Alta fidelidade (2000)

Alta fidelidade (2000)
What came first, the music or the misery?

Ah, os esnobes musicais! E quando eu digo esnobes musicais, me refiro aos hardcore ones. Você realmente não conhece (a rabugice de) Rob, Barry e Dick. Mas precisa conhecer. A vida desses caras é ditar o que é bom e o que é intragável, diferenciar o aceitável do vergonhoso… e fazer listas Top 5 de absolutamente tudo, não só de música.

A cultura pop, desde que chegou ao mundo de mansinho nos anos 60, e logo varria tudo e todos, certamente teve grande influência no que somos hoje. Toda essa representatividade do pop (há quem chame de “cultura inútil”. Obviamente, não sou uma dessas pessoas) está brilhantemente colocada na vida do personagem vivido por John Cusack em Alta fidelidade, filme baseado (e quase completamente fiel) no livro homônimo de Nick Hornby. É delicioso, é pop. E vai fazer você gostar (mais, muito mais) de música. E descobrir coisas nesse mundo fascinante das letras e melodias das quais você não tinha nem ideia.

 

Alta fidelidade começa ao som da rara e raivosa You’re gonna miss me, do 13th Floor Elevators, que Rob ouve no volume máximo. Sua namorada, Laura (Iben Hjejle), está abandonando-o. Ele aparenta indiferença, e no entanto, está derrotado por dentro. Mas, para provar o contrário, Rob se dirige ao espectador e conta sobre a sua lista de Top 5 piores separações que ele teve durante sua vida até então no mundo dos relacionamentos amorosos. Laura nem ao menos está entre as cinco mais. Toma essa, Laura!

Vai dizer que não é verdade?

Rob, apesar das crenças da maioria, é um dos personagens de livro/filme mais fascinantes que conheço. Eu e esse cara teríamos tanto para conversar se nos encontrássemos! Além de uma enciclopédia ambulante da cultura pop, ele também é dono de uma loja de discos obscura e à beira da falência. No entanto, Rob pode ter uma opinião bem formada sobre quase tudo que diz respeito à música, ao cinema e tudo que envolve a tal de “cultura inútil”, mas, com certeza, ele não entende nada de mulheres – ou de relacionamentos num geral. Basicamente, a vida de Rob é conduzida pelos relacionamentos, e os relacionamentos são levados pela música. Ele pode estar feliz com alguém, mas aí vem um acorde diferente em uma música do Fleetwood Mac e – bam! – lá está ele imaginando todas as possibilidades que o mundo oferece, tudo o que ele pode estar perdendo estando comprometido… Resumindo: ele deixa que os discos tomem as decisões por ele.

No entanto, com Laura é diferente. Rob meio que perde o rumo de sua vida. Ele começa a avaliar sua vida, quase sempre ao som de algo gravado pelo Velvet Underground, e percebe que está em meio a uma espécie de crise dos 30 anos. Para resolver os seus problemas, ele vai cada vez mais se atolando, até que vai buscar conselho em uma música de Bruce Springsteen. The Boss sabe tudo!

Rob tem, como eu disse antes, opiniões muito fortes sobre vários assuntos para os quais a maioria não dá a mínima, mas é óbvio que ele não está sozinho nisso. Ele tem seus companheiros/funcionários de loja e amigos (talvez, é uma relação complicada), Barry (Jack Black, que interpreta o personagem EXATAMENTE como ele é no livro) e Dick (Todd Louiso). Os dois são tão esnobes musicais quanto ele. Para os três, a chave do sucesso de um relacionamento é a compatibilidade musical. Mas, eles acabam tendo que rever seus conceitos.

Barry salvando pobres almas que não possuem uma cópia do Blonde on blonde em casa.

Não quero fazer um desses textos em que eu conto tudo, pois Alta fidelidade é uma pérola cult, dessas que não aparecem toda hora, e que merece ser assistido com o espectador não sabendo muito sobre. A adaptação é fiel ao livro na medida do possível, com a diferença de que o filme se passa nos Estados Unidos, enquanto que o segundo é britânico na potência máxima. Mas isso não chega a atrapalhar a história em nenhum momento.

Um roteiro inteligente, tiradas brilhantes, referências pop aos montes; isto é Alta fidelidade. E nem preciso dizer o quão fantástica é a trilha sonora. O livro também é altamente recomendável.

Pena Rob não ser real. Se ele fosse, já estaríamos casados.

Escrito por Camila

Formada em Letras e na Academia Douglas Sirk de sofrência e pregadora na Igreja Universal do Reino de Woody Allen. Uma professora de inglês apaixonada por musicais. Faz parte da Comissão de Avaliação, Seleção e Fiscalização, na área de Cinema e Vídeo, do Financiarte de Caxias do Sul.

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