Cenas de um Casamento (1973)

Cenas de um Casamento (1973)

Na tarde de uma segunda-feira chuvosa tive a notícia de uma folga inesperada, então finalmente assisti Cenas de um Casamento. Como estava com o tempo livre, não me importei com as CINCO FUCKIN HORAS de duração do longa-metragem. Talvez a única preocupação, foi o quanto exaustivo emocionalmente poderia ser. Para o bem ou para o mal, acho que Bergman teve êxito em “resumir” o universo de uma relação a dois.

Cenas de um Casamento é 6º entre 10 filmes estrelados por Liv Ullmann e dirigido por Ingmar Bergman. Separado em seis episódios: Inocência e Pânico, A Arte de Empurrar as Coisas para Debaixo do Tapete, Paula, O Vale das Lágrimas, Os Analfabetos e No Meio da Noite, Numa Casa Escura em Algum Lugar do Mundo.

Marianne e Johan (Liv Ullmann e Erland Josephson) são casados há dez anos e possuem tudo que um casal pode almejar: estabilidade, um lar, filhos, cumplicidade e respeito. No primeiro episódio, eles recebem para jantar um casal de amigos, que está em crise e importunam os anfitriões conforme despejam suas frustrações.

Se você pegou o filme em algum canal de televisão e pensou que se tratava de um romance comum, poucos minutos irão bastar para que reconheça os diálogos característicos do Ingmar Bergman. Ainda no começo, há um momento em que Marianne descreve a felicidade: “Felicidade é contentamento. Não há nada que eu queira. Quero que as coisas permaneçam do jeito que estão”. O personagem de Liv Ullmann nos passa uma calma quase perturbadora, de modo que em alguns momentos me perguntei o quanto ela era submissa ao marido ou às pessoas ao redor, mas essa impressão é quebrada conforme passamos a conhecê-la melhor.

Liv Ullmann é ótima, mas foi em Scener ur ett Äktenskap que ela me conquistou, achei incrível o modo como ela transmite tanta coisa e mantém a dramaticidade em cenas longuíssimas, quase sem recursos de iluminação ou até gestuais como acender um cigarro, por exemplo. Sua interpretação é suave, merece todo o respeito designado a uma grande atriz.

 

Há uma sequência em que Marianne lê seus manuscritos para Johan, e paralelamente enquanto ela proclama suas palavras, surge na tela imagens de sua infância e adolescência. Palavras e imagens nos tornam cúmplices, algumas confissões depois me questionei: até que ponto um casal ou relação é influenciado pela sociedade? Queremos representar estabilidade para alguém?

 

Como o filme utiliza-se de poucos cenários, ficamos tão familiarizados com o ambiente que sentimos participar de uma experiência teatral. Cada uma das seis partes, apresenta a relação dos personagens através de uma ótica diferente. Tive a impressão de que Bergman quis retratar um casal comum, parece ter sido sua intenção, ou não.O filme segue um rumo diferente, quando Marianne e Johan decidem passar uns dias numa casa de verão. Mas daí para frente você tem que assistir para tirar suas conclusões. O filme legendado está disponível no You Tube. Reserve algumas horas e boa diversão!

Bergman, Liv e Erland nos bastidores de Scener ur ett Äktenskap.

Escrito por Guilherme

Still tryin' to find my place in the sun.

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