Drácula (1931)

Drácula (1931)

Quando Carl Laemmle fundou a Universal Pictures em 1915,  um dos projetos que logo considerou para a produção, como filme mudo, foi o clássico filme de terror, Drácula de Bram Stoker. Dezesseis anos depois, a Universal finalmente produziu o primeiro filme de terror sobrenatural falado.

Ninguém entendia ao certo na época, coisas como mansões quebradas, em ruínas com enormes teias de aranha. Havia tatus correndo e morcegos voando. Na verdade, Browning e a Universal são responsáveis por quase toda a iconografia que associamos a filmes de terror. Capas longas, escadarias, mofo e podridão, aranhas e morcegos. Tudo que agora é da matinê de sábado, coisas para crianças, veio de Drácula. – Bob Madison (Film Historian)

Gregory William Mank, autor da biografia de Bela Lugosi mencionou “Ele definiu o astro de filmes de horror dos anos 30. Porque, primeiro, era atraente, ele era sedutor. Não havia nada repulsivo nele. Ele conseguia hipnotizar,  atrair a simpatia do público, mostrar o mundo através de seus olhos de vampiro.” Todos os Dráculas desde então, foram feitos à sua imagem. O estúdio estava sob grande responsabilidade, se o primeiro Drácula não desse certo, certamente não existiriam tantas versões.

Sr. Renfield tem uma reunião de negócios com o Conde Drácula, mas é avisado por moradores da montanha para que não se aproxime de Borgo Pass na noite de  Walpurgis, pois acreditam que o castelo é habitado por vampiros. O viajante rejeita quaisquer superstições e insiste para que um cocheiro medroso o leve até o encontro da carruagem do Conde.

O hóspede é recebido com estusiasmo pelo Drácula de olhos hipnóticos, que lhe conduz calmamente até suas acomodações. O desavisado Sr. Renfield traz o contrato sobre a Abadia Carfax que acomodará o Conde na Inglaterra. Durante a noite, em sua rápida permanência no castelo, fica inquieto com os ruídos de morcegos e é surpreendido pelas três esposas do Conde, que em seguida as interrompe e suga o sangue de Sr. Renfield, transformando-o em seu escravo.

Conde Drácula deixa seu castelo na Transilvania, em busca de sangue novo em um país novo. À bordo do navio Vespa, viaja na companhia de Sr. Renfield, que agora é seu servo, rumo a Inglaterra. Drácula leva consigo caixas de solo nativo, onde ele deve descansar durante a luz do dia. Quando anoitece, Drácula mata toda a tripulação, onde o único sobrevivente é o Sr. Renfield, declarado como louco, por manifestar desejo de devorar formigas e outros animais pequenos, na busca de sangue. No momento, é internado no sanatório do Dr. Seward, em Londres.

Recém chegado entre os ingleses, Conde Drácula não deixa de aumentar seu número de vítimas, até que uma noite procura Dr. Seward em busca de seu servo e conhece por acaso Mina e Lucy Weston. Uma delas não se impressiona com uma das memoráveis citações do Conde Drácula “Morrer, estar realmente morto, deve ser glorioso.”, na verdade Lucy se sente atraída. Ela sentiu-se inesperadamente curiosa sobre a Transilvânia, os castelos em ruínas e Drácula.Algumas horas depois de adormecer, recebe a visita de um morcego que surge através da névoa pela janela e em seguida assume a forma do Conde. Drácula transforma Lucy numa criatura abominável, uma morta-viva, como ele.

A sede do Sr. Renfield por sangue deixa os médicos intrigados. Van Helsing, um professor de medicina, menos cético que seus colegas, acredita que possam estar lidando com vampiros. Estudando o comportamento do paciente de Dr. Seward, estão cada vez mais próximos da verdade.

Com o professor Van Helsing e Dr. Seward na espreita de Drácula, descobrem que o vampiro tem horror de crucifixos e superficies espelhadas. O plano é fazer com que seu servo, o ingênuo Sr. Renfield conte sobre o esconderijo onde Drácula descansa, afim de lhe pegar desprevenido.  Sr. Renfield é o personagem mais importante na trama ao lado de Drácula, representa o lado oposto, um homem ingênuo que cai numa armadilha e torna-se escravo do príncipe das trevas, por isso é tão importante para a trama.Os personagens secundários também contam para o êxito do filme. Lucy e Mina são um exemplo de como as mulheres poderiam sentir-se amedrontadas e atraídas pelo Conde Drácula. Uma delas torna-se a nova obsessão do Conde, mas termino por aqui. Espero que quem não assistiu, deixe-se hipnotizar pela atuação do Bela Lugosi que deixou um grande legado para os apreciadores do gênero. Afinal, mesmo quem não leu Drácula de Bram Stoker ou nunva viu o filme, sabe quem ele é.

Bastidores:

No intervalo das filmagens, o diretor Tod Browning, Bela Lugosi,
Horace Liveright e Dudley Murphy posam para uma imagem publicitária.
E na direita, Lugosi prepara-se para entrar em cena.
Curiosidades: 
Bela Lugosi não foi a primeira opção para Drácula. Eles queriam Lon Chaney Sr., que tinha morrido recentemente de câncer na garganta. Lugosi conseguiu o papel por já tê-lo tido feito. O estúdio achou seguro escolher o cara que havia se saído bem na Broadway. Lugosi mal falava inglês e teve que aprender muitas das falas foneticamente, o que olhe custou extraordinários poderes de concentração. Muito pouco era espontâneo ou por acaso. Sua atuação era extremamente focada.Um assistente cenográfico sentava em cima da janela com uma vara de pescar e ficava chacoalhando um morcego, para criar a ilusão de que estivesse voando. Então, Drácula surgia com a neblina.Bram Stoker parecia fascinado com a idéia de um naufrágio em Drácula, então naufragou uma escuna russa chamada Dimitri como modelo para a chegada de Drácula ao litoral inglês.Dr. Renfield foi interpretado por Dwight Frye que também tinha experiência na Broadway, onde participou de produções que variavam entre drama, comédias e até musicais.

Lugosi estava desesperado pelo papel, quando o estúdio fez a oferta, perceberam que o tinham nas mãos. Eles o contrataram por US$ 3.500 por sete semanas de trabalho.

O filho de Bela, também chamado Bela G. Lugosi comentou:

A performance de meu pai em Drácula tornou-o famoso, em particular com a parte feminina do público. Adoravam a interpretação dele. Devem ter notado algo com qualidade sexuais. Ele tornou-se um ídolo. Lembro de ter ido ver outros filmes dele com alguns de meus amigos e colegas de classe. Eles ficavam assustados e se escondiam na poltrona. Eu nunca me assustava porque era o meu pai. Devido ao sucesso do filme Drácula, ele ficou tão associado a esse papel que muitos se referiam a ele como Drácula, mesmo que Drácula seja um personagem de ficção. Mudou a vida dele. Depois disso, só fazia papéis semelhantes. E quando entrevistado, ele dizia que Drácula era uma bênção e uma maldição, e Drácula nunca morre. E foi o que aconteceu. Ele levou esse papel para o túmulo. Ele tinha muitas capas, umas mais leves e outras mais pesadas. Minha mãe e eu o enterramos em uma de suas capas. Ele nunca expressou esse desejo, mas achamos que era apropriado.

Escrito por Guilherme

Still tryin' to find my place in the sun.

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