mulher? Pois é, exatamente o que você leu. Mas não era o velho Harry que dizia que isso não era possível? E no entanto, dá certo. Harry e Sally tornam-se inseparáveis e bons amigos sem que nenhuma chama de desejo sexual se interponha entre eles. O casal consegue conversar sobre seus relacionamentos tranquilamente, e discutem assuntos de todo o tipo. Sally fica chocada quando Harry conta que os homens em sua maioria detestam ficar abraçados com uma mulher após o sexo, e tudo que eles querem é se mandar o quanto antes. Já Harry aprende da pior (melhor?) maneira que as mulheres podem fingir orgasmos quando quiserem, e homem nenhum vai saber se foi fingimento ou não. Harry fica chocado.

No entanto, o clima de camaradagem fica balançado após uma festa de ano novo em que eles vão juntos por não terem acompanhantes. Logo em seguida, desesperados em não se deixar levar pelo clima, e desde que nenhum dos dois parece ter superado os relacionamentos anteriores, eles resolvem então apresentar um para o outro seus melhores amigos, na tentativa de seguir em frente ajudando um ao outro. Sally leva sua amiga Marie (Carrie Fisher), e Harry leva Jess (Bruno Kirby). O tiro sai pela culatra, pois o encontro serve para aproximar Jess e Marie, que acabam casando. Destino?

Aos poucos a situação vai mudando, e o relacionamento entre Harry e Sally não é mais o mesmo. Será o fim de uma grande amizade, ou o início de algo muito melhor?

When Harry met Sally é um daqueles filmes definitivos sobre relacionamentos. Todas aquelas pequenas coisinhas estão lá. Tudo o que todo mundo sempre quis falar está lá. Um dos primeiros filmes a discutir abertamente questões como o orgasmo feminino, Harry e Sally é um filme incrível. Talvez o final seja previsível, mas todos os diálogos, a trilha sonora faz com que ele seja um daqueles filmes obrigatórios. E não é filme “de mulherzinha”, embora Nora Ephron seja uma conhecida diretora/roteirista desse tipo de filme. Eu obriguei  sugeri a um remoto namorado distante de uma época além, que assistisse Harry e Sally, e o mesmo disse que adorou. Verdadeiramente. Prova de que esse é um filme que todo mundo precisa assistir. Obrigatório para enfrentar esse mundo louco dos relacionamentos. Tipo Annie Hall.

Curiosidades
 
  • Assim como eu disse no início do texto, Harry e Sally foi quase que completamente baseado nas conversas entre Nora, Rob e Andrew. Em uma dessas conversas, Rob pediu que Nora contasse uma coisa que só as mulheres soubessem. Nora contou então que as mulheres podem fingir orgasmos. Rob Reiner ficou tão chocado, que saiu no estúdio perguntando para todas as mulheres que encontrava se era verdade. Cerca de 70% responderam que sim. Assim ficou decidido que o tema entraria no filme.
  • Inicialmente, o assunto seria apenas mencionado casualmente nas conversas de Harry e Sally. Todavia, Meg Ryan sugeriu que Sally mostrasse para Harry como era verdade. Rob e Nora gostaram da sugestão, e ela escreveu então a famosa cena do orgasmo no restaurante. No final da cena, a mulher que diz “Eu vou querer o mesmo que ela”, é a mãe do diretor, Estelle Reiner. A frase foi ideia de Billy Crystal.
  • A cena demorou vários takes para sair. Meg Ryan não conseguia fazer direito, até que Rob Reiner sentou no lugar dela e mostrou o que queria, com todos os gritos e gemidos e batidas na mesa que Meg fez no filme. Billy Crystal disse que foi uma experiência traumatizante estar lá e presenciar Rob fazendo a cena.
  • A maneira que Sally faz seus pedidos em restaurantes, todos com instruções detalhadas, foi inspirado em Nora Ephron, que também solicitava mudanças nos pratos originais de cada cardápio.
  • Foram criados vários estilos de cabelo para Meg Ryan, para mostrar a passagem do tempo. No início, em 1977, ela usa o estilo Farrah Fawcett. Cinco anos depois, ela usa os cabelos lisos, séria, no estilo de alguém que tenta se firmar na profissão. Já em 1989, o cabelo é o estilo que Meg Ryan usava na época.
  • A cena do trava-língua no museu foi um improviso, ideia de Billy Crystal. No filme, é possível ver Meg olhando para o diretor e rindo sem saber o que fazer.
  • Atualmente, na delicatessen em que a cena do orgasmo foi gravada, a Katz’s Deli, há uma placa em cima da mesa onde os atores sentaram durante o momento clássico:
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Escrito por Camila

Formada em Letras e na Academia Douglas Sirk de sofrência e pregadora na Igreja Universal do Reino de Woody Allen. Uma professora de inglês apaixonada por musicais. Faz parte da Comissão de Avaliação, Seleção e Fiscalização, na área de Cinema e Vídeo, do Financiarte de Caxias do Sul.

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