Sintonia de amor (1993)

Sintonia de amor (1993)
Você não quer se apaixonar! Você quer se apaixonar em um filme!

Nora Ephron, tanto como diretora e roterista, soube como ninguém relatar os problemas da mulher moderna e independente, que apesar de tudo ainda guarda sonhos românticos. Com Harry e Sally, de 1989, com a famosa parceria com Rob Reiner, explorou todos os aspectos dos relacionamentos  possíveis entre homens e mulheres. Em Sintonia de amor, porém, ela deixou que uma homenagem aos tradicionais filmes “de mulherzinha” tomasse conta da história, transformando o filme em uma das mais célebres e adoráveis comédias românticas dos anos 90.

Annie Reed (Meg Ryan) é uma das personagens de filme com a qual mais me identifico (tenho uma lista desses personagens, e ela está no topo). Obviamente, você já percebeu a personalidade de Annie pela citação do filme que abre esse texto. Sua melhor amiga estava se dirigindo a ela quando as duas assistiam à Tarde demais para esquecer, clássico absoluto dos chamados filmes água-com-açucar, como é referido por Sam Baldwin (Tom Hanks).

Sintonia de amor, aliás é todo uma referência à Tarde demais para esquecer. Esse último, clássico de 1957, com Cary Grant (o galã máximo do cinema, em minha opinião) e Deborah Kerr nos papéis principais, é uma lacrimosa história de um casal que se conhece em um cruzeiro e se apaixona, apesar de ambos serem comprometidos com outras pessoas. Ao final do cruzeiro, combinam que terão seis meses para acertaram suas vidas com os respectivos futuros ex-noivos, e marcam um encontro no Empire State Building, no dia dos namorados. O resultado é um belo filme, mas é altamente desaconselhável assistir sem uma caixa de lenços de papel em mãos.

Efeito que Tarde demais para esquecer provoca nas mulheres.

Efeito que Tarde demais para esquecer provoca nas mulheres.

É bom assistir Tarde demais para esquecer antes de se aventurar com Sintonia de amor, para se sentir mais confortável com as referências e aproveitar mais as piadas que o filme faz com o tradicional amor que as mulheres tem por Cary Grant e seu filme.

Annie Reed é uma jornalista prestes a se casar com um homem bonito e comum. Comum até demais. Ela está feliz com a decisão de casar, até confrontar sua família e perceber que terá uma vida maçante e normal, sem maiores emoções. Mas ainda é uma fraca sensação, até que, sozinha em seu carro, ouve um programa de rádio que muda sua vida. Nele, o garotinho Jonah  (Ross Malinger) pede ajuda à psicóloga que apresenta o programa de consultoria sentimental. O motivo da ligação é o pai, Sam, que sofre em silêncio pela morte da esposa. Logo, a psicóloga consegue conversar com Sam ao vivo, enquanto Annie ouve tudo em seu carro. A forma como Sam se refere à esposa é um retrato de tudo o que o verdadeiro amor é. O relato provoca as lágrimas de Annie, que se vê subitamente encantada por Sam. O mesmo acontece com metade da população feminina dos EUA e comigo. Sam vira alvo de conquista, conhecido por “Insone de Seattle”, pois não consegue conciliar o sono à noite, devido a saudade que sente da esposa (daí o título original do filme, Sleepless in Seattle).

"I knew it the very first time I touched her. It was like coming home. Only to no home I'd ever known."

“I knew it the very first time I touched her. It was like coming home. Only to no home I’d ever known.”

Annie tenta escrever uma carta para Sam, relutante, enquanto assiste Tarde demais para esquecer e repete as falas junto com as personagens. Assim, ela pede que Sam a encontre no topo do Empire State no dia dos namorados, assim como acontece no filme que ela assiste pela 29456° vez. No entanto, ela joga a carta no lixo, mas sua amiga resolve enviá-la sem o seu conhecimento. Quem a recebe é Jonah, pois Sam se recusa a ler qualquer carta de suas “pretendentes” com seriedade. E o resultado… bem, é capaz de tocar até mesmo os mais cínicos em relação ao amor. Mas não quero dar mais e maiores spoilers, porque o final vale a pena ser visto. Mesmo se o espectador não for exatamente um apreciador desse gênero de filmes, é quase obrigatório assistir pela homenagem que Sintonia de amor faz  aos clássicos da era de ouro de Hollywood.O tempo passa, Sam decide voltar a sair com outras mulheres. Enquanto isso, a cada dia, a ideia de ir atrás de Sam em Seattle se torna mais forte na mente de Annie, apesar de ela morar em Baltimore, do outro lado do país. Ela compara a vida que leva com o noivo Walter (Bill Pullman) com a emoção de se apaixonar por um desconhecido, que talvez fosse o seu destino. Por sua vez, Sam começa a sair com uma mulher que irrita seu filho (Ela ri como uma hiena!”). Jonah é, aliás, um grande destaque, por trazer em certos momentos a parte cômica do filme, mas também é responsável por uma das cenas mais marcantes ao chamar pela mãe de noite, um dia, e contar ao pai, chorando, que está começando a esquecer dela.

"Magic..."

“Magic…”

Sintonia de amor não é só um clássico do gênero romance, como também um dos filmes que merecem ser destacado nos anos 90. É impossível, em algum momento, não se identificar com alguma fala dos personagens. Afinal, as complicações e anseios do amor são temas universais.Outro aspecto que vale ressaltar desse filme é a belíssima trilha sonora, que não serve somente como um simples pano de fundo, mas que com músicas muito bem selecionadas e com maravilhosas letras consegue refletir a cena em que são ouvidas. Tente observar quando assistir. Clássicos do jazz, também das décadas de 1930, 1940 e 1950 aparecem em versões originais e também com novas versões, como é o caso de Bye bye, blackbird, na voz de Joe Cocker, em um dos momentos mais emocionantes do filme com Jonah e Sam.

Vale a pena se deixar encantar pelo filme e perceber que, em algum momento de nossas vidas, fomos, somos, seremos como Annie ou Sam. O resto é, como diria Sam, “mágica”.

Escrito por Camila

Formada em Letras e na Academia Douglas Sirk de sofrência e pregadora na Igreja Universal do Reino de Woody Allen. Uma professora de inglês apaixonada por musicais. Faz parte da Comissão de Avaliação, Seleção e Fiscalização, na área de Cinema e Vídeo, do Financiarte de Caxias do Sul.

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