Levada da breca (1938)

Levada da breca (1938)

Junte um Cary Grant nerd, sério e comprometido, uma Katharine Hepburn ingenuamente maluca e hiperativa, um cachorrinho que ama ossos de brontossauro e um leopardo chamado Baby. Reunindo tudo isso com maestria, a direção do gênio Howard Hawks. Como resultado você terá uma das comédias mais insanas de todos os tempos: Bringing up Baby, de 1938.

O enredo é aparentemente simples, mas ao mesmo tempo não é. Katharine Hepburn é Susan, a sobrinha de uma milionária em vias de decidir seu testamento. Cary Grant é David, um paleontólogo que está de casamento marcado (com uma mulher que é um verdadeiro pesadelo), tentando conseguir uma doação de um milhão de dólares  para o museu onde trabalha, e conseguir completar o seu tão querido esqueleto de brontossauro.

O destino dos dois se cruza (para a desgraça de David) em um campo de golfe, onde ele tenta persuadir o advogado, Mr. Peabody, que representa uma velha senhora que quer doar parte do seu dinheiro, a escolher o seu museu. Mas o velho está ponderando a ideia, quando Susan aparece, e a todo momento atrapalha as negociações. O encontro culmina com Susan roubando o carro de David, julgando ser o seu próprio. O coitado, sem escolha, acaba seguindo a jovem, sem deixar de antes pedir desculpas à Mr. Peabody.

“I’ll be with you in a minute, Mr. Peabody!”

Susan é um caso à parte. Sobrinha da milionária que quer doar parte de sua fortuna, ela se interessa por David à primeira vista, e decide ter ele para si a qualquer custo. Acontece que nesse mesmo momento, ela está tomando conta do leopardo de estimação e mimado (ele só se acalma ouvindo I can’t give you anything but love) de seu irmão. Depois do episódio do golfe, os dois acabam se encontrando mais uma vez, e de novo, David não consegue encontrar-se com Mr. Peabody, e com todo o atrapalhamento do momento, acaba rasgando a parte traseira do vestido de Susan, rendendo a cena mais hilária de todo o filme.

Tentando consertar a situação, Susan vai deixando tudo cada vez mais complicado para David, em uma série de acontecimentos inusitados. Tudo só piora quando os dois viajam para a casa da tia de Susan, e o cachorro George rouba e esconde a parte do brontossauro de David, a última que ele precisava para completar o esqueleto. Além disso, Baby foge, ao mesmo tempo em que um leopardo selvagem a caminho de um circo, escapa de sua jaula. Junto à tia rabugenta, ao zelador e a um caçador galanteador e rabugento, é difícil prever qual será a conclusão de toda a maluquice. Susan transforma a vida de David em um inferno. Mas será que ele pode viver sem ela, depois de tudo?

Susan e David feat. George: “I can’t give you anything but love, Baby…”

É visível a preferência de Howard Hawks pelas personagens femininas em seus filmes, e com Bringing up baby não é diferente. Apesar de ter o galã Cary Grant como um dos protagonistas, Katharine Hepburn domina o filme do início ao fim. Mesmo assim, isso não atrapalhou o relacionamento entre os dois atores. Em sua autobiografia, Hepburn conta que o clima das gravações foi muito tranquilo, e elogia o parceiro:

Cary estava tão engraçado nesse filme. Estava mais gordo e, àquela altura, sua energia estava no auge. Ríamos de manhã à noite. Hawks também era divertido. Normalmente chegava tarde ao trabalho. Cary e eu sempre chegávamos cedo. Todo mundo contribuiu com alguma coisa, com o que pôde, para aquele roteiro.

Apesar de todos esses fatores e de atualmente o filme ser considerado um clássico do screwball comedy, na época o filme não foi bem nas bilheterias. Katherine afirma em seu livro acreditar que isso aconteceu por causa de sua presença, já que, em suas palavras, era considerada “veneno de bilheteria”, pois os filmes que participava não faziam sucesso. Esse status mudaria no ano seguinte quando, novamente com Cary Grant, e com James Stewart, Hepburn protagonizaria Núpcias de escândalo.

 

É inegável o fato de que Levada da breca é uma das melhores e mais malucas comédias já feitas, e é impossível não rir com as situações provocadas pelo relacionamento entre Susan e David e, é claro, George e Baby.

Escrito por Camila

Formada em Letras e na Academia Douglas Sirk de sofrência e pregadora na Igreja Universal do Reino de Woody Allen. Uma professora de inglês apaixonada por musicais. Faz parte da Comissão de Avaliação, Seleção e Fiscalização, na área de Cinema e Vídeo, do Financiarte de Caxias do Sul.

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