Dance comigo (1938)

Dance comigo (1938)

Won’t you change partners and then, you may never want to change partners again…

Não há como negar: Fred Astaire e Ginger Rogers simplesmente fizeram mágica nas telas e marcaram para sempre a história do cinema com seus musicais, com suas coreografias elaboradas e deliciosas de se assistir – obviamente, elas não eram tão deliciosas assim de serem gravadas, mas certamente, eles nos mostravam exatamente o contrário. Na tela, Fred e Ginger não dançavam; eles flutuavam. Simples assim. Tamanha química diante das telas não é para qualquer um. Depois de dez filmes juntos, a parceria ganhou ares de mito, e hoje é difícil falar de um, sem lembrar do outro.

Desses dez filmes, o mais lembrado é O picolino (Top Hat), de 1935, que também é considerado o melhor filme da dupla. No entanto, foi Carefree (em português, Dance Comigode 1938, o oitavo filme de Fred e Ginger que mais me cativou, o que mais me fez rir, o que tem as danças mais… mais Fred e Ginger de todas! E, pasmém – algo raro na filmografia dos parceiros de Cheek to cheek – eles até se beijam!

Nunca Astaire e Rogers foram tão bonitos, engraçados, e – por que não dizer? – sexy.

Normalmente, nos filmes de Fred e Ginger a história não importa tanto assim. Tudo é na verdade uma grande desculpa para eles sambarem na nossa cara – e nós, com toda certeza, vamos adorar. No entanto, Carefree foge à regra. Aqui a história é engraçada e importante, as atuações, adoráveis. E, é claro, as cenas de dança são encantadoras.

Fred Astaire é Tony Flagg, um psiquiatra que gosta de analisar a tudo e todos com seus métodos peculiares. Obviamente, nas horas vagas, ele também é um tremendo pé de valsa. Em um dia comum de trabalho, Stephen (Ralph Bellamy), um amigo seu, entra desesperado e bêbado em seu consultório, pois rompeu com sua noiva pela terceira vez. Tudo o que ele quer é que Tony analise sua noiva, para que tudo fique resolvido e o relacionamento dê certo. Acontece que a tal Amanda é ninguém mais, ninguém menos do que Ginger Rogers. Pobre Ralph/Stephen!

Sassy Amanda

Uma vez no consultório do Dr. Flagg para iniciar a análise e contrariada, Amanda ouve acidentalmente uma gravação de Tony, onde ele a chama de desequilibrada e mimada. Então, ela decide que não quer mais ser analisada, deixa o consultório irritada. Por fim, tudo acaba saindo bem durante um reencontro dos dois, e as sessões ajudam Amanda e Stephen a se reconciliarem, e ela concorda com o tratamento prescrito pelo Dr. Flagg. A antipatia dela com Tony desaparece, enfim.

A primeira providência do psiquiatra é investigar os sonhos de Amanda, para tentar descobrir o que realmente se passa na mente inconstante da jovem. Para tanto, ele faz com que ela coma muito durante um jantar com o noivo de Amanda e seus amigos. Belo método para conseguir sonhos reveladores, não? Exatamente. Depois de toda a comilança, Amanda vai para casa dormir… e sonha que está dançando com o Dr. Flagg, ao som de I used to be colorblind. A sequência é lindíssima e em câmera lenta. Quem dera dançar assim, ou sonhar assim, pelo menos. Quando acorda, fica óbvio para a jovem – e para o espectador –  que ela está atraída por seu psiquiatra. Irremediavelmente.

“Believe me, it’s really true/’Till I met you, I never knew/A setting sun could paint such beautiful skies.”

Tony não se dá conta de nada, e ainda acha que após a análise do sonho tudo ficará bem. Ciente disso, Amanda resolve enfeitar um pouco os fatos, e inventar sonhos esdrúxulos que vem tendo desde a infância. Tudo para que o psiquiatra resolva analisá-la por mais tempo. A tática dá certo, e Tony resolve usar outros métodos, como por exemplo, a hipnose, que acaba rendendo a sequência mais divertida do filme. Nesse meio tempo, acontece de tudo um pouco: hipnoses que saem errado, noivos iludidos e enganados, beijos, socos, troca de farpas e diálogos afiados, idas e vindas, e, como não poderia deixar de ser, números musicais fabulosos. Sem perceber, Tony acaba se apaixonando também por Amanda. Enquanto isso, o Stephen…

Sabe de nada, inocente!

É claro que vai ficar tudo bem, afinal sabemos do que se trata o filme e quem o protagoniza. E, embora o fim seja previsível, são os meios para chegar a ele que realmente importam. Carefree contém algumas das sequências de danças mais memoráveis da filmografia da dupla Astaire-Rogers. É o caso da fantástica Hypnotic dance , onde Ginger dança como se estivesse hipnotizada. Além disso, outro fator marcante desse filme é Change partners, música que foi indicada ao Oscar de melhor canção. Tony a utiliza para tentar reconquistar Amanda, em outro momento adorável do filme.

Enfim, Carefree é o tipo de filme que te faz ficar de coração leve, e que deixa com vontade de saber dançar como os personagens. E não me culpe se você acabar assobiando Change partners durante uma semana. Já faz muito tempo que vi o filme pela primeira vez, mas sempre me pego cantarolando a letra dessa canção. É inevitável! Mais ainda, é difícil deixar de amar aquele que, em minha opinião, é Fred e Ginger at their finest.

Escrito por Camila

Formada em Letras e na Academia Douglas Sirk de sofrência e pregadora na Igreja Universal do Reino de Woody Allen. Uma professora de inglês apaixonada por musicais. Faz parte da Comissão de Avaliação, Seleção e Fiscalização, na área de Cinema e Vídeo, do Financiarte de Caxias do Sul.

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