GUILTY PLEASURE: Dez fracassos de bilheteria que amamos!

GUILTY PLEASURE: Dez fracassos de bilheteria que amamos!

Preparamos uma lista com nossos fracassos/FLOPS/veneno de bilheteria/bombas/fiascos comerciais favoritos! Por diversos motivos esses filmes foram rejeitados, mas passaram em um dos testes mais importantes: sobreviveram ao tempo. Cleópatra e O Mágico de Oz não foram citados, mas são um ótimo exemplo. Não podemos deixar de fora as produções de baixo orçamento, alguns são irrelevantes até hoje e outros causaram um grande impacto na cultura popular com o passar dos anos.

10. Um Grito de Pavor (1961)

A Hammer Horror Productions foi uma conhecida produtora de filmes B na década de 60, a maioria do gênero terror e suspense. O interessante é que eles costumavam tirar o melhor de um filme de baixo orçamento. Taste of Fear (Um Grito de Pavor) é um ótimo exemplo! Penny Appleby (Susan Strasberg) volta para casa do pai depois de ficar paralítica em um acidente onde quase morreu afogada.
A jovem que vivia na França nos últimos 10 anos foi recebida no aeroporto por Robert, o simpático e atraente motorista de seu pai. Em seguida, sua madrasta acomoda Penny em um dos quartos, explicando que seu pai está ocupado em uma viagem de negócios. A tensão começa quando a hóspede enxerga o cadáver do pai em um dos aposentos! Daí para frente, o filme de 81 minutos passa num piscar de olhos, envolto na trama bem costurada e cheio de reviravoltas. Assisti com uma amiga e ambos adoramos adivinhar desfechos, porém erramos drásticamente, a trama é satisfatoriamente surpreendente. Apague as luzes, aumente o volume e resolva o mistério!


9. Fanatismo Macabro (1965)

Uma Tallulah Bankhead fanática religiosa e uma Stephanie Powers pré Casal 20. Fanatismo Macabro já valeria a pena ser visto apenas por essas duas atrizes maravilhosas. O filme conta a história de Pat (Powers) que vai visitar a ex-sogra, a Sra. Trefoile (Bankhead) após a morte de seu noivo, Stephen, em um gesto de gentileza. Percebemos de cara que a Sra.Trefoile é alguém que preza pela moral e bons costumes, é por isso que quando Pat aparece com um vestido ligeiramente sensual para jantar com sua anfitriã, ela volta rapidinho ao quarto para tirar aquela afronta ao que é permitido a uma moça decente usar. Pat acaba permanecendo mais tempo do que espera na casa da Sra.Trefoile, mas as coisas acabam se tornando insuportáveis, e um dia, ela fala tudo que lhe vem à cabeça sobre ela e seu filho. Aí temos acesso a toda personalidade sombria e fanática da Sra. Trefoile, que tranca a hóspede no sotão. Pat passa por todo tipo de tortura possível, mas a que nos marca mais sem dúvidas é a tortura envolvendo a leitura da Bíblia. Fanatismo Macabro critica o radicalismo religioso de forma bastante clara, seja pela predominância do vermelho, a cor do pecado, na tela ou pelo discurso da personagem de Tallulah. A cena em que a Sra.Trefoile pega um batom e passa nos lábios, relembrando quem ela costumava ser antes do fanatismo religioso, nos mostra todo o poder de um bom roteiro aliado à atuação de uma atriz magnífica. Contudo o público parecia não estar preparado para uma crítica tão forte e o filme foi um fracasso de bilheteria. Atualmente é considerado um clássico da Hammer Films. Aliás, vejo um pouquinho da mãe de Carrie, a estranha na Sra. Trefoile. Mais um motivo para adorarmos Fanatismo Macabro.


8. As sequências de Psicose

Sabemos que Tony Perkins enfrentou dificuldades para reencontrar um lugar em Hollywood depois do clássico de Alfred Hitchcock, os projetos e convites que surgiam estavam frequentemente ligados a papéis de homens transtornados ou psicóticos. Vinte e dois anos depois, Perkins veste a camisa e decide interpretar Norman Bates novamente, e foi longe – realizou 3 filmes lançados em 1983, 1986 e 1990, respectivamente. Após mais de duas décadas preso em um sanatório, Norman está voltando para casa! No início, tenta colocar sua vida de volta aos trilhos, mas é perseguido por cidadãos que não aprovam sua liberdade, como Lila (a atriz Vera Miles, irmã de Marion no primeiro filme) que também está de volta. O problema das sequências de Psicose começa na sangria desenfreada, numa série de assassinatos toscos que em nada remetem à direção visionária de Hitchcock, chegam a beirar o humor! Apesar disso, percebe-se que houve bastante cuidado em reproduzir o cenário do filme original, que agora pode ser visto em cores. O último filme da saga Psycho IV: The Beginning é para mim o mais interessante, Norman narra sua infância e adolescência, fazendo uma análise da relação com a mãe, os primeiros delitos até cometer o assassinato que o marcou durante toda a vida. Perkins se despede de Norman nesse filme, lançado apenas dois anos antes de sua morte.


7. Bruxa – A Face do Demônio (1966)

Joan Fontaine decidiu encerrar a carreira nos presenteando com um dos filmes mais bizarros de horror que vimos na vida. Gyen Mayfield (Fontaine) é uma professora que, após alguns acontecimentos sobrenaturais em seu antigo lugar de trabalho, é forçada a voltar a sua cidade natal. Ela está em frangalhos e acaba sendo admitida para um emprego de professora na escola coordenada pela rica família de Alan e Stephanie Bax. Gyen começa a notar que as pessoas na cidade são estranhas, principalmente as crianças, que se comportam de um jeito… diferente. À medida que o filme avança, o clima de insegurança aumenta, não sabemos direito o que está acontecendo e isso é passado de uma maneira bastante eficiente para o espectador. Após um garoto entrar em coma, Gyen descobre uma boneca cheia de agulhas espetadas e começa a achar que alguém está praticando bruxaria na cidade. O clímax do filme acontece quando Mayfield é forçada a participar de uma orgia satânica. O problema é que essa orgia satânica foi conduzida da forma mais bizarra, tão bizarra que todos os personagens estão vestidos! Como assim, não era uma orgia? Não existe erotismo, o que invalida toda a cena, já que estamos falando sobre paganismo. Essa cena era para ser o clímax, o auge dos acontecimentos, contudo acaba pecando pela falta de horror de fato. Bruxa tinha tudo para ser um filme maravilhoso, começando pelo fato de que foi Fontaine que levou o livro que inspirou o filme –  The Devil’s own – até a Seven Arts (que trabalhava com a Hammer Films) e os fez comprar os direitos para a adaptação. Além disso, ela também financiou o filme. Dizem que o problema foi a direção de Cyril Frankel, que não estava com muita vontade de fazer algo decente. Bruxa é considerado o filme mais fraco da Hammer. Apesar dos pesares é interessante assistir para nos deleitarmos com a atuação de Joan Fontaine, que está ótima no papel. Também porque é um guilty pleasure assistir a uma orgia satânica tão mal feita se comparar com os rituais de magia negra liderados por Marie Laveau de American Horror Story Coven.


6. Os Que Chegam Com a Noite (1971)

The Nightcomers (Os Que Chegam Com a Noite, no Brasil) ainda é um tanto quanto perturbador, na época filmes de terror envolvendo crianças estavam em evidência, só que esse vai um pouco mais além. É a história de dois órfãos, que após serem abandonados pelo tutor ficam sob os cuidados de empregados. Os pequenos Flora e Miles são fascinados por Peter Quint (Marlon Brando), um simples jardineiro que intriga as crianças com estranhas filosofias sobre amor e morte, ensinando uma série de truques perversos e como se safarem deles. Do outro lado, aprendem boas maneiras e são instruídos pela jovem governanta Miss Jessel, que apesar de desprezar Quint, embarca com ele numa relação sadomasoquista e uma espécie de disputa sobre quem é o mais forte e quais valores irão transmitir aos “enteados”. Apesar de parecer inofensivo, o personagem de Brando pode surpreender! Performances notáveis e um thriller psicológico que devia ser mais lembrado.


5. Berserk (1967)

Os anos 50 podem até terem sido ingratos, mas os anos 60 chegaram e Joan Crawford, assim como Bette Davis, tornou-se a rainha dos filmes de horror. Filmes de baixo orçamento, sim; ruins nunca. Berserk foi talvez o filme mais legal dessa safra de bezões. Filmado na Inglaterra, Joan foi tratada como a rainha do cinema, exatamente como na sua época na MGM. O filme conta a história de Monica Rivers (Joan Crawford), a dona de um circo (!!!!!) onde coisas estranhas começam a acontecer. Berserk era tão bezão, mas tão bezão que Joan disse ao produtor Herman Cohen que eles não precisavam gastar com o figurino, já que ela poderia usar suas próprias roupas. Assim, as roupas maravilhosas que vemos no filme são todas da própria Joan. Todas menos uma. Sim, você acertou: a roupa com que Joan se apresenta no circo. Ela só poderia ter sido desenhada por nada mais nada menos que Edith Head e foi dada de presente à Joan. Como era de se esperar de um filme B, ele não fez sucesso na época em que foi lançado. O tempo passou e para desespero dos recalcados, Berserk se tornou um clássico trash realizado por Joan. É o circo, os cabelos duros de laquê das personagens, os diálogos ácidos entre Joan e seu amante. É uma celebração a tudo de mais ruim que adoramos.


4. Monstros (1932)

 

Esse é um de nossos favoritos e definitivamente um dos filmes mais injustiçados de todos os tempos! Tod Browning fazia sucesso na época com seus filmes estrelados por Lon Chaney e Bela Lugosi, mas segundo a crítica Freaks (Monstros) de 1932 foi “longe demais” e grupos religiosos pressionavam a MGM para boicotar o diretor. Grande parte do elenco realmente possuía deficiências, com a excessão de 4 ou 5 atores, o elenco era formado por anões, um homem sem braços e nem pernas, microencefálicos, alguns deles vinham do circo onde se apresentavam em espetáculos que exploravam a deformidade dessas pessoas.

O filme acompanha a rotina de um circo onde uma bela trapezista chamada Cleópatra, manipula e se casa com Hans, um anão herdeiro de uma grande fortuna.

A exibição teste de Monstros em 1932 foi um desastre e o filme sofreu inúmeros cortes, várias cenas com os freaks foram retiradas e o desfecho foi substituído por um final feliz, para tentar diminuir o impacto. Não funcionou. O filme foi tirado de circulação, no Reino Unido chegou a ser proibido por mais de 30 anos, surgindo novamente na década de 60, onde começou a ser exibido em alguns cinemas e redescoberto como um clássico cult. Os diálogos eliminados eram aqueles que mostravam o “normal” como repugnante e os freaks como pessoas honradas e bondosas. Infelizmente as partes removidas do filme original são consideradas perdidas. Ainda assim Monstros é uma crítica social emocionante e imperdível!


3. A Filha de Satanás (1949)

Beyond the Forest (hilariantemente batizado A Filha de Satanás no Brasil) foi o último filme que Bette Davis rodou sob contrato para a Warner Brothers. Ela confessou em sua auto-biografia que chegou a implorar para que não fosse concluído, mas o estúdio se recusou a liberá-la do contrato. As críticas foram implacáveis em relação a performance “caricata” de Davis, que não fazia um filme de sucesso já ha algum tempo, estava beirando os 40 anos e pronta pra ser descartada. Mal sabiam eles.
O filme é uma prova de como um fiasco comercial pode moldar, positivamente a carreira de alguém. A personalidade de Rosa Moline interpretada por Bette, consolidou de vez sua competência em interpretar uma vilã tirana e exerceu um impacto enorme em sua imagem. Certamente durante a produção ninguém esperava, mas é desse filme uma das falas mais populares da carreira de Bette Davis e da história do cinema. Quando Rosa Moline desce as escadas, dá uma conferida blasé no ambiente e dispara What A Dump! (“Que depósito de lixo!”). As palavras se tornaram famosas em 1962, após ressurgirem na cena de abertura da peça Quem Tem Medo de Virginia Woolf? e também no filme de Elizabeth Taylor. A fala está no #62 lugar na lista de citações mais célebres do cinema pela American Film Institute.
Resumidamente, o enredo é sobre Rosa Moline (Bette Davis), uma mulher ambiciosa e insatisfeita, casada com um médico de bom coração, que faz consultas fiado para pacientes que não tem condições de obter atendimento. Rosa é mal vista por os habitantes de Loyalton, vive reclamando da cidade, insulta quem estiver ao redor, tem um amante e planeja um assassinato. Ela costumava ir até a estação onde todos os dias contemplava o trem que viaja até Chicago, como se este lhe dissesse: “Venha, Rosa. Venha antes que seja tarde demais. Chicago, Chicago… Chicago.”
O filme é considerado constrangedor e “terrível” segundo as próprias palavras de Davis. Mas nós achamos que nunca é demais rever os diálogos impagáveis e o exagero que é esse filme, em todos os sentidos.


2. Cidadão Kane (1941)

Orson Welles talvez seja o diretor mais injustiçado de Hollywood. Isso porque todos metiam o bedelho em seus filmes, cortavam-os e de repente o que sobrava nem se parecia com um filme do diretor. Cidadão Kane foi o primeiro filme de Welles, aparentemente inspirado na história do jornalista William Randolph Hearst. A história de Charles Foster Kane é cheia de inovações cinematográficas, como fornecer o final ao espectador logo no começo do filme. Algo que seria a tônica dos filmes noir mais tarde. Além disso, o filme continha duas horas, o que já era por si só uma inovação. Ter duas horas ou mais só era “tolerado” quando se tratava de um filme épico. Cidadão Kane não agradou, em minha opinião, pelo fato de sambar nos valores morais da sociedade americana. Charles é egoísta, arrogante e sobe cada vez mais na vida. Não se trata da história de um jornaleiro que se torna rico;o cara legal, batalhador. Não, Kane é um homem solitário, que percebe que o que aproxima as pessoas  são os bens materiais. Ele sabe como se aproveitar de seu poder. Welles infelizmente morreu antes de ver seu filme ser eleito o melhor de todos os tempos pelo American Film Institute (AFI). O fato é que Cidadão Kane tem o melhor elemento que um filme poderia ter: atemporalidade. A história de Charles poderia muito bem se passar nos dias de hoje. Afinal Roberto Marinho não foi o nosso cidadão kane da vida real?


1. Mamãezinha Querida (1981)

Inconformada com o fato de não ter sido colocada no testamento, além de ser uma péssima atriz e mal educada (Myrna Loy que disse), Christina Crawford decidiu pisar no tomate e contar a sua verdade do que fora viver com a mãe estrela, retratada por ela em seu livro Mamãezinha Querida como alguém que não suportava cabides de arame e sujeira. Não colou. Porque se o livro ficou semanas na lista dos best-sellers, o filme caiu na chacota assim que foi lançado. Primeiro problema que detectamos: Mamãezinha quer se levar a sério demais. Mas como isso é possível se, quando vemos as caretas de Faye Dunaway se revirando, sentimos vontade de rir? Todas as atuações são caricatas, principalmente a de Dunaway. Me parece uma tentativa bastante frustrada de reprodução do modelo melodramático de atuação dos anos 40. O filme tem duas horas recheadas de absurdos, como a cena em que Joan, depois de ser deixar a MGM, destroi seu jardim com um machado na mão. Christina escreveu um roteiro para a adaptação para o cinema, mas foi recusado. Devia conter duas horas de cenas de espancamento para chocar ainda mais os espectadores. No entanto, o que espantou foi tamanha breguice em tela. Muitas estrelas recusaram o papel de Joan, sabiam que se aceitassem estariam com uma bomba relógio nas mãos. Faye Dunaway, contrariando o conselho de seu mentor Lee Strasberg, aceitou. Já era. Mamãezinha foi o começo do declínio da carreira de Dunaway, embora sua atuação esteja sensacional (sério.). Ela nunca mais conseguiu papeis decentes. Já Christina nunca mais fez nada relevante na vida e vive desse livro podre até hoje. Será praga de Joan? Não importa. Nós amamos a caracterização de Faye, que querendo você assumir ou não, ficou bastante parecida fisicamente com Crawford. Nota dez para a reprodução da casa da estrela em Brentwood. Nós ADORAMOS os diálogos célebres, como o que Christina pergunta à mãe por que foi adotada. Também adoramos as cenas dos cabides, a da Pepsi Cola, a do chuveiro… Mamãezinha Querida é aquele filme em que você assiste e antecipa todas as falas. Nosso nível de amor por esse filme é assim.

Escrito por Equipe

Pregadores da Igreja Universal do Reino do Cinema.

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