Trapaça (2013)

Trapaça (2013)

American Hustle (Trapaça, no Brasil) é dirigido por David O. Russell, indicado em várias categorias no Oscar do ano passado com O Lado Bom da Vida. Esse ano, seu novo filme traz novamente Jennifer Lawrence e Bradley Cooper, mas é protagonizado por Christian Bale e Amy Adams. Trapaça é a maior aposta ao grande prêmio da Academia, ao lado de 12 anos de Escravidão, ambos com 10 indicações! Se você assim como eu, tinha na memória uma imagem inofensiva da Amy Adams na pele da jovem freira em Dúvida de 2008 ou Julie & Julia de 2009, pode se surpreender com o quanto sexy a vencedora do Globo de Ouro aparece aqui! Trapaça já chegou aos nossos cinemas e acompanha uma dupla de impostores que termina nas mãos de um agente do FBI.


No começo, um flash-back revela uma briga entre Richie e Irving, que transmite perfeitamente o relacionamento dos dois durante a maior parte do filme. E então volta para o início da trama, quando Sydney (Amy Adams) e Irving Rosenfeld (Christian Bale) se conhecem numa festa, se apaixonam e tornam-se parceiros de negócios. Ambos são ambiciosos e chegaram em Nova York com possibilidades limitadas de se dar bem. Irving tem uma rede de lavanderias e negocia obras de arte falsificadas, mas o negócio principal é uma empresa de empréstimos que aplica golpes em clientes desavisados, passados para trás depois de investir $5000 achando que teriam seu dinheiro “multiplicado”.


O jogo muda quando a parceria é descoberta por Richie Dimaso (Bradley Cooper), um agente do FBI que se faz passar por um cliente desesperado e os deixa sem opções a não ser colaborar com a polícia. Sem saída, Sydney e Irving aceitam um acordo para entregar quatro “criminosos de colarinho branco” envolvidos com a fraude. Richie é um cara honesto que parece imediatamente atraído por Edith (nome usado por Sydney durante os golpes), que será o alvo principal de um triângulo. Apesar da relação não passar de um acordo, envolve muito do caráter de cada um, já que o time possui crenças e interesses diferentes.

 

Depois de uns 30 minutos me perguntei onde entra Jennifer Lawrence na trama. Seu personagem é a neurótica Rosalyn Rosenfeld, esposa de Irving. Sempre tive uma opinião neutra sobre Lawrence, há quem diga que o Oscar Melhor Atriz que recebeu por O Lado Bom da Vida foi prematuro. Na verdade, tenho até medo de elogiar seu desempenho nesse filme, já que a onda da vez é criticar a garota. Minha conclusão é que seu personagem em Trapaça, onde ela ostenta sua responsabilidade como mãe (completamente louca) garante boas risadas durante suas aparições, a cena do microondas que o diga! O filme não seria o mesmo sem a faceta cômica da fútil Rosalyn. Vamos ver no próximo dia 2 de março quem leva a estatueta de melhor atriz coadjuvante!

Enquanto assistia ao filme, notei semelhanças e até referências ao cinema de Martin Scorsese, principalmente durante a breve aparição do Robert De Niro, um executor que trabalha para manter os Cassinos legalizados. Li alguns comentários maliciosos de admiradores do cineasta sobre o filme de David O. Russell, fazendo um parelelo deste com O Lobo de Wall Street. Acho que ninguém questiona Scorsese e sua habilidade em criar filmes sobre a máfia, mas acho inútil comparar por exemplo Os Bons Companheiros com Trapaça, que são abordados de maneira completamente diferentes.

Talvez o melhor em American Hustle seja as fraquezas dos personagens e seus esforços para afirmar a imagem que esperam representar. Numa cena, Richie que ainda mora com a família, aparece encaracolando os cabelos para encrementar o penteado usado no fim dos anos 70, mais tarde Sydney revela sua verdadeira identidade. E como se não bastasse Irving usa um articulado implante capilar para disfarçar a calvície!

Apesar de Trapaça não ser meu favorito, é um forte candidato! De qualquer forma o figurino que trouxe à todos os personagens (salve excessões) o melhor do que se usava nos anos 70 e a maquiagem que fez Jennifer Lawrence, que tem apenas 23 anos, ganhar no mínimo mais uns 10 anos merecem destaque! A trilha-sonora traz uma irresistível coleção de hinos das discotecas e foi a única entre os indicados desse ano que me fez correr para baixar músicas como Goodbye Yellow Brick Road do Elton John, I Feel Love da Donna Summer, entre outros clássicos que incluem Bee Gees, Wings, Duke Ellington e Jack Jones.

Escrito por Guilherme

Still tryin' to find my place in the sun.

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