Parabéns Joan Crawford (1905-1977)

Parabéns Joan Crawford (1905-1977)
Hoje celebra-se Lucille Fay LeSueur. Nascida em 23.03.1905, iniciou sua brilhante carreira na década de 20, ainda no cinema mudo onde apareceu em diversos filmes, alguns inesquecíveis como O Monstro do Circo, de Tod Browning. Mais tarde, a jovem, doce (e belíssima!) caiu nas graças de todo o mundo estrelando filmes românticos com Clark Gable, que aliás alcançou o estrelato impulsionado por ela. Joan Crawford revelou-se uma dançarina carismática e competente no maravilhoso “Dancing Lady” de 1933. O que difere Joan Crawford de outras atrizes é que o trabalho era sua prioridade, ela dedicou sua vida, quase que inteiramente para o show business. Sempre fez questão de ter uma relação próxima com os fãs e responder suas correspondências, era muito grata pela posição que alcançou. Todos que trabalharam com ela, a definem como extremamente profissional e perfeccionista. Me parece que mais que qualquer adjetivo, Joan Crawford foi uma perfeccionista.

Quando apareceu nos estúdios da MGM pela primeira vez, conseguiu um contrato de 10 semanas como dançarina, não como atriz. Na época, o estúdio só tinha espaço para Lilian Gish, Norma Shearer e Greta Garbo. Lucille era uma figurante e raramente tinha alguma fala. Como adorava dançar, sempre era vista nos clubes de Chicago, onde revelara seu talento para a dança, festas e homens. Louis B. Mayer da MGM não gostava do nome LeSueur, e decidiu batizá-la com outro nome… o nome Joan Arien chegou a ser cogitado, mas o contrato foi assinado com a segunda opção Joan Crawford. Lucille não mediu esforços para criar Joan Crawford e parece que só depois disso encontrou uma identidade dentro do estúdio.

Além dos filmes com Clark Gable, sua participação no inesquecível Grande Hotel e seus atributos como dançarina, a presença de Joan me conquistou de vez quando assisti “O Pecado da Carne” (Rain, de 1932) onde ela interpreta Sadie, uma prostituta levada para o interior por um missionário, que pretende convertê-la e afastá-la de sua vida anterior. Apesar do Hays Code (censura) já existir na época, os filmes no final da década de 20 e começo dos anos 30 ainda tapeavam o código, que passou a ser mais rigoroso a partir de 1934. É um filme totalmente satisfatório que revelou uma das melhores atuações da carreira de Joan e uma crítica direta a repressão religiosa.
No fim da década de 30, com o surgimento de diversas outras estrelas, Joan pretendia afirmar que não era mais um rosto fotogênico e brigava por bons scripts. Passou a se interessar por roteiros mais sérios como o de “Um Rosto de Mulher” (A Woman’s Face, de 1941) no papel da dissimulada Anna Holm que amargurada por causa de uma cicatriz facial desprezava todos a sua volta.

Após algumas tentativas fracassadas de emplacar filmes como o noir “Os Insuspeitos” (Above Suspicion, de 1943) foi despedida da Metro-Goldwyn-Mayer e precisou submeter-se a um teste para interpretar Mildred Pierce em “Alma em Suplício” (Mildred Pierce, de 1945) e teve seu momento de glória perante aos que duvidaram dela, numa das melhores interpretações de sua carreira! Joan foi premiada com seu primeiro e único Oscar. Na época, estava tão amedrontada com a possibilidade de perder, que não compareceu à cerimônia, com a desculpa de um resfriado. Mais tarde, recebeu a imprensa na porta de casa e agradeceu aos membros da Academia, os fãs e todos que a apoiaram.

Desfrutando do novo fôlego na carreira, os anos seguintes foram gentis para Crawford e seus admiradores. Na minha opinião, e de muitos outros, alguns de seus melhores filmes e performances são desse período: “Acordes do Coração” (Humoresque), “Fogueira da Paixão” (Possessed), Os Desgraçados Não Choram” (The Damned Don’t Cry). Depois de rodar “Adeus, Meu Amor” (Goodbye, My Fancy de 1951) e outros títulos não tão bem sucedidos pela Warner, o estúdio concordou em liberá-la do contrato – uma sugestão feita pela própria atriz. Depois disso, estrelou um filme “independente” para a RKO Pictures chamado “Precipícios d’Alma” (Sudden Fear!, de 1952) um noir surpreendente que rendeu sua terceira e última indicação ao Oscar, o filme foi produzido por Joseph Kaufman e Joan Crawford – que não se creditou pela produção. Esse filme é lembrado como um dos maiores exemplos do quanto Joan estava comprometida com a qualidade dessas produções, fazendo o melhor possível com as limitações no orçamento.

Uma informação que eu não sabia até recentemente, foi que Joan interessou-se primeiro pelo script de “Baby Jane” e o sugeriu para Bette Davis. O sucesso do filme abriu espaço para que muitas atrizes que passaram dos 40 anos (e se aproximavam dos 60!) estrelassem filmes que passeavam entre o suspense e o terror, criando-se um novo gênero, as psycho-biddy. Daí surgiram várias pérolas e filmes inesquecíveis como “Berserk” de 1967 e “Almas Mortas” (Strait-Jacket, de 1964) estrelados por Joan. Como nem só de clássicos vive uma estrela, Joan participou de algumas produções esquecíveis e personagens de gosto duvidoso. Um dos maiores micos aconteceu em um número musical Two-Faced Woman no filme Torch Song, onde ela dubla a música caracterizada como uma espécie de Carmem Miranda africana!

Apesar de toda a controvérsia sobre a adaptação de Mamãezinha Querida no filme com Faye Dunaway, acho que poucos se comoveram (ou prestaram atenção) quanto aos esforços de Joan para manter-se em evidência. Desde o minuto em que acordava, lavando o rosto com água quente para depois mergulhá-lo num pote com gelo até as máscaras de creme que usava para dormir. Sem contar a rigorosa rotina de ginástica, numa cena hilária na qual ela esbraveja contra os executivos da MGM “ESTÃO ME ENTERRANDO VIVA!”. O filme é uma piada, mas além dos supostos abusos como mãe, não me passaram despercebidos os esforços e a disciplina da estrela para preservar o império que criara.

Tenho muitos ídolos e personalidades que admiro nessa danada Era de Ouro. Joan Crawford deixa evidente que faz parte dessa Era das estrelas, que não existe mais. Apesar de ter representado mulheres fortes, muitas vezes tiranas, Joan parecia vulnerável e demonstrava tanta gratidão com seu público. Poucas vezes li sobre Crawford referir-se a alguém desrespeitosamente, a não ser para se defender. Ela nunca se adaptou à perseguição dos paparazzi e queria preservar o imaginário das pessoas à cerca das estrelas. Termino o post com uma citação da própria sobre a vida no cinema:
Eu vivi uma vida que foi muito mais do que eu poderia sequer ter sonhado, mais do que eu poderia ter imaginado. Mas vou lhe dizer o que eu sei sobre o futuro: eu tenho muito orgulho dos meus filmes, alguns são melhores que os outros, mas eu me orgulho pelo menos um pouquinho de cada um deles. Eles são meu passado e são também meu futuro. Eles estarão aí para sempre. Nada pode mudar isso.

Sempre vamos lembrar, Joan!

Banner feito pelo amigo Leonardo Baricala, que mostra as mudanças de Crawford através dos anos.

Escrito por Guilherme

Still tryin' to find my place in the sun.

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