Cinco filmes de James Stewart que você deveria ver

Cinco filmes de James Stewart que você deveria ver
I think he’s probably the best actor who ever hit the screen.
(Frank Capra)

Hollywood sempre foi um lugar onde as unanimidades são raras. Mas, um desses casos, sem dúvida nenhuma, é James Stewart. Um dos astros mais versáteis que o cinema produziu, Jimmy no início de sua carreira fixou no público a imagem do sujeito de bom coração,  trabalhador e honesto. Essa ideia que se tem dele condizia totalmente com a realidade; nunca houve alguém com algo ruim para dizer sobre ele. A carreira de James Stewart foi brilhante, com mais de oitenta filmes e trabalhos com grandes diretores como Alfred Hitchcock, John Ford e Frank Capra. Sua carreira teve duas fases: antes e depois da Segunda Guerra Mundial. A primeira é marcada por comédias românticas e personagens no melhor estilo Frank Capra. No entanto, Jimmy abandonou Hollywood temporariamente para ir à guerra. Esse acontecimento mudou totalmente a visão do ator, tornando sua atuação ligeiramente mais sombria, menos ingênua, digamos assim. Quem explorou essa nova faceta do astro, foi Alfred Hitchcock, com quem Jimmy fez quatro filmes.

Foi um desafio escolher cinco filmes estrelados por ele para recomendar. Eu já vi muitos filmes de Jimmy; nenhum que eu possa chamar de ruim. Deixei  fora propositalmente A felicidade não se compra,  de 1946, pois já escrevi sobre ele antes. Por fim, convido você a descobrir mais preciosidades da carreira desse grande astro. É garantia de nunca se decepcionar quando você quer algo realmente ótimo para assistir.

 

5 – Meu amigo Harvey (1950) 

Já na segunda fase de sua carreira, Jimmy interpreta o adorável Elwood P. Dowd, uma pessoa totalmente bondosa e otimista, sentimentos que estende para todos ao seu redor. As pessoas da cidade em que vive têm um carinho enorme por ele e o respeitam. No entanto sua irmã, Veta (Josephine Hull) tem vergonha de Elwood, pois a família pertence à alta sociedade e ela  acredita que sua postura não condiz com a posição que eles ocupam. Tudo é agravado pelo fato de Elwood conversar com um amigo imaginário, Harvey, um coelho que está sempre ao seu lado, e que ele faz questão de apresentar para todo mundo. A situação atinge o seu ápice quando a irmã tenta interná-lo num sanatório, mas acaba criando uma imensa confusão, e sendo ela mesma internada no lugar do irmão. Por fim, Elwood mostra ter mais bom senso que todo mundo a sua volta. James Stewart comove o espectador como o homem que resolveu deixar a realidade de lado e só enxergar o melhor de tudo e de todos, e sua alegria espontânea é tratada como loucura pelas pessoas que o cercam. É difícil não ser cativado pelo carisma do personagem.

4 – A loja da esquina (1940)
 
 
Essa adorável comédia romântica foi adaptada em 1998 com Tom Hanks e Meg Ryan nos papéis principais. Mensagem para você só muda a tecnologia utilizada. Enquanto que nesse Meg e Tom trocam e-mails românticos sem saber que se conhecem na vida real, Alfred (James Stewart) se apaixona por Klara (Margaret Sullavan) por meio de cartas, que começam a ser trocadas depois que ele vê um anúncio no jornal local. O problema é que, na realidade, os dois trabalham na mesma loja e se detestam. Os desencontros provocados por essa situação são hilários e coroados pelas atuações carismáticas dos protagonistas e diálogos afiados. Margaret Sullavan não é exatamente uma das atrizes mais conhecidas do período, mas aqui ela prova o seu valor e não perde nada para James Stewart. E, além disso, temos Jimmy sendo Jimmy na primeira fase de sua carreira. Com direção de Ernst Lubitsch, A loja da esquina é uma cativante comédia romântica e um inegável destaque na carreira de James Stewart. Um filme que não tem o seu devido reconhecimento, e que merece ser visto o mais depressa possível.
 

3 – Núpcias de escândalo (1940)

Hitchcock’s e Capra’s à parte, esse talvez seja o meu favorito nessa lista. Aliás, é um dos meus dez favoritos de qualquer gênero e época, principalmente pelo trio que o protagoniza. James Stewart, Katharine Hepburn e Cary Grant apresentam juntos uma química admirável e que faz rir do início ao fim. Jimmy é Mike, um repórter que junto com sua colega Elizabeth (Ruth Russey), é convidado por Dexter (Cary Grant) para cobrir o casamento da sua ex-esposa de família rica, Tracy Lord (Katharine Hepburn). Acontece que esses convidados são indesejados (inclusive Dexter!), pois a família Lord é avessa à publicidade e Tracy, aparentemente, detesta o ex-marido. As coisas se complicam ainda mais quando Mike se apaixona por Tracy, e Dexter também começa a parecer não tão indiferente assim. A impetuosa Tracy se vê então no dia de seu casamento dividida entre três homens diferentes: Mike, Dexter… e o futuro marido. James Stewart é o que mais faz rir, e sua atuação nesse filme deu-lhe seu primeiro Oscar. A cena em que Mike chega bêbado à casa de Dexter é provavelmente a melhor do filme, e uma prova do que bons atores como James Stewart e Cary Grant podem fazer com uma cena que poderia passar desapercebida talvez em circunstâncias diferentes. Além do Oscar de melhor ator, Núpcias de escândalo ganhou na categoria de melhor roteiro. Dirigido por George Cukor, o filme foi feito exatamente da maneira que Katharine Hepburn queria. Ela possuía os direitos sobre a história, e provou ter tato ao escolher seus parceiros de cena. O filme recuperou a carreira de Katharine Hepburn, e certamente é um ponto alto na filmografia dos seus três protagonistas.


 
2 – Um corpo que cai (1958)
 

É difícil escolher um só dos quatro filmes que Jimmy fez com Hitchcock. Festim diabólico, Janela indiscreta e O homem que sabia demais são fantásticos, mas considero Um corpo que cai a melhor atuação de James Stewart em um filme do mestre do suspense. Nele, Jimmy é Scottie, um detetive aposentado que tem fobia de altura, devido ao acontecimento do passado. Contratado para vigiar a mulher de um amigo seu, Madeleine (Kim Novak) com tendências suicidas e uma suposta ligação com uma dama de outra época, ele acaba se apaixonando por ela e entrando em um jogo de prováveis consequências aterradoras que acabam por separá-los. Com o tempo, a paixão de Scottie torna-se quase uma obsessão,  que atinge seu ápice quando ele conhece uma moça idêntica à Madeleine, que diz se chamar Judy. A ótima atuação de James Stewart fica ainda mais evidente nas cenas em que, aos poucos, Scottie transforma Judy em Madeleine. Hitchcock disse para Jimmy: “quando ela estiver se vestindo, olhe-a como se ela estivesse se despindo”. E o espectador assiste essa mudança pelos olhos fascinados de Scottie, que passam do desejo à emoção. Tudo se nota através desse olhar. É essa cena principalmente que me faz amar o trabalho de Hitch e Jimmy juntos. Uma sintonia perfeita que trouxe alguns dos maiores sucessos das carreiras de ambos.

 

1 – A mulher faz o homem (1939)
 
 

Esse é um daqueles casos em que o título em português não faz jus ao filme. No original Mr. Smith goes to Washington, James Stewart tem, na minha opinião, a melhor atuação de toda sua carreira. No filme, dirigido por Frank Capra, ele é Jefferson Smith, um jovem patriota, honesto e cheio de ideais, não muito diferente de outro personagem de Capra, o Mr. Deeds, de Mr. Deeds goes to town. E não por acaso. Inicialmente, Mr. Smith foi concebido como a continuação do filme de 1936, mas, como Gary Cooper não estava disponível, Capra chamou seu amigo James Stewart. Jefferson Smith, envolvido inocentemente em uma maracutaia do Senado é eleito, e, chega à capital cheio de esperança e ideias para o país. Sem saber, é usado por seus colegas em um jogo de interesses, e enrolado pelos jornalistas, incluindo a jovem inicialmente inescrupulosa, Clarissa (Jean Arthur). Aos poucos, no entanto, Smith vai cativando mais a jornalista, que o ajuda a perceber a verdade, e tentar contornar a situação. A cena final, com o discurso de Jefferson Smith é emocionante. James Stewart provavelmente teria ganhado o Oscar de melhor ator em 1940 se o ano não fosse tão disputado – 1939 teve alguns dos melhores filmes de todos os tempos, e na mesma categoria concorriam nomes como Clark Gable e Laurence Olivier. Mr. Smith goes to Washington é um típico filme de Frank Capra, com seus protagonizas que traduzem o ideal do americano de bom coração e honesto.

P.S.: Preciso agradecer ao Raphael por ter me apresentado Harvey, um de seus filmes favoritos, e contribuir para que eu amasse ainda mais o James Stewart. Espero que tu goste de como eu falei dele aqui, Rapha!

 

Escrito por Camila

Formada em Letras e na Academia Douglas Sirk de sofrência e pregadora na Igreja Universal do Reino de Woody Allen. Uma professora de inglês apaixonada por musicais. Faz parte da Comissão de Avaliação, Seleção e Fiscalização, na área de Cinema e Vídeo, do Financiarte de Caxias do Sul.

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