Um Barco e Nove Destinos (1944)

Um Barco e Nove Destinos (1944)
Lifeboat de 1944, teve seu roteiro baseado na obra de John Steinback, adaptado por Alfred Hitchcock e certamente merecia ser mais lembrado! Com apenas um cenário e espaço físico limitado, acompanhamos a luta pela sobrevivência entre nove pessoas que perderam aquilo que mais amam, a trama explora o que é o ser humano quando fica despojado de tudo. Um dos poucos filmes com Tallulah Bankhead que assisti, e ela está maravilhosa! O clima de tensão manterá o expectador vidrado durante seus rápidos 97 minutos.

Começa com imagens do oceano e os destroços de um navio bombardeado e atingido por torpedos, um submarino alemão também é atingido e naufraga. Connie Porter (Tallulah Bankhead), uma jornalista registra tudo com uma câmera e é alcançada por sobreviventes. Kovac, trabalhava na Casa de Máquinas do navio, Sparks era comissário. Logo chega Srta. Mackenzie, uma enfermeira que traz Sr. Smith que está com ferimentos na perna. Eles ainda tentam ajudar uma jovem mãe e seu bebê moribundo. Se juntam em seguida, C.J. Rittenhouse, um milionário que jogava pôquer no salão no momento do naufrágio e Joe, um comissário pouco falante.

Enquanto fazem algumas tentativas de salvar o bebê e acalmar a mãe, junta-se a eles um último sobrevivente: alemão, membro da tripulação “nazista” que diz lamentar que seu submarino tenha afundado o navio, explicando que recebiam ordens do capitão. Em plena Segunda Guerra, a permanência do homem no barco é alvo de discussão, um deles chega a dizer “Não é culpa do homem ser alemão”. Como ele estava apenas cumprindo ordens contra o barco inimigo, sua permanência foi permitida.

Com o passar dos dias, se distraem jogando cartas com um baralho improvisado, trocam confidências e Joe ainda faz música com uma flauta. Um problema surge quando Sr. Smith é diagnosticado com um caso grave de Gangrena e uma amputação de emergência será necessária. O alemão, que já fez diversas cirurgias tenta ajudar, afim de conquistar a confiança dos demais.

Sr. Smith, para esquecer o problema na perna divide suas experiências antes da guerra com Rose e que lamenta não ter formado uma família antes. Connie e Kovac são opostos, brigam e estão atraídos na mesma proporção. O tempo e o isolamento faz com que Srta. MacKenzie confesse que não estava ansiosa para chegar em Londres, pois é apaixonada por Stephen, um homem casado que já tem uma família.

Sem uma bússola é difícil definir uma direção, eles tentam se localizar pelo sol, mas nada seguro. O alemão, comunica através de Connie que serve de intérprete, que conhece a direção indicada. Ele é confiável? A decisão gera tumulto, e com isso passam a definir funções para cada pessoa no barco. Exaustão, sede e os perigos do mar estão a cada dia mais presente entre eles.

Como o cenário conta somente com um barco, Hitchcock precisou ser criativo para fazer sua tradicional aparição nesse filme. Dessa vez ele aparece no jornal, em um anúncio de uma cinta que “reduz” a obesidade. Hilário! Lifeboat foi o primeiro filme ostensivamente político de Hitchcock. Poderia ser chamado de obra de propaganda, mas seria propaganda de boa qualidade, um alerta para o quão frágil e banal a vida pode ser diante da natureza ou da guerra, e sobre quais valores importam numa situação dessas.

Escrito por Guilherme

Still tryin' to find my place in the sun.

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